A Sétima Cruzada
A Cruzada de São Luis (1248-1254)

Em dezembro de 1244, o rei Luis IX(futuro São Luis), rei da França, caiu gravemente enfermo. À beira da morte, jurou que caso se recuperasse, partiria para uma cruzada. Sua vida foi poupada e assim que foi possível, começou os preparativos para a cruzada.

   

Ele seria o único rei a pregar a cruzada, pois o Imperador Frederico II e o papa Inocêncio IV estavam mais preocupados com os confrontos entre os guelfos e gibelins, e o rei da Inglaterra tinha seus próprios problemas internos e não podia participar de uma nova invasão à Terra Santa.

Mas parecia que só bastaria a França, que naquele período era provavelmente o mais poderoso estado de Europa, e Luis teria ajuda de seus irmãos Alfonso de Toulouse e Charles I de Anjou. Pelos próximos três anos Luís coletou dinheiro (a maior parte dos dízimos da Igreja) e, em 25 de agosto de 1248, ele partiu para o Oriente junto com um exército de mais de vinte mil homens. Além deles, há um contingente britânico sob o comando de Guilherme conde de Salisbury (esta seria a única tropa inglesa da cruzada, pois o rei impediu outros nobres de participarem).
Rei Luis IX por El Greco

Luis aportou em Chipre em 17 de setembro, onde passaram o inverno negociando com os estados orientais. O Imperador latino pediu ajuda contra os nicenos, enquanto o principado de Antioquia e os templários pediam ajuda na Síria onde recentemente tinham perdido a cidadela de Sidon. No entanto Luis se decidira a atacar o Egito, remontando a idéia da quinta cruzada de derrubar o poder islâmico. E que por suas riquezas e campos poderia alimentar e equipar o exército em seu ataque a Jerusalém.

   

Luis queria atacar imediatamente mais o inverno rigoroso o impediu. Quando o tempo melhorou, confrontos entre genoveses (os principais aliados de Luis) e o pisanos por áreas comerciais na costa síria, atrasou ainda mais seus planos. Finalmente em maio, as tropas poderiam embarcar e após uma serie de tempestades atrasarem o embarque, no dia 30 de maio elas partiram em direção ao Egito onde desembarcam no dia 4 de junho.

Dois dias depois, assaltam e tomam rapidamente a cidade de Damietta(figura acima), onde Luis ignorando que a cidade deveria ser dada ao rei de Jerusalém, a transformou em um arcebispado sobre o controle do patriarcado latino de Jerusalém. Mas o exército não avançou mais, Luis aprendeu a lição da quinta cruzada e não atacaria na época das cheias do Nilo. Só marcharia novamente quanto as águas recuassem. E, durante os meses do verão de 1249 Damietta se tornou a capital de Outremer.

Neste meio tempo o mundo islâmico chocado pela perda da cidade, começava a agir. as-Salih mesmo moribundo agia, como seu pai há três décadas, oferecendo Jerusalém em troca da devolução da cidade, mas Luis recusava-se a barganhar com um infiel.

Com o Nilo retrocedendo em fins de outubro e com a chegada, neste período, de reforços da França, era hora de avançar. Foi sugerido um ataque a Alexandria, que se tomada faria dos cruzados os senhores de toda costa mediterrânea do Egito, contudo um dos irmãos do rei foi contra e Luis tomou seu partido e como na quinta cruzada decidiram avançar para Cairo. No dia 20 de novembro o exército partiu em direção a cidade. Parecia que a sorte estava com eles, pois no dia 23, o sultão falecia na cidade fortificada de Mansurá, que seria a primeira defesa dos muçulmanos contra os cruzados em direção a Cairo.

No dia 7 de dezembro houve uma batalha perto da aldeia de Fariskur, onde a cavalaria egípcia foi rechaçada e os templários contrariando ordens, perseguiam os fugitivos para demasiado longe e encontraram dificuldades para se reunir a seus companheiros. Fora outra pequenas escaramuças, o exército continuou em marcha e no dia 23 acamparam em frente a Mansurá, separados apenas por uma serie de canais do Nilo. No inicio de fevereiro, foram informados sobre a existência de um vau e se puseram em marcha. No dia 8, a vanguarda do exército sobre o comando de Roberto de Artois, atravessava o vau. A despeito das ordens dadas de esperar o resto do exército, Roberto, achando o acampamento árabe desprotegido atacou, junto com uma forças de Templários. Apesar do sucesso inicial e de matarem o comandante do acampamento os árabes lograram em armar uma cilada, contra atacar, derrotar os cruzados e matar Roberto.

Ao saber da noticia, Luis avançou com a principal parte de suas tropas, mas foi atacado e derrotado pelo exército sarraceno comandado pelo líder dos mamelucos e futuro sultão Baybars. Apesar da dupla derrota, Luis não recuou e continuou o cerco a cidade. Ele terminou em março, pois havia mais fome e morte entre os cruzados do que entre os árabes, e o próprio Luis caía enfermo e resolveu recuar para Damietta. Mas foi atacado e capturado pelos mameluco.

Após dois meses de negociações ele foi libertado em troca de Damietta e do pagamento de 360 mil libras. Ele imediatamente retornou à Acre para se reorganizar e planejar o futuro da cruzada. Neste período os mamelucos se revoltam contra o sultão e o depõem. Baybars subiu ao poder criando a dinastia dos mamelucos que futuramente poriam um fim a Outremer.

Procurando ganhar tempo, Luis se alia aos mamelucos que ainda lutavam contra os sírios que tentavam restaurar a antiga dinastia. Enquanto fortificava as defesas, ele entrava em contato com os Mongóis, que pelas lendas como a de Prestes João seriam aliados naturais dos cristãos, contra os muçulmanos. Assim como os muçulmanos, os cruzados enviaram embaixadas pedindo auxilio, mas o Khan mongol pouco se interessava em alguma das partes. No caso da embaixada de Luis que tambem procurou convertê-lo ao cristianismo, ele não só negou as propostas, como sugeriu a submissão de Luis a ele.

Em 1254, a falta de dinheiro, problemas internos na França e a morte de sua mãe, que ficara na regência, obrigaram a Luis a retornar. Sua cruzada fracassou, mais sua fama se espalhou pela Europa e muitos já o consideravam um santo, o que lhe deu uma autoridade ainda maior que o sagrado-imperador.

Ele poderia ter fracassado mais não desistira e, em 1270, uma nova cruzada seria criada por ele.





























 
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