em alguma espécie de pacto ou aliança com os europeus.
Os Templários lucravam muito com os raros produtos do Oriente
(seda, especiarias e metais preciosos como a prata mais comum no Oriente
do que no Ocidente) e para os que os criticavam por comercializar com
infiéis, eles respondiam que: “estavam utilizando a usura
inimiga contra ela mesma”.
De fato, parte dos lucros comerciais era usada na construção
de castelos, armas e equipamentos, bem como o da poderosa frota, que
por volta do século XIII rivalizaria com as das poderosas cidades-estados
italianas. Mas outra parte era guardada nos castelos e distribuída
pela Europa e o aumento constantes das doações, permitiram
que os Templários começassem a desempenhar sua maior atuação
na Europa a de banqueiros dos reis, da nobreza e do clero.
Neste período, Outremer sofreu um duro golpe: a queda de Edessa
em 1144, fato que precipitou a conclamação da segunda
Cruzada. Inicialmente poucos deram atenção ao chamado,
mas a pregação de Bernardo de Clairvaux alcançou
o coração e as mentes dos europeus, e logo a cruzada estava
pronta. Encabeçada pelo Rei da França Luis VII e o sacro
Imperador romano Conrado III, esta Cruzada fracassou, apesar dos esforços
dos Templários o grão mestre chegou a convocar mais de
300 cavaleiros da Europa. Eles não impediram que a desunião
vigente na liderança levasse a cruzada ao fiasco total.
Mesmo nesta derrota a fama da Ordem não foi abalada. Muito
pelo contrário. Seus atos de bravura, como na batalha da ponte
de Antioquia, onde uma carga dos Templários desbaratou os turcos
que estavam prestes a dizimar os cruzados franceses, fizeram com que
a Ordem fosse bem vista por todos. Sem falar que ela saiu enriquecida,
pois o rei francês pediu um empréstimo de dois mil marcos
de prata à ordem, o que equivalia à metade dos rendimentos
do reino. Isto demonstrava não só os elevados custos de
uma Cruzada, mas também o imenso poder financeiro da Ordem.
Tal poder permitira que a Ordem escolhesse suas lutas. Foi o que ocorreu
em 1165 quando o rei de Jerusalém Amaury I, influenciado pelo
seu sogro o Imperador Bizantino, atacou o Egito, e os Templários
se negaram a lutar. Sabiam que isto poderia provocar a indesejada união
Cairo-Damasco, e o grão-mestre ainda o recriminou por faltar
com sua palavra (Amaury tinha anteriormente se aliado ao Egito). E tinha
razão a expedição foi um desastre e acabou abrindo
o caminho da unificação Egito-Síria e a ascensão
de Saladino.
Os desastres de Outremer, nesta época pouco afetou os Templários.
A despeito das baixas ocorridas, sempre havia mais recrutas, principalmente
depois que foi definido em 1144 pela bula Militis Templi (a mesma que
os isentou dos dízimos e permitiu sacerdócio e construção
de templos próprios), que além dos excomungados, cavaleiros
que tinham cometidos assassinatos, poderiam ser perdoados e ter seus
pecados expiados, pela ingresão a Ordem.
Além disso, eles instituíram o moderno sistema bancário.
Pela sua riqueza e fortalezas em localidades estratégicas pela
Europa, eles instituem um sistema de cartas bancárias, na qual
um nobre que tivesse que viajar pela Europa, não precisaria ir
com grandes quantidades de dinheiro. Ele o dava à uma casa Templária,
que emitia uma nota oficializando a transação. Com ela
esse nobre ao chegar ao se destino ia numa outra casa do Templo e recebia
a mesma quantia. Eles cobravam uma pequena taxa por isso, (do mesmo
valor da dos empréstimos aos reis e Nobres), apesar de isso ir
de encontro à política pontifícia da época
que proibia o lucro e a usura, poucos reclamavam dos Templários.
Graças à sua grande soberania e poder, os Templários
refutavam a acusação de usura, dizendo que só cobravam
por um serviço a mais e o dinheiro ia ser utilizado em favor
da cristandade. E de fato seus votos de pobreza os tornavam extremamente
dignos de confiança. Mas com o passar dos anos a crescente riqueza
e poder dos Templários começava a despertar a inveja e
despeitos de nobres e membros do clero.
