Apogeu

Com sua missão já estabelecida, a Ordem crescia progressivamente, assim como seus direitos, já que a Igreja permitiu que eles tivessem seus próprios templos e sacerdotes.A isenção dos pagamentos de dízimos e impostos e o direito de colher seus próprios dízimos, permitiram que a Ordem ficasse independente e extremamente rica.

Seu batismo de fogo, ironicamente não ocorreu na Palestina, mas sim na Península Ibérica, em 1132 na batalha de Grañena. Lá ela foi peça chave para a vitória contra os mouros e por isso como recompensa ganharam o castelo de Barbará. O primeiro embate dos Templários na Terra Santa que se tem noticia foi em 1138, na batalha de Teqoa, cidade que recentemente havia sido tomada pelos turcos. Roberto de Craon o segundo Grão-Mestre da Ordem decide retomar a cidade e avança sobre os turcos, que debandam. Mas, como não são perseguidos pelos cavaleiros, reagrupam e contra-atacam matando um grande número de Templários. Mas essa derrota não macula a fama da Ordem.

   

Neste período, os Templários haviam criado uma poderosa rede de castelos em Outremer, para que pudessem defender melhor os territórios cruzados. O mais famoso é o Krak des Chevaliers(foto). Além de suas funções defensivas os castelos eram centros comerciais, pois os Templários também eram negociantes. E inclusive, nos tempos de trégua,comercializavam com os muçulmanos. Esses acreditavam ser prudentes ter algum dinheiro invertido com os cristãos, para o caso de as guerras terminarem

em alguma espécie de pacto ou aliança com os europeus. Os Templários lucravam muito com os raros produtos do Oriente (seda, especiarias e metais preciosos como a prata mais comum no Oriente do que no Ocidente) e para os que os criticavam por comercializar com infiéis, eles respondiam que: “estavam utilizando a usura inimiga contra ela mesma”.

De fato, parte dos lucros comerciais era usada na construção de castelos, armas e equipamentos, bem como o da poderosa frota, que por volta do século XIII rivalizaria com as das poderosas cidades-estados italianas. Mas outra parte era guardada nos castelos e distribuída pela Europa e o aumento constantes das doações, permitiram que os Templários começassem a desempenhar sua maior atuação na Europa a de banqueiros dos reis, da nobreza e do clero.

Neste período, Outremer sofreu um duro golpe: a queda de Edessa em 1144, fato que precipitou a conclamação da segunda Cruzada. Inicialmente poucos deram atenção ao chamado, mas a pregação de Bernardo de Clairvaux alcançou o coração e as mentes dos europeus, e logo a cruzada estava pronta. Encabeçada pelo Rei da França Luis VII e o sacro Imperador romano Conrado III, esta Cruzada fracassou, apesar dos esforços dos Templários o grão mestre chegou a convocar mais de 300 cavaleiros da Europa. Eles não impediram que a desunião vigente na liderança levasse a cruzada ao fiasco total.

Mesmo nesta derrota a fama da Ordem não foi abalada. Muito pelo contrário. Seus atos de bravura, como na batalha da ponte de Antioquia, onde uma carga dos Templários desbaratou os turcos que estavam prestes a dizimar os cruzados franceses, fizeram com que a Ordem fosse bem vista por todos. Sem falar que ela saiu enriquecida, pois o rei francês pediu um empréstimo de dois mil marcos de prata à ordem, o que equivalia à metade dos rendimentos do reino. Isto demonstrava não só os elevados custos de uma Cruzada, mas também o imenso poder financeiro da Ordem.

 
mapas das principais fortalezas Templarias clique para ampliar

Tal poder permitira que a Ordem escolhesse suas lutas. Foi o que ocorreu em 1165 quando o rei de Jerusalém Amaury I, influenciado pelo seu sogro o Imperador Bizantino, atacou o Egito, e os Templários se negaram a lutar. Sabiam que isto poderia provocar a indesejada união Cairo-Damasco, e o grão-mestre ainda o recriminou por faltar com sua palavra (Amaury tinha anteriormente se aliado ao Egito). E tinha razão a expedição foi um desastre e acabou abrindo o caminho da unificação Egito-Síria e a ascensão de Saladino.

Os desastres de Outremer, nesta época pouco afetou os Templários. A despeito das baixas ocorridas, sempre havia mais recrutas, principalmente depois que foi definido em 1144 pela bula Militis Templi (a mesma que os isentou dos dízimos e permitiu sacerdócio e construção de templos próprios), que além dos excomungados, cavaleiros que tinham cometidos assassinatos, poderiam ser perdoados e ter seus pecados expiados, pela ingresão a Ordem.

