Tiradentes
foi fundada em 1702, quando os paulistas descobriram
ouro nas encostas da Serra São José,
dando origem a um arraial batizado com o nome de Santo
Antônio do Rio das Mortes. O arraial posteriormente,
passou a ser conhecido como Arraial Velho, para diferenciá-lo
do Arraial Novo do Rio das Mortes, a atual São
João Del Rei.
Também era conhecido como Arraial da Ponta
do Morro. Em 1718 o arraial foi elevado a vila, com
o nome de Vila de São José, em homenagem
ao Príncipe D. José, futuro rei de Portugal,
passando em 1860, à categoria de cidade. Durante
todo o século XVIII, a Vila São José
viveu da exploração de ouro e foi um
dos importantes centros produtores de Minas Gerais.
No mesmo século viveram na Vila o Padre Toledo,
o Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes
e o pintor Manuel Vitor de Jesus.
O ouro dura poucas décadas e a Vila de São
José praticamente para no tempo. No século
XIX, os moradores da Vila de São José
voltam-se para a agricultura e a pecuária,
vendendo carne de porco, boi e carneiro para algumas
localidades de Minas e, também, para o Rio
de Janeiro. Em 1831a participação da
mão-de-obra feminina na economia local é
expressiva, especialmente no ramo da fiação
e tecelagem. Em 1864 a localidade chega a possuir
cerca de 70 teares, conta com 108 fiadeiras e tecedeiras,
além de 44 costureiras, e a produção
atinge cerca de 30.000 varas de pano. No entanto,
a atividade não chega a alcançar proporções
industriais.
Sem grandes alternativas econômicas, São
José del-Rei, elevada à categoria de
cidade em 1860, pouco se modifica. Sua integridade
patrimonial e paisagística assegura-lhe um
dos perfis coloniais mais autênticos de Minas
Gerais e do Brasil.
No fim do século XIX os republicanos redescobrem
a esquecida terra de Tiradentes e fazem uma visita
cívica à casa do vigário Toledo,
onde se teria tramado a Inconfidência Mineira.
Mas foi Silva Jardim que, de passagem por São
José, sugere em seu discurso que o nome da
cidade fosse trocado para o do herói, em lugar
de um rei Português. Com a proclamação
da república, por decreto do governo provisório
do estado, datado de 06 de dezembro de 1889, recebe
a cidade o atual nome de Tiradentes. Dessa época
em diante, a cidade experimenta certo ritmo de expansão
comercial com a implementação do ramal
ferroviário da Estrada de Ferro Oeste-Minas
e, mais tarde, do sistema rodoviário.
Após longos anos de esquecimento, os modernistas
visitam a cidade em 1924 e se inspiram na cidade.
Pouco tempo depois em 1938, o conjunto arquitetônico
da cidade foi tombado pelo então Instituto
do Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional (IPHAN). A cidade se mantém conservada,
quase intacta, tendo muitas casas térreas e
sobrados com suas "eiras e beiras", além
do magnífico Chafariz de São José
, a Matriz de Santo Antônio, uma das mais ricas
de Minas e as capelas de São João Evangelista,
Nossa Senhora do Rosário, São Francisco
de Paula, Bom Jesus da Pobreza, Nossa Senhora das
Mercês e Santo Antônio da Canjica, além
de passos da paixão com pinturas rococó
em seu interior espalhados pelo centro histórico
como também áreas de seu entorno paisagístico,
especialmente a imponente Serra de São José
com agradáveis cachoeiras e vegetação
remanescente da Mata Atlântica.
Hoje, uma das importantes fontes de renda da cidade
é o turismo, mantido graças ao grande
interesse por seu conjunto arquitetônico colonial,
quase inalterado que serve de cenário para
gravação de filmes, séries e
novelas, além de seus festivais tradicionais
como o Festival Nacional de Cinema e o Festival Internacional
de Gastronomia.
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