Após a segunda cruzada a situação do Outremer
ficou ainda mais fragilizada, que piorou com a decisão de Amaury
de atacar o Egito. Como os Templários foram contra, o rei os
culpou. Quando os Templários foram novamente contrários
a ele, quando este tentou se aproximar da ordem árabe dos Assassinos,
e frustraram essa aproximação, Amaury chegou a ensaiar
um pedido ao Papa pela dissolução de Ordem, mas sua morte
em 1174, veio antes do pedido.
Seu sucessor o jovem Balduino IV demonstrou ser um líder nato
apesar de sofrer de lepra, governou eficazmente, e liderava com talento
as tropas. Outremer precisava de um líder como ele para enfrentar
o mais novo líder árabe: Saladino. Após unificar
os árabes Saladino atacou. O primeiro alvo foi Ascalon, mas as
tropas francas lideradas por Balduino e com apoio dos Templários
venceram os árabes. Após uma série de batalhas
foi firmada uma trégua de dez anos.
Infelizmente Balduino morre com 24 anos e seu sucessor, Guy de Lusignan,
revela ser um péssimo governante. Nesta época, o grão
mestre do Templo era o infame Gerard de Ridefort, que demonstrou sua
covardia nas Batalha de Cresson onde após ter chamado de covarde
um jovem tenente que lhe aconselhara a não atacar os árabes
(que estavam em superioridade de mais de dez para um em números
de soldados), fugiu abandonando seus homens quando a batalha estava
perdida (mais de 200 cavaleiros morreram nesta batalha). Estava pronto
o cenário que levou a catastrófica derrota em Hatin e
a queda de Jerusalém.
Isto provocou a terceira cruzada, a mais famosa de todas, que apesar
de muito empenho só logrou em devolver Acre, Jaffa, Ascalon aos
francos. Embora os peregrinos tivessem permissão de visitar Jerusalém,
mas os Templários perderam sua sede.
Depois dessa cruzada houve a quarta, em 1204, da qual os Templários
não participaram, embora mais tarde ganhassem terras e combatessem
os gregos, no Império latino.
Mas mesmo, esse desastre não afetou a influência e os
poderios econômicos dos templários. Neste período,
já na Espanha, eles tinham o monopólio dos empréstimos.
Na Inglaterra sua influência era tanta que não é
nenhum exagero dizer-se que colocaram as "pedras nas fundações"
de Londres para se transformar num dos principais mercados financeiros
internacional que é hoje, já que sua sede européia
era lá. E, além disso, eram os banqueiros oficiais das
famílias reais inglesa, francesas e aragonesa. Também,
às vezes, participaram da política leiga, como durante
o período após a morte do rei João, no qual a Inglaterra
foi governada por um comitê de nobres que era encabeçado
pelo mestre do templo na Inglaterra. Em Aragão, em 1213, os nobres
escolheram o mestre local para a tutelar o jovem príncipe herdeiro
e quando este subiu ao trono como James I seu antigo tutor se tornou
seu principal conselheiro.
Apesar das derrotas em Outremer, os Templários eram donos de
uma fortuna inigualável. De seu principal porto em La Rochelle,
sul da França, eles comercializavam para toda Europa, que junto
com a insenção de impostos, direitos aos dízimos
e as constantes doações, fizeram com que os templários
adquirissem uma fortuna que ainda hoje é impossível de
ser calcular. Apenas pode se ter uma idéia, por exemplo, que,
em meados do século XII, só a renda de suas propriedades
na Inglaterra, eram avaliadas em £5.200 — o que equivaleria
hoje à cerca de U$15 a 23milhões. E lembre-se, isto apenas
na Inglaterra. As vastas maiorias das suas propriedades estavam situadas
na França e outras partes do continente.
Com isto os Templários estavam no apogeu de seu poderio econômico-militar,
e apesar de ainda marcharem sobre o bandeira do cristianismo e terem
como lema “Non nobis domine, non nobis, sed nomine tua da gloriam”
(Não a nós senhor, não a nós, pela glória
em seu nome), muitos comentavam suas duvidas sobre a pureza de suas
intenções, que apesar de líderes como Gerard, a
reputação da Ordem continuava inabalada. E os templários
continuavam seu empenho ardoroso pela Terra Santa.