Ainda
que as ruas e becos estreitos do núcleo urbano
da cidade remetam ao traçado irregular que
caracteriza outras cidades da época, Diamantina
apresenta algumas características urbanas particulares.
Nota-se, por exemplo, a ausência de praças
e grandes prédios públicos. A arquitetura
das igrejas diamantinas também é diferente
da encontrada em outras cidades históricas,
Ao invés das rebuscadas formas que caracterizam
o barroco, seu estilo marcante é mais simples
e elegante. Em geral estas igrejas foram construídas
em meio às casas, numa posição
que não valoriza sua amplitude arquitetônica
e reduz seu papel de referência social para
a cidade.
As contruções históricas revelam
hábitos da sociedade diamantinense ao longo
dos anos.
A
Casa da Glória
Integrada
por duas edificações do século
XVIII e XIX, indica em suas formas a rígida
moral da época e as referencias europeias dos
habitantes. As duas edificações estão
unidas por um passadiço, uma especie de ponte
construida pelo arquiteto ingles Jonh Rose, sob inspiração
da ponte dos suspiros em Veneza.
Em 1818, esta construção tornou-se sede
da antiga Casa de Intendentes e Contratadores, responsável
pela exploração de diamantes na região.
Em 1864, passou a abrigar o 1º Bispado de Diamantina
e foi residência do primeiro bispo da cidade.
Foi cedido às irmãs de São Vicente
de Paulo em 1867, quando sediou um educandário
e orfanato. No início do século XIX,
utilizando foi construído o Passadiço,
que é hoje um dos grandes símbolos de
Diamantina.
O
nome da construção homenageia uma de
suas antigas proprietárias, D. Josefa Maria
da Glória. Atualmente abriga o Centro de Geologia
Eschwege, mantido em parceria com a UFMG, o Espaço
Cultural e o Memorial Casa da Glória, o Centro
de Referência em Cartografia Histórica
e o Centro de Pesquisa e Aplicações
em Planejamento do Turismo.
A
casa do Muxarabiê
Segunda
metade do século XVIII, com sacadas de treliças
que permitem a observação privilegiada
dos acontecimentos.
Foi erguida na segunda metade do século XVIII,
este sobrado é o único da cidade com
um muxarabiê, sacadas de treliças que
permitem a observação privilegiada dos
acontecimentos, um detalhe arquitetônico de
influência árabe. Sua função
era permitir que as pessoas observassem a movimentação
nas ruas sem serem notadas pelos transeuntes.
Restaurado na década de 1950, atualmente abriga
a Biblioteca Pública Antônio Torres,
em homenagem ao escritor e jornalista nascido na cidade.
Casa
de Chica da Silva
O
solar 266 da praça Lobo mesquita mostra como
viveu em extarvagância Chica da Silva. Nesta
casa morou, entre 1763 e 1771, o contratador João
Fernandes de Oliveira em companhia de sua amante,
a ex-escrava Chica da Silva. Em 1771 foi construída
na lateral da casa uma pequena capela para uso exclusivo
de Chica. Demolida em data desconhecida, teve apenas
sua fachada reconstruída em 1951. Atualmente
abriga a sede da 16ª sub-regional do IPHAN.
Casa
do Padre Rolim (Museu Do Diamante)
Aqui morou José de Oliveira Silva e Rolim,
ou padre Rolim, um dos principais articuladores da
Inconfidência Mineira. Após ser preso
e enviado para Portugal, teve a casa confiscada pela
Fazenda Real, que a leiloou em praça pública.
A
construção pertenceu a particulares
até 1945, quando foi readquirida pelo Estado
e transformada no Museu do Diamante. Lá estão
expostas peças ligadas ao ciclo de exploração
do diamante e objetos de arte sacra, como oratórios
dos séc. XVII e XVIII.
Em
1983, o Museu foi invadido e as peças roubadas,
entre elas uma preciosa coroa de ouro, e jamais foram
encontradas.
A
casa tem um grande terreno nos fundos e uma fachada
lateral de influência árabe
Mercado
dos Tropeiros
Construído
em 1835 por Joaquim Cassimiro Lages, tem elementos
mouros, e foi abrigo de tropeiros.
Servia como ponto de descarregamento e venda de mercadorias
entre os comerciantes e mineradores que passavam pela
cidade. Os tropeiros amarravam seus cavalos nas estacas
de madeira localizadas no pátio externo do
mercado.
Com exceção da fachada lateral esquerda,
que é fechada e construída em alvenaria,
todo o restante do prédio foi feito em madeira
aberto em arcos em suas laterais.
Atualmente o mercado sedia, aos sábados, uma
movimentada feira de comidas e artesanato.
Casa
de Juscelino Kubitschek
Esta é uma casa modesta, construída
de pau-a-pique, típica do século XVIII.
Lá o ex-presidente da República Juscelino
Kubistschek passou sua infância.
Após sua morte a casa foi transformada em um
museu que expõe fotografias, textos e até
violões usados nas serestas que ele participava.
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