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A Sexta Cruzada
A Cruzada do Imperador (1228-1244)
Apenas sete anos após a quinta cruzada, começava mais
uma. Desta vez não houve pedido, ela ocorreria movida pela vontade
de um homem, Frederico II da casa dos Hohenstaufens, o Sacro Imperador
romano.
Na época da quinta cruzada, Frederico tentara participar dela,
mas foi proibido pelo papa Inocêncio III, em 1220, após
sua coroação pelo papa Honório III, ele retornou
sua promessa de participar da cruzada e chegou a enviar uma pequena
força.
Problemas internos fizeram com que Frederico, adiasse seus planos, mas
em 1225 ele casa com Yolanda, filha do rei de Jerusalém. Com
isso ele ganhou um motivo pra criar uma cruzada mesmo sem que o papa
pedisse, algo que Frederico achava desnecessário. Como sacro
imperador, Frederico se achava o vice-rei de Deus, e não precisava
obedecer nenhum bispo, nem mesmo o de Roma. E o casamento o tornara
rei de Jerusalém já que o velho rei abdicara do trono
para se tornar regente do Império Latino em Constantinopla.
Em 1227, após a subida de Gregório IX como papa, Frederico
armou um exército, e o pôs para navegar em direção
a Síria, mas uma epidemia o obrigou a voltar para a Itália.
Gregório o excomungou por quebrar seu voto de cruzado, (na verdade
era só uma desculpa, Gregório queria enfraquecer o Imperador
em suas disputas pelo poder na Itália). Após tentativas
infrutíferas de chegar em um acordo com o papa, Frederico decidi
ignorá-lo, e mesmo excomungado, parte com a cruzada em 1228.
Mas a demora lhe custou muito, Yolanda falecera seis dias após
dar a luz ao filho de Frederico Conrado, e com isso perdeu-se uma das
razões da cruzada, Frederico não era mais o marido da
rainha De Jerusalém, no máximo Regente em nome de seu
filho, algo que os barões de Outremer poderiam impedir.
Em setembro de 1228, Frederico desembarca em Acre, a capital do reino,
que havia se dividido entre os que o apoiavam (muitos dos nobres, e
tropas alemães enviadas anteriormente), e os que eram contra,
encabeçados pelo patriarca Geraldo de Lausanne e pelos cavaleiros
templários e hospitalários, que se ressentiam da tentativa
de Frederico de impor sua autoridade ao reino. Logo começou a
luta (que muitas vezes deixava de ser política e virava batalhas
campais) entre os partidários do papa (guelfos) e os que apoiavam
o Império romano-germânico (os gibelins).
Só com muita habilidade é que Frederico conseguiu unir
as duas facções, mas não contaria com a ajuda dos
templários e hospitalários que se recusavam a marchar
junto com um excomungado. Porém Frederico ainda contava com o
apoio dos cavaleiros teutonicos cujo Grão-mestre, Hermann de
Salza, era seu amigo, porém tinha apoio de poucos soldados, e
parte do seu exército o abandonara, além disso, chegava
noticias alarmantes da Itália, onde as tropas papais atacavam
duramente. Por tudo isso e o fato de que nem com todas as tropas disponíveis
em Outremer poderia dar um golpe decisivo no islã, ele decidiu-se
por uma outra via: a cruzada seria diplomática.
Felizmente para o imperador o sultão al-Kamil tinha a mesma
opinião, seu reino tinha sido dividido entre seus irmãos
que lutavam entre si, e havia uma nova ameaça: o Império
dos Khwarism, cavalheiros muçulmanos que se revoltaram contra
seus lideres e criaram seu próprio império hostil tanto
aos egípcios quanto aos francos, cujo senhor Jelal ad-din estava
no auge do poder após rechaçar um ataque dos mongóis,
apenas a ameaça destes o impedia de avançar sobre os francos
e egípcios.
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Começara assim uma série de negociações
entre o Sultão e o imperador(imagem ao lado), dois homens
que não acalantavam devoção fanática
por suas religiões, que se interessavam pelo estilo de
vida um do outro, que fariam de tudo para evitar uma guerra, mas
que por uma questão de prestigio entre o povo, tinha que
se impor ao máximo nas negociações.Frederico
tinha como maior inimigo o tempo e falta de tropas, al-Kamil seus
irmãos em Damasco e a ameaça dos Khwarismanos, e
estava disposto a grandes concessões aos cristãos
se estas o ajudassem.
Neste clima de tensão e admiração
mútua, Frederico se revelou melhor negociador que o sultão
e depois de longas negociações e algumas escaramuças
entre suas tropas, eles chegaram a um acordo e, no dia 18 de fevereiro,
assinaram um tratado de paz. Nele foi decidido uma trégua
de dez anos pelo calendário cristão e dez anos e cinco
meses pelo islâmico, além da devolução
aos cristãos das cidades de Jerusalém, Belém
e um corredor de terra as ligando até o mar. |
Começara assim uma série de negociações
entre o Sultão e o imperador, dois homens que não acalantavam
devoção fanática por suas religiões, que
se interessavam pelo estilo de vida um do outro, que fariam de tudo
para evitar uma guerra, mas que por uma questão de prestigio
entre o povo, tinha que se impor ao máximo nas negociações.Frederico
tinha como maior inimigo o tempo e falta de tropas, al-Kamil seus irmãos
em Damasco e a ameaça dos Khwarismanos, e estava disposto a grandes
concessões aos cristãos se estas o ajudassem.
Neste clima de tensão e admiração mútua,
Frederico se revelou melhor negociador que o sultão e depois
de longas negociações e algumas escaramuças entre
suas tropas, eles chegaram a um acordo e, no dia 18 de fevereiro, assinaram
um tratado de paz. Nele foi decidido uma trégua de dez anos pelo
calendário cristão e dez anos e cinco meses pelo islâmico,
além da devolução aos cristãos das cidades
de Jerusalém, Belém e um corredor de terra as ligando
até o mar.
Dessa forma sem desferir um único golpe, o imperador excomungado
reconquistou à cristandade a Cidade Santa. Mas não houve
comemoração, só desaprovação. Muitos
se lamentaram por não terem conquistado a cidade pela espada,
e muitos, principalmente os templários, se ressentiam com a presença
muçulmana na cidade, e pelo fato de que ao área do templo
com o Domo da rocha ainda pertenciam a eles pelo tratado. E o mundo
islâmico também ficou ultrajado, em Damasco, an-Nasir (um
dos rivais de al-Kamil) ordenou luto publico pela traição
do islã.
E Frederico mesmo pelo grande serviços prestados à cristandades,
não teve sua excomunhão anulada e ninguém advogou
essa idéia, e o Patriarca Geraldo ameaçou colocar a cidade
sobre interdição se esta recebesse o Imperador. Mesmo
assim em 17 de março, Frederico fazia sua entrada cerimonial
em Jerusalém, e no dia seguinte era coroado rei, embora legalmente
ele era só um regente em nome de seu filho Conrado.
Mas problemas políticos na Alemanha e sua crescente impopularidade
no reino o obrigaram a partir. Em maio ele retornou ao império.
Ele demonstrou que uma cruzada poderia ser bem sucedida, sem luta e
sem o apoio papal. A trégua foi respeitada por ambos os lados
(mas nunca acabaram as escaramuças e saques), até seu
fim em 1239. Em 1244 Jerusalém era capturada pelos Khwarismanos.
O precedente estava criado e as próximas cruzadas ocorreriam
sem o envolvimento do papa.
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