Além disso, eles instituíram o moderno sistema bancário. Pela sua riqueza e fortalezas em localidades estratégicas pela Europa, eles instituem um sistema de cartas bancárias, na qual um nobre que tivesse que viajar pela Europa, não precisaria ir com grandes quantidades de dinheiro. Ele o dava à uma casa Templária, que emitia uma nota oficializando a transação. Com ela esse nobre ao chegar ao se destino ia numa outra casa do Templo e recebia a mesma quantia. Eles cobravam uma pequena taxa por isso, (do mesmo valor da dos empréstimos aos reis e Nobres), apesar de isso ir de encontro à política pontifícia da época que proibia o lucro e a usura, poucos reclamavam dos Templários. Graças à sua grande soberania e poder, os Templários refutavam a acusação de usura, dizendo que só cobravam por um serviço a mais e o dinheiro ia ser utilizado em favor da cristandade. E de fato seus votos de pobreza os tornavam extremamente dignos de confiança. Mas com o passar dos anos a crescente riqueza e poder dos Templários começava a despertar a inveja e despeitos de nobres e membros do clero.

Após a segunda cruzada a situação do Outremer ficou ainda mais fragilizada, que piorou com a decisão de Amaury de atacar o Egito. Como os Templários foram contra, o rei os culpou. Quando os Templários foram novamente contrários a ele, quando este tentou se aproximar da ordem árabe dos Assassinos, e frustraram essa aproximação, Amaury chegou a ensaiar um pedido ao Papa pela dissolução de Ordem, mas sua morte em 1174, veio antes do pedido.

Seu sucessor o jovem Balduino IV demonstrou ser um líder nato apesar de sofrer de lepra, governou eficazmente, e liderava com talento as tropas. Outremer precisava de um líder como ele para enfrentar o mais novo líder árabe: Saladino. Após unificar os árabes Saladino atacou. O primeiro alvo foi Ascalon, mas as tropas francas lideradas por Balduino e com apoio dos Templários venceram os árabes. Após uma série de batalhas foi firmada uma trégua de dez anos.

Infelizmente Balduino morre com 24 anos e seu sucessor, Guy de Lusignan, revela ser um péssimo governante. Nesta época, o grão mestre do Templo era o infame Gerard de Ridefort, que demonstrou sua covardia nas Batalha de Cresson onde após ter chamado de covarde um jovem tenente que lhe aconselhara a não atacar os árabes (que estavam em superioridade de mais de dez para um em números de soldados), fugiu abandonando seus homens quando a batalha estava perdida (mais de 200 cavaleiros morreram nesta batalha). Estava pronto o cenário que levou a catastrófica derrota em Hatin e a queda de Jerusalém.

Isto provocou a terceira cruzada, a mais famosa de todas, que apesar de muito empenho só logrou em devolver Acre, Jaffa, Ascalon aos francos. Embora os peregrinos tivessem permissão de visitar Jerusalém, mas os Templários perderam sua sede.

Depois dessa cruzada houve a quarta, em 1204, da qual os Templários não participaram, embora mais tarde ganhassem terras e combatessem os gregos, no Império latino.

Mas mesmo, esse desastre não afetou a influência e os poderios econômicos dos templários. Neste período, já na Espanha, eles tinham o monopólio dos empréstimos. Na Inglaterra sua influência era tanta que não é nenhum exagero dizer-se que colocaram as "pedras nas fundações" de Londres para se transformar num dos principais mercados financeiros internacional que é hoje, já que sua sede européia era lá. E, além disso, eram os banqueiros oficiais das famílias reais inglesa, francesas e aragonesa. Também, às vezes, participaram da política leiga, como durante o período após a morte do rei João, no qual a Inglaterra foi governada por um comitê de nobres que era encabeçado pelo mestre do templo na Inglaterra. Em Aragão, em 1213, os nobres escolheram o mestre local para a tutelar o jovem príncipe herdeiro e quando este subiu ao trono como James I seu antigo tutor se tornou seu principal conselheiro.

Apesar das derrotas em Outremer, os Templários eram donos de uma fortuna inigualável. De seu principal porto em La Rochelle, sul da França, eles comercializavam para toda Europa, que junto com a insenção de impostos, direitos aos dízimos e as constantes doações, fizeram com que os templários adquirissem uma fortuna que ainda hoje é impossível de ser calcular. Apenas pode se ter uma idéia, por exemplo, que, em meados do século XII, só a renda de suas propriedades na Inglaterra, eram avaliadas em £5.200 — o que equivaleria hoje à cerca de U$15 a 23milhões. E lembre-se, isto apenas na Inglaterra. As vastas maiorias das suas propriedades estavam situadas na França e outras partes do continente.

Com isto os Templários estavam no apogeu de seu poderio econômico-militar, e apesar de ainda marcharem sobre o bandeira do cristianismo e terem como lema “Non nobis domine, non nobis, sed nomine tua da gloriam” (Não a nós senhor, não a nós, pela glória em seu nome), muitos comentavam suas duvidas sobre a pureza de suas intenções, que apesar de líderes como Gerard, a reputação da Ordem continuava inabalada. E os templários continuavam seu empenho ardoroso pela Terra Santa.

 
 
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