 |
A Fundação da Ordem
O texto introdutório é como Miguel, o sírio,
Patriarca da igreja Siriaca de Antioquia, registrou a fundação
da Ordem. Mas porque ela era necessária? A razão era o
resultados das cruzadas e a situação do recém criado
Outremer.
Após o sucesso milagroso da primeira cruzada, da fundação
do reino de Jerusalém e de o Papa ter dado como cumprida a missão,
muitos nobres e soldados, depois de peregrinarem pelos locais santos,
retornaram aos seus lares. Isto somado as terríveis perdas da
campanha (mais da metade dos cruzados morreram), deixou Outremer com
uma falta crônica de soldados para defender seus habitantes e
os peregrinos visitantes dos ataques dos árabes.
Foi esta situação, que o cavaleiro Hugo de Payn encontrou
em suas peregrinações em 1104 e 1108. Ele, que tinha lutado
na cruzada, ficou preocupado com a Terra Santa e, em 1114 voltou definitivamente
com um grupo de companheiros (segundo Miguel, trinta embora a historiografia
tradicional diga que eram apenas nove). Após algumas lutas, em
que demonstraram extrema bravura, em 1119 Hugo apresentou ao Rei Balduíno
II a sua proposta criar um grupo que além de uma vida de sacrifícios
e pobreza consagrada a Cristo, também se comprometia a empunhar
a espada contra os inimigos da cristandade.Seria uma ordem de cavaleiros
que seguiria a regra de uma ordem religiosa. Seriam Os Pobres Soldados
de Jesus Cristo.
| |
|
A
proposta foi aceita pelo rei que se interessava muito em ter mais
guerreiros ao seu lado e Hugo e seus companheiros haviam provado
serem úteis na defesa do reino, e no dia de natal de 1119,
Hugo de Payns e outros cavaleiros fizeram voto de pobreza, castidade
e obediência assim como “lutar com a mente pura para
o verdadeiro e supremo Rei”, perante o patriarca de Jerusalém,
na Igreja do Santo Sepulcro. Para que tivessem renda suficiente
para sobreviver, o rei e o patriarca lhes deram vários benefícios
e como base a mesquita al-Aqsa na borda sul do Monte do Templo.
Por isso os Pobres soldadosde Cristo passaram a serem |
conhecidos e a se chamarem sucessivamente de “Pobres cavaleiros
de Cristo e do Templo de Jerusalém”, “Os cavaleiros
do Templo de Salomão”, “Soberana ordem dos Cavaleiros
do Templo de Jerusalém”, “Cavaleiros do Templo”,
“Os Templários” ou simplesmente “O Templo”.
Pode ser que a intenção original de Hugo e seus confrades
fosse a criação de um mosteiro onde se retirariam e viveriam
o resto das suas vidas em contemplação religiosa,mas a
situação de Outremer os fez mudarem de idéia (alguns
cronista da época, como Miguel o Sírio sugerem que foi
o rei Balduino que os convenceu a mudarem de idéia a criar uma
ordem monástico-militar).
| |
|
Enquanto
a fé e o ardor pela luta atraía muitos cavaleiros,
e suas façanhas nas lutas contra os muçulmanos se
espalhava pela Europa e a ordem começava a ganhar mais doações
de nobres. Alguns como Foulques de Anjou e Hugo de Champagne (antigo
senhor feudal de Hugo de Payns) além de ricas doações
de bens materiais e Terras associavam-se a ela. Mesmo assim ela
parecia que não ia durar muito. Mas a retórica de
são Bernardo de Clairvaux(ao lado), fundador da Ordem Cisterciense,
foi decisiva, para que no Concílio de Troyes em 1128, o Papa
reconhecesse oficialmente a ordem. Durante o concílio, o
papa ouviu o relato de Hugo |
e suas súplicas a favor da Ordem que, por sugestão do
próprio Hugo, teria suas regras redigidas por Bernardo.
O futuro santo aceitou e o resultado de seu trabalho foi referendado
pelo concílio, com algumas modificações. Essas
regras ficaram conhecidas como Regra Latina e pelas que sobreviveram
aos dias de hoje, eram bastante similar com as cisterciense e beneditina.
Além do reconhecimento formal e bênçãos papais,
foi decidido que a Ordem não responderia a nenhum poder temporal.
O grão-mestre responderia apenas ao Papa e que só os próprios
membros da ordem poderiam julgar outro templário, sem a permissão
eclesiástica. Sendo por esse o motivo que um de seus títulos
é de Soberana Ordem.
Foi também definido os graus de hierarquia da ordem: no topo
o Grão-Mestre (sendo Hugo de Payn, o primeiro) que era responsável
por ela toda. Abaixo deste, diversos Mestres eram eleitos para cada
uma das províncias onde os Templários permaneciam. Para
cada Cavaleiro no terreno, havia ao seu lado dois ou três "sargentos".
Estes eram homens que ainda não tinham um compromisso definitivamente
firmado com os Templários ou sendo templário de berço
não-nobre. Poderiam ser guerreiros — 'sargentos-de-armas'
— ou podiam servir de uma maneira mais pacífica (como médicos,
administradores, por exemplo) em certas Casas ou Conventos dos Templários.
Mantendo o compromisso de pobreza, os cavaleiros usavam roupa simples,
que contrastava com o ornamento dos cavaleiros nesse tempo. Usavam uma
cobertura lisa de cor branca — posteriormente adornada com a famosa
cruz vermelha — que significava a sua pureza e dedicação.
Como nas ordens beneditina e cisterciense, quais havia uma distinção
entre o monge e o irmão leigo pelas vestimentas. Os Cavaleiros,
sargentos e escudeiros tinham vestes diferentes sendo que a de cor branca
era exclusiva para os cavaleiros. Em campanha, os templários
nos seus cavalos de guerra usavam armaduras de malha metálica.
Os seus sargentos usavam armadura mais leve e podiam combater em terra
se necessário fosse.
Também foram formalizados os votos de pobreza, obediência,
castidade e celibato que eram a condição primária
para que um cavaleiro e um dos principais juramentos na aceitação
a ordem. Embora fosse permitida a entrada de homens casados, desde que
com permissão de suas esposas, eles não podiam usar o
habito branco. As mulheres mesmo sendo sustentadas pela Ordem, graças
aos domínios feudais de seus maridos, eram, como as demais parentas
dos cavaleiros banidas das comunidades templárias. Outra parte
importante, e que teria grandes conseqüências no futuro da
ordem, foi que São Bernardo recomendou aos templários
que buscassem cavaleiros excomungados para convertê-los a vida
de devoção e luta pelo cristianismo e assim alcançarem
o perdão divino. Além disso, os fundadores acreditavam
que para que a Ordem fosse realmente uma força unificada, dedicada
unicamente a um objetivo, era necessário à existência
de um cerimonial secreto. Assim as investiduras, ocorriam sempre à
noite, em uma sala capitular mantida sobre uma pesada guarda.
Eram essas regras e outras que regiam o dia-a-dia dos templários:
número de rezas diárias e seus horários, números
de refeições e jejuns semanais, padronização
do treinamento, etc... . Os templários despontavam como uma poderosa
força de elite da cristandade, cuja devoção e disciplina
compensava o menor numero perante os muçulmanos. E conforme sua
fama aumentava, também crescia o número de doações
e de voluntários para se tornarem templários. Logo a pequena
Ordem criada por Hugo e seus irmãos de armas se convertera em
uma poderosa instituição.
|