Mitos

Desde sua extinção, e até antes dela, pelo seu sectarismo e ritos secretos os Templários se envolveram em uma aura de mistério e segredo. Muitas dúvidas sempre permaneciam sobre eles, o porquê da escolha do monte do Templo, porque a inércia inicial e súbito crescimento da ordem após 1128. O que aconteceu com a frota e seus tesouros, e quais as origens desse tesouro, em seguida alguns dos mitos que existem em torno da Ordem do Templo:

O Santo Graal

 

O mais famoso mito da Ordem, a de que eles foram os guardiões do Santo Graal, (o cálice usado por cristo na ultima ceia e que mais tarde foi usado para coletar seu sangue). Os templários (alguns maçons dizem que foi o próprio Hugo de Payn que o encontrou) teriam-no encontrado na Terra Santa e o guardado inicialmente numa sala secreta, no Templo de Jerusalém. Mais tarde o cálice foi levado a um de seus castelos no sul da França. Outras fontes indicam que eles obtiveram o Graal dos Cátaros que teriam sido os guardiões dele, até que a Cruzada Albigense os destruiu. Alguns cátaros que escaparam e ingressaram na Ordem entregaram a relíquia ao grão-mestre. Este mito gerou a opera Parcifal de Wagner,na qual eles seriam apresentados como os templeisens, que guardavam o Graal.

Uma variação desse tema e que ganhou força com a publicação do Livro O Código Da Vinci, é de que os Templários sabiam da verdadeira natureza do Graal: não era uma taça e sim uma pessoa, Maria Madalena que teria tido uma filha com Jesus, e cuja descendência era a dinastia Meronvíngia. Assim a função da Ordem era proteger os descendentes dessa linhagem e o corpo embalsamado de Maria Madalena, missão que, segundo alguns, eles cumprem até hoje através do Priorado do Sião.

Embora a maioria dos historiadores descarta esse mito, ele ainda é um dos mais fortes e envolventes e sempre permanecerá em torno da historia da Ordem.

A Arca da Aliança

 

Outro mito é que os Templários teriam achado a Arca da Aliança que continha em seu interior as Tábuas da Lei. Segundo a Bíblia foi para a abrigar que o templo de Salomão foi construído. A partir daí a Bíblia não faz mais referências explicitas a ela, e não se sabe o que aconteceu com a Arca quando Nabucodonosor destruiu o templo.

Teria ela escapado da destruição? Segundo alguns cronistas medievais sim, ela teria sido escondida em uma das cavalariças subterrâneas do templo que escaparam intactas e que eram de grandes proporções. Segundo Miguel, o Sírio: “elas podiam abrigar mais de mil camelos e mil e quinhentos cavalos”. Tendo sido ali que Hugo de Payn e seus companheiros a encontraram. Aliás, esse teria sido a verdadeira missão deles: encontra e trazer para a Europa a Arca da Aliança.

Esse mito é o que tem os mais fortes argumentos a seu favor entre 1118 e 1127, pouco ou nada se sabe sobre a Ordem. Os cavaleiros não participaram de nenhuma campanha do rei Balduino II, já estavam instalados no Templo, e mesmo com pouca participação militar foram recebidos magnificamente por reis, nobres, pelo próprio Papa e motivo de um concílio. Durante nove anos, fizeram escavações e reformas no templo e protegiam peregrinos. Segundo alguns autores eles de fato encontraram a Arca e a levaram para a Europa. Outra coincidência é que neste período, de 1130 e 1180, se começa a ter inicio a construção massiva de catedrais góticas pela Europa, que teriam sido construída para abrigar a arca em sua viagem pelo continente. (Os que são contra essa teoria afirmam que essa coincidência se deve as novas fórmulas arquitetônicas que surgiram na Europa graças às cruzadas) um local onde ela ficou durante muitos anos, foi na catedral de Chartes. Em seu portal norte, curiosamente chamado de Portal dos Iniciados, existem duas colunetas, nelas mostra a Arca sendo transportada por dois bois e a arca que um homem recobre com um véu, próximo a um monte de cadáveres, com o destaque para um cavaleiro com uma cota de malha, com a seguinte legenda: Hic amittitur archa cederis. Numa tradução livre do Latim: Aqui esteve a arca perdida.

Portanto não existem provas cabais que os templários tenham achado a Arca, apenas um acúmulo de fatos que poderiam abonar essa tese, em especial a subida e incrível ascensão da Ordem e as construções das catedrais.

Baphomet- a cabeça de deus?

    Uma das mais recentes e controversas hipótese sobre os templários, é a de que a figura supostamente adorada em segredo pela Ordem, conhecida como Baphomet (ao lado sua imagem mais conhecida), seria na verdade cabeça embalsamada de Cristo. Essa hipótese aparece nos Livros Os templários, Esses Grandes senhores de mantos brancos (1997) do escritor francês Michel Lamy e The Head of God (A cabeça de Deus) do britânico Keith Laidler (1998). Eles defendem que a causa do ritmo lento de recrutamento nos primórdios da Ordem era porque tinham que restringir a busca aos tesouros sagrados do Templo à poucos iniciados. Busca essa que segundo esses e outros escritores, encontraram algo extraordinário: a cabeça de Cristo que passou a se objeto de adoração pela Ordem.

Outra versão diz que não foi por uma busca em Jerusalém que os Templários a obtiveram e sim pelos cátaros que a teriam guardado em sua fortaleza de Montségur, (segundo essa versão Maria Madalena a teria trazido para França, onde acabou ficando em posse do cátaros). Quando a fortaleza estava para cair, três cavaleiros cátaros, escaparam com a cabeça e a entregaram para, segundo, escreve Keith Laidler “para qual senão o único lugar na França que estava além do alcance do rei, uma organização que para todos os efeitos era autônoma e partilhava a mesma visão do mundo gnóstica dos cátaros: a Ordem do Templo?”

Segundo eles, quando começou o processo contra o Templo em 1307, um templário, de nome Gerard de Villiers conseguiu evadi-se com essa relíquia e partiu junto com a frota, que se dividiu metade para Portugal, e a outra metade para a Escócia onde se encontrava o castelo de Rosslyn, cujos proprietários tinham longos vínculos com os templários. Ali sobre um dos pilares da capela que era “um templo de Salomão diferente”, os templários fugitivos enterraram a “cabeça de Deus”.

Apesar de ser intrigante, há poucos fundamentos nessa teoria, que é descartado por historiadores como sendo, “uma crença forjada por charlatães para os incautos”.

 
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