Para refletir:
Seria
possível prever a evolução da população de uma espécie animal?
Daria para prever sua extinção ou a estagnação em um determinado
número de indivíduos? Estas questões preocupam tanto biólogos
quanto economistas há vários séculos e desde então muitos
modelos matemáticos foram criados para tentar respondê-las.
O modelo criado por Robert May, o Mapa Logístico,
apresenta comportamento periódico
para determinados parâmetros e caótico
para outros.
Vamos
ver como isso é possível?
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Teoria:
Uma das
primeiras tentativas de prever o futuro de uma população
animal a causar grandes polêmicas foi o modelo Malthusiano,
de 1798. Thomas Robert Malthus (1766-1834), economista e demógrafo
britânico elaborou um modelo linear onde
o total da população dependia exclusivamente das taxas de
natalidade (A), de mortalidade (B) e do número
de indivíduos (N). A expressão matemática para este
modelo é:
que
é uma progressão geométrica.
Em
1845 Pierre François Verhulst (1804-1849), matemático belga,
propôs um modelo não linear onde a mortalidade
seria proporcional ao quadrado do número de indivíduos. Este
modelo pode ser expresso pela equação diferencial:
onde N
é o número de indivíduos, A é a taxa de nascimentos
e B a taxa de mortalidade. |
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Dedução
matemática:
O modelo
de Verhulst foi retomado em 1976 por Robert May, porém, não
em sua forma diferencial, mas em forma de mapa, onde cada
valor é obtido a partir do valor anterior:
N1 = AN0 – B N02
N2 = AN1 – BN12
.
. .
Nn+1 = ANn – BNn2
(1)
O maior valor
positivo de N será no limite onde a população será extinta.
Nmáx
= 0 ou Nmáx = A/B
Dividindo (1)
por esse valor:
Chamando
de x a razão:
Temos:
xn+1 = Axn – Bxn2.A/B
Fazendo:
A = μ
Chegamos
à expressão do Mapa Logístico:
xn+1=μxn(1–
xn) (2)
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A
equação (2), conhecida como mapa logístico, onde os
valores de x representam porcentagens da população
ao longo do tempo, é uma equação determinística: sua
situação futura será determinada pelas condições presentes.
O comportamento desse sistema pode ser periódico
ou caótico, dependendo do valor de
µ (Figura 1). O que chamou a atenção de
May foi que para certos valores de µ o comportamento
futuro desse mapa perde a regularidade e passa a ser altamente
sensível às condições iniciais.
Na condição
em que o comportamento do mapa logístico é periódico é fácil
prever as condições futuras, pois obedecem a uma certa
regularidade que, a longo prazo, se estabiliza na forma de
um atrator. Mas, quando acontece o regime
caótico, quaisquer variações nas condições presentes (condições
iniciais) provoca grandes variações nas condições futuras.
Como na prática é muito difícil definir com exatidão as condições
iniciais, esse comportamento acaba comprometendo a previsibilidade
do sistema: apesar de determinístico, torna-se imprevisível.
O atrator perde qualquer regularidade, por isso é denominado
atrator estranho. Veja um exemplo na seção Prática
A.
A melhor
maneira de observar a transição para o comportamento caótico
é traçando o conjunto de atratores do mapa logístico para diferentes
valores de μ. Esta transição para o caos é conhecida
como rota de duplicação de período. As duplicações ocorrem
nos pontos de bifurcação. Bifurcação é um ponto onde
há perda de estabilidade do atrator. Veja um exemplo na seção
Prática B. |
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Prática
A:
Iteração
do mapa logístico com o programa mapalog1.f
no intuito de observar o atrator para diferentes valores de
μ.
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Conclusão
A:
Atrator
é o ponto ou região para onde evolui o sistema quando
o número de iterações tende a infinito. A fase que antecede
o aparecimento do atrator é chamada de transiente
(aproximadamente até as primeiras 50 iterações
do gráfico da Figura 1a e as primeiras 90 iterações
do gráfico da Figura 1b). Na Figura 1 observamos três
tipos diferentes de atratores para o mapa logístico: (a) atrator
tipo ponto fixo, quando o sistema evolui para
um único ponto; (b) atrator tipo duplo ciclo,
quando se estabiliza numa repetição de dois pontos e (c) atrator
estranho, quando não há um padrão de repetição.
O mapa logístico apresenta ainda vários outros
tipos de atrator, entre o ponto fixo e o estranho. Basta observar
as bifurcações no exemplo da Prática B
para se ter uma idéia. |
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| Prática B:
Construção
do diagrama do mapa logístico a partir do programa mapalog2.f
para observar a rota de duplicação de período.
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Figura
2
- Diagrama do mapa logístico |
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| Conclusão
B: Alterar
os parâmetros de um sistema dinâmico (no caso,
o parâmetro μ), equivale, na prática, a
construir vários sistemas dinâmicos diferentes,
que obedecem a uma mesma relação matemática
entre suas variáveis.
Neste diagrama estão representados apenas os pontos
referentes aos atratores dos mapas logísticos, para
diferentes valores de μ. Não estão representados
os pontos do transiente!
Vemos que o atrator foi ficando cada vez mais complicado:
para os valores de μ entre 2,0 e aproximadamente 2,9
é do tipo ponto fixo, na primeira bifurcação,
acima de 3,0, é duplo ciclo até aproximadamente
3,4, onde já passam a ser 4 pontos de repetição,
depois 8 e assim por diante... A cada bifurcação
ocorre uma duplicação de período
até o sistema entrar em regime caótico. Por
isso essa rota para o Caos ficou conhecida
como rota de duplicação de período.
Notamos também a existência de áreas claras na região onde
estaria ocorrendo o comportamento caótico. Nessas "janelas"
o mapa logístico volta a ter comportamento periódico! |
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