As Outras Ordens

Como visto além dos Cavaleiros do Templo, surgiram outras ordens militares e monásticas, com a função de lutar pela cristandade, a seguir um pequeno resumo das principais:

A Ordem dos Hospitalários

A Ordem dos Cavaleiros do Hospital de São João de Jerusalém foi fundada por Geraldo de Provença. Inicialmente, como um grupo para acolher e ajudar os peregrinos em Jerusalém, é reconhecida formalmente em 1113, pelo papa Pascal II. Como os Templários, começam a receber doações e, por volta de 1120, começa a ter função militar, inicialmente na escolta de peregrinos e depois já como ordem militar engajando em batalhas contra os muçulmanos.

Ela também ganha os mesmos privilégios dos templários: poder ter seus próprios templos e sacerdotes, não pagar impostos, só se reportar ao Papa. Tão poderosa militarmente como o Templo, mas não se envolvendo tanto em negócios como sua irmã, sua segunda missão era ajudar e cuidar dos feridos e doentes tanto na Europa, como em Outremer. A moderna conotação da palavra hospital surgiu com eles.

Com a queda de Outremer, ela tem sua sede transferida em 1310, para a ilha de Rodes, e passam a ser chamar os Cavaleiros de Rodes. Com o fim dos Templários em 1312, ela recebe suas terras e bens, além da maioria dos membros que escapam a condenação.

Em 1522, perdem Rodes aos otomanos, mas em 1530 recebem do papa e do Imperador Carlos V a Ilha de Malta, passam a se chamar os Cavaleiros de Malta ou A Ordem de Malta. Ela é atacada em 1565 e quase cai, mas o aparecimento de reforços enviados pela Espanha salva a Ilha. Uma nova cidade é fundada no lugar da antiga, destruída na batalha, a atual cidade de Valetta em homenagem ao grão-mestre La Vallete, que comandou a heróica resistência.

Ela novamente quase foi destruída por Napoleão quando este invadiu Malta. Após isso seque-se um longo período, parecendo que ela de fato ia acabar. Mas, em 1879, o Papa Leão XIII restaura a ordem e o grão-mestrado. Ela ainda existe hoje com o Nome de Soberana Ordem Militar do Hospital de são João de Jerusalém de Rodes e de Malta, mais conhecida como Soberana Ordem Militar de Malta. Ela atua como uma ordem católica leiga e soberana, em vários lugares, inclusive no Brasil como instituição de ajuda e caridade, ultimamente ela está ajudando as vitimas do tsunami na Indonésia. Além disso, ela tem o status de observadora permanente da Onu.

A Ordem Teutônica

A terceira Ordem em poder e influência, A Ordem Sagrada dos Cavaleiros Teutônicos de Santa Maria, foi fundada em 1190, por cruzados alemães, sobreviventes do exército de Barba-Ruiva, tendo sido reconhecida pelo papa em 1199. Inicialmente ela aceitava qualquer pessoa, assim como as outras ordens, mas com o tempo passou a aceitar apenas membros da nobreza alemã ou pessoas indicadas por estes. Sua sede inicial foi em Acre, de onde ela apoiava os Peregrinos e, junto com as outras ordens combatia os muçulmanos.

Ela começou a ganhar maiores doações e crescer em poder durante o grão-mestrado de Hermann de Salza, cuja amizade com o Imperador Frederico II, rendeu grandes frutos. Logo a ordem ganhava terras na Alemanha e no báltico e, em 1229, começava uma série de cruzadas contra as ultimas tribos pagãs eslavas da Prússia e Pomerânia. Lá por volta de 1240, conseguiram criar um estado teutônico soberano com a capital no castelo de Marinburgo na Prússia. Sendo apenas nominalmente vassalo do sagrado-imperador e do papa, ela dominava neste período toda Pomerânia e Prússia e parte da Polônia. Seu domínio foi brutal, os pagãos que não se convertiam ao cristianismo eram executados e em seu lugar eram criadas colônias germânicas. A ordem tambem obteve o monopólio da extração de âmbar do báltico, enriquecendo por isso.

Mas, tamanha brutalidade fez com que houvesse revoltas que provocaram a diminuição dos domínios da ordem e fez ela mudar sua sede para Veneza, mais eventualmente ela reconquista os territórios perdidos e sua sede volta à Marinburgo.

E logo a Ordem, apesar das perdas em Outremer, alcança seu apogeu, seu governo apesar de brutal era eficaz e livre de corrupção. Seus territórios prosperavam e a Ordem crescia em poder, a despeito do fim de Outremer em 1291.

Por volta de 1300, assim como ocorreu com os Templários ela também foi alvo da Inquisição, mas seu teatro de operações mais distante e sua fama de brutalidade com os pagãos e o fato de terem um estado próprio a protegem.

Durante os séculos XIV e XV a Ordem se concentra no báltico lutando principalmente contra a Lituânia, lançando até sete expedições por ano contra essa região.

Seu expansionismo também ameaçava a Polônia, e em 1410, na Batalha de Grunwald (tambem conhecida por Tannemberg) o exército lituano polaco derrota a Ordem. Ela perde a maior parte dos seus soldados, seus territórios da lituânia e a Prússia oriental e Pomerânia são cedidas a Polônia.

Começa a decadência da Ordem. Em 1525 o grão-mestre se converte ao luteranismo e com isso a Ordem perde a Prússia ocidental que se torna um ducado. A Ordem continua existindo com sua sede na cidade austríaca de Würrtemberg, sendo seus lideres membros das famílias mais importantes da Áustria. Em 1809 Napoleão dissolve a Ordem que perde seus domínios seculares. Porem ela continua existir primeiramente liderada e patrocinada pelos Habsburgos da Áustria, até a Primeira Guerra. Durante a Segunda Guerra ela teve sua imagem roubada pelos nazistas que a utilizaram como símbolo da superioridade ariana. É justo informar que a Ordem não se envolveu com o nazismo, muito pelo contrario o criticava. Mas ela sobreviveu a essa crise e até hoje ela existe como uma Ordem semiclerical de caridade. E como um símbolo de perdão e boa vontade e para preservar a história, o Governo polonês devolveu o castelo de Marinburgo à Ordem.

 
 
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