A Quarta cruzada
A Cruzada contra Cristãos (1202-1204)
Com o fracasso da terceira cruzada, em 1198, o papa Inocêncio
III, clamou por uma nova, e como ocorreu com a conclamação
da segunda, foi inicialmente ignorado. O imperador alemão estava
em lutas internas contra o papado e franceses e ingleses estavam novamente
lutando entre si. Mas graça às pregações
de Fulk de Neuilliy, uma nova cruzada foi organizada em um torneiro
na cidade francesa de Ecry. Baseados na idéia que os fracassos
das ultimas cruzadas, se devia a liderança de reis rivais, essa
cruzada seria de príncipes como a primeira, seus lideres seriam
Balduino de Flandres e Bonifácio de Montferrat.
Foi decidido que ao invés de marchar direto para Jerusalém,
a cruzada teria como alvo o Egito. A idéia era destruir a fonte
de poder árabe e assim libertar facilmente a Terra Santa. No
final de 1200 os preparativos estavam prontos e os cruzados se puseram
em marcha.
Em 1201 o exercito cruzado chegou a Veneza, onde o doge Enrico Dandolo,
que tinha se prontificado a transportar as tropas com sua frota e também
munir as tropas de suprimentos além de apoio logístico,
para isso foi cobrado 83 mil marcos de prata. Só que quando chegaram
os cruzados só tinham 56 mil, assim foram reduzidos à
pobreza e sem ter como pagar foram deslocados para a ilha de Lido, onde
ficariam até que os venezianos decidissem o que fazer com eles.
Na verdade os venezianos não queriam uma cruzada ao Egito,
isso ia atrapalhar seu comércio (extremamente lucrativo), com
os árabes.
Assim, Dandolo conseguiu virar a cruzada para seus propósitos,
e convenceu os cruzados a atacarem o porto de Zara, antiga possessão
veneziana, que agora se encontrava em poder dos Húngaros. Mas
como tanto a cidade como os Húngaros eram cristãos (o
rei da Hungria Emeric tinha tomado a cruz e ia se juntar a cruzada),
parte do exercito se recusou e abandonou a cruzadas e alguns padres
e bispos relataram o ocorrido ao papa. Em vão, a cidade foi tomada
e saqueada após um breve cerco. Por isso tanto os venezianos
como os cruzados foram excomungados pelo papa.
Nesse meio tempo chegaram noticias que o Imperador bizantino Isaac
II fôra deposto pelo seu Irmão Alexius III e cegado, seu
filho Alexius Ângelus fugiu e pediu auxilio ao seu cunhado Filipe
da Suabia (primo de Bonifácio de Montferrat). Logo foi proposto
por Alexius ajuda para que ele recuperasse o trono em troca de pagamento.
Ora Bizâncio nunca foi vista com bons olhos pelos ocidentais que
a culpavam pelos desastres das ultimas cruzadas, e como na época
da terceira cruzada o Imperador bizantino tinha se aliado a Saladino
os ortodoxos eram vistos como traidores da cristandade. Então
a subida ao trono de um imperador simpático aos cristãos
ocidentais e as recompensas prometidas, convenceram os cruzados a marchar
rumo a Constantinopla.
Em 1203 o exercito chegou em Constantinopla para a supressa de Alexius
Ângelus, a população preferiu apoiar o usurpador
a um imperador que pedia ajuda aos odiados latinos. Assim foi decidido
atacar a cidade. Logo no inicio Alexius III fugiu com os tesouro da
cidade e esta se rendeu sem luta e Ângelus subiu ao trono como
Alexius IV com seu pai como co-imperador, mas como faltava dinheiro
e os cruzados exigiam seu pagamento o novo imperador foi obrigado a
aumentar os impostos, o que gerou revolta na população,
pouco depois Alexius Murzúfulo primo distante de Alexius IV,
tomou o poder, assassinou o imperador, e prendeu Isaac II.
Os cruzados ao saberem da noticia e, incentivados pelos venezianos,
resolveram tomar a cidade e instalar nela um “Imperador Latino”
as tropas bizantinas apesar de mais numerosas eram menos treinadas,
estavam abaladas moralmente com as súbitas mudanças de
liderança e, mesmo a lendária e leal guarda Varangiana
do Imperador pouco pôde fazer para evitar o desastre.
Apesar das fortes muralhas e da sangrenta resistência dos varagianos,
os cruzados aproveitando-se de uma brecha nas muralhas e com os venezianos
atacando por mar tomaram a cidade, Alexius V fugiu com parte do tesouro,
e o que se seguiu é considerado um dos maiores crimes cometidos
em nome de Cristo: o saque de Constantinopla. Durante três dias
a cidade foi saqueada, casas queimadas, estátuas, mosaicos e
todas as riqueza guardadas durante nove séculos roubadas ou destruídas.
A população foi massacrada, violentada, pilhada até
a imensa e linda cidade ficar de joelhos. Foi terrível, “mesmos
os sarracenos teriam sido mais misericordiosos” clamou com razão
o historiador grego Nicetas.
Após o massacre os cruzados elegeram Balduíno de Flandres
como o imperado latino do Oriente e Bonifácio, após atacar
a região da Grécia rei da Thessalonia, vassalo do imperador.
Depois do saque parte, dos cruzados voltaram à suas terras.
E alguns preferiam ficar nos novos domínios. O Papa inicialmente
ofendido com o ataque recebeu bem as noticias da criação
do novo império que trouxe “os hereges ortodoxos de volta
a esfera de Roma”.
Mas eles iriam se arrepender: a destruição de Bizâncio
acabou se voltando contra os cruzados, pois o império Latino
só ocupava a Trácia e norte da Thessalonia. O antigo império
se fragmentou os sucessores se exilaram em Nicéia, de onde em
1261 reconquistariam Constantinopla e destruiriam o Império Latino.
Mas nunca iam se recuperar do golpe e em 1453, o Império caiu
definitivamente com a queda de Constantinopla aos Turcos. E se hoje
Constantinopla se chama Istambul, e nas cúpulas e torres de Hagia
Sophia há a crescente em vez da cruz, deve-se aos cruzados de
1204 e seus horríveis feitos.
E para Outremer significou o fim de uma potencia que servia de escudo
e base sem Bizâncio a rota terrestre estava definitivamente fechada,
e nunca mais um exercito viria do norte para ajudar.
Até hoje a relação entre a Igreja Ortodoxa e a
Romana está azedada, embora o papa João Paulo II tenha
pedido oficialmente perdão pela quarta cruzada.