A Nona Cruzada
A morte do espírito cruzado (1270-1271)
Esta é considerada a ultima das cruzadas com o objetivo de libertar
a Terra Santa do domínio muçulmano. Embora exista grande
divergência entre os historiadores, se foi ou não uma cruzada
independente ou se foi parte da oitava. Como ainda não houve
consenso algum, decidi em contar sua historia em separado.
O rei da Inglaterra Henrique III há muito desejava empreender
uma cruzada, porém problemas internos e a guerra contra a Escócia,
o impediram. Quando a situação melhorou, por volta de
1267, ele já estava velho e desgastado demais para partir em
uma cruzada. Por isso incentivou seu filho e herdeiro, príncipe
Eduardo, a partir para o Oriente. Eduardo então com cerca de
trinta anos era dotado de grande vigor, habilidades, e sangue frio e
demonstrara possui grandes dotes de estratégia ao lidar com rebeldes
(é ele o rei do filme Coração Valente). Ao receber
a noticia da queda de Antioquia, decidiu partir na cruzada, mas a planejou
com cuidado e método. Porém teria poucos seguidores, pois
apesar de inicialmente os nobres ingleses terem apoiado a idéia,
um por um arranjaram algum motivo e a abandonaram.O espírito
cruzado estava moribundo.
livremente com os muçulmanos madeira, metal que estes precisavam
para seus armamentos. Quando Eduardo tentou impedir alegando que eles
estavam favorecendo o inimigos de Cristo, estes simplesmente mostraram
a carta da corte de Acre que permitia o comercio com os árabes.
Eduardo também tentara uma aliança com os mongóis.
Ao chegar a Acre, enviara uma embaixada a ilcã (governador provincial
mongol) cujo exércitos estavam combatendo no Turquestão.
Este prometeu ajudá-los. Neste meio tempo Eduardo lançou
pequenas excursões nas fronteiras e o ilcã, cumprindo
sua promessa, atacou o norte da Síria, mas recuou quando Baybars
enviou suas tropas principais. Aproveitando que o sultão estava
ocupado com os mongóis, Eduardo liderou os francos num assalto
ao monte Carmelo com o objetivo de capturarem a Planície de Sharon.
Porém suas tropas eram reduzidas demais até mesmo para
ocuparem a pequena fortaleza que protegia o local. Para que alguma reconquista
acontecesse era necessário uma investida mongol de maior porte
assim como uma cruzada maior.
Percebendo isso, Eduardo, na primavera de 1272, se voltou à
diplomacia tentando entrar em um acordo de trégua com Baybars,
que estava disposto a aceitar. Sua preocupação maior era
com os Mongóis e podia ignora por enquanto o frágil reino
franco. E em 22 de maio foi assinado uma trégua de dez anos e
dez meses. Mesmo com a trégua Baybars decidi eliminar Eduardo
e em 16 de junho um assassino disfarçado de cristão nativo
penetrou à câmara do Príncipe e golpeou com um adaga
envenenada. Mas não o matou. Eduardo fica enfermo por meses,
e Baybars chega a felicitá-lo pela sobrevivência. Assim
que se recupera Eduardo decide partir. Pois a maior parte de seus companheiros
já tinham voltado, e seu pai estava morrendo. Assim com o desejo
de retornar um dia com uma nova cruzada, ele embarca para a Inglaterra
no dia 22 de dezembro.
Embora desejasse voltar a Outremer, Eduardo nunca o fez. Confrontos
com o País de Gales, França e principalmente com a Escócia
o impediram. O Arcediago de Liége, Tedaldo Visconti que tinha
acompanhado o Príncipe às cruzadas, se tornou em 1271
o papa Gregório X. Ele clamou por uma nova cruzada no concilio
de Lyon em 1274, mas não foi ouvido. O espírito cruzado
estava deteriorado, a guerra santa havia se tornado mero instrumento
de uma política pontifícia estreita e agressiva, conclamavasse
cruzadas contra hereges, lituanos, gregos, e nobres alemães como
os Hohenstaufens.
Em 1281, os venezianos e Carlos de Anjou, convenceram o papa Martin
IV a permitir uma cruzada contra Constantinopla numa tentativa de reerguer
o império latino. A cruzada partiu com os franceses indo por
terra e os venezianos por mar, mas não chegaram ao seu destino.
O Imperador Bizantino Miguel VII instigou e apoiou os sicilianos e se
revoltarem contra a dominação francesa, na famoso episodio
das Vésperas Sicilianas de 31 de março de 1282, obrigando
Carlos a recuar. Esta foi a ultima expedição armada contra
Bizâncio ou aos muçulmanos.
Sem ajuda externa Outremer estava com seus dias contados e em 19 de
maio de 1291, Acre caía e os que não puderam escapar,
foram massacrados. Os poucos sobreviventes escravizados. Os templários
e hospitalários lutaram com bravura pela cidade, mas no fim foram
massacrados. Tiro, Tortuosa e Beirute as últimas cidades francas,
foram evacuadas antes de serem atacadas e sua população
franca junto com os que escaparam de Acre se refugiaram em Chipre, que
seria o último reino latino do Oriente. Para evitar novas expedições
dos europeus o sultão ordenou a devastação do litoral.
Todos os pomares, poços, bosques, tudo que poderia servir de
apoio a invasores foi destruído, e os cristãos nativos
passaram a ser tratados pouco melhor que escravos. A tolerância
fácil do islã se extingüira. Endurecidos pelos séculos
de guerra, os vencedores não demonstravam qualquer clemência
para com os infiéis. E até hoje seus efeitos ecoam no
mundo. A intolerância a Israel se deve ao fato de que para muitos
muçulmanos ele não passa de um novo estado cruzado que
tem que ser destruído. E as palavras “franco” e “cruzado”
são utilizadas para demonstrar desdém aos valores ocidentais.