A Quinta Cruzada (1217-1221)

Após a traiçoeira quarta cruzada houve um período de relativa calma no Oriente, pois ela apesar de nunca ter enviado soldados à palestina, não deixou de ter suas compensações. Por mais de dez anos Outremer foi deixado em paz, e a trégua firmada em 1198 entre o Rei De Jerusalém Almarico e o Sultão al-Adil (que estava mais ocupado em manter seu reino unido do que com o pequeno estado franco), foi preservada.

Mas a trégua estava para terminar. Mesmo após a desilusão da quarta Cruzada, Inocêncio III, não desistira de salvar o Oriente, idéia essa que ainda era forte na Europa, visto a malfadada cruzada das crianças em 1212 em que um jovem histérico chamado Estevão convenceu milhares de crianças (relatos indicam que os mais velhos sequer tinham doze anos), de que os mares secariam para lhes dar passagem e que os anjos lutariam lado a lado com eles contra os Sarracenos e que só o poder advindo da pureza infante libertaria a Terra Santa. No final, nada aconteceu e os jovens cruzados acabaram sendo enganados e vendidos como escravos por mercadores de Marselha. Houve movimento similar na Alemanha com o mesmo final.

Mas nem todas as cruzadas desde período eram fracassos. O sucesso da cruzada albigense contra os hereges do sul da França, e em 1211 em reposta à invasão de Castela pelo vizir almóada (muçulmanos do sul da Espanha e norte da áfrica), fez o papa Inocêncio III pregar uma cruzada na Espanha, que resultou na estrondosa vitória de Las Navas de Tolosa, em julho de 1212 , na qual o exercito africano foi desbaratado, iniciando uma nova fase da Reconquista.

Com isso em 1213, o papa expediu, a bula Quia maior conclamando toda a cristandade para se unir e libertar de vez a Terra Santa. Mas como os reis e imperadores europeus estavam lutando entre si não responderam. Inocêncio III também não os queria, sua idéia era ainda uma cruzada lideradas por cavaleiros e nobres menores como na primeira.

Em 1215, no Concilio de Latrão, foi decidido que a cruzada estaria sobre controle papal como a primeira para evitar os erros da quarta. Mas, apesar de ter marcado a cruzada para meados de 1216, disputas políticas entre o papa e o Imperador Frederico II, que queria participar da cruzada, (mas como era a única pessoa que poderia desafiar a autoridade do papa, era ultima pessoa que Inocêncio queria ver na cruzada), a partida acabou sendo adiada e, em maio de 1216 Inocêncio faleceu sem ver a partida da Cruzada.

Seu sucessor Honório III barrou a entrada de Frederico na cruzada, a colocou na liderança de Leopoldo Vi da Áustria e André II da Hungria, e como legado papal o bispo Pelágio. Em 1217, chegaram em Acre onde se juntaram ao Rei de Jerusalém João de Briena e, após uma série de lutas inconclusivas em 1218, parte do exército abandona a cruzada. Com a chegada de reforços comandados por Oliver de Colônia, decidiu-se atacar o Porto Egípcio de Damietta.

Em Junho de 1218, começa o cerco à cidade as tentativas de liberar o cerco são falhas, graças à bravura dos templários e a desunião dos árabes. Mas, mesmo assim Damietta resistia ao cerco e em agosto de 1219, Francisco de Assis, então subordinado de Pelágio, tenta negociar a paz com o sultão egípcio al-Kamil, mas só consegue uma trégua, que é seguida por uma proposta surpreendente: em troca da evacuação de Egito, ele lhes devolveria a cruz Verdadeira, bem como Jerusalém, toda palestina central e Galiléia. Os muçulmanos só ficariam com os castelos de Outrejordain, mas pagariam tributos por eles. As ordens e Pelágio recusarem a oferta.

    Em novembro, Damietta cai, e imediatamente há um confronto entre os poderes seculares e papal pelo controle da cidade. Em 1220, João clama o controle da cidade, mas Pelágio não aceita. Após um ano de inatividade, João retorna à Acre depois de espera por
Captura de Damietta pelos cruzados

reforços que seriam mandados por Frederico II.

Em Julho de 1221, os cruzados decidem marchar para o Cairo, mas a inundação do Nilo causado por al-kamil corta as vias de acesso e o sultão facilmente os cerca obrigando Pelágio a aceitar a paz. Em novembro, Damietta é tomada por al-kamil e os cruzados retornam à Europa. Três anos de campanha no Egito, para nada. O único efeito foi que os cristãos coptas pagaram pelo erro de seus Irmãos ocidentais, tendo várias de suas igrejas fechadas e um aumento brutal nos Impostos. A tolerância do islã aos cristãos, mesmos aos orientais estava acabando.





























 
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