Aula 3 - Pêndulo Amortecido
Forçado
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Para refletir:
Vimos, na Aula 1, que o mapa logístico pode
apresentar comportamentos diferentes modificando-se o valor
do parâmetro µ. Será que outros sistemas, “bem comportados”
para determinados parâmetros, podem se tornar caóticos para
outros? É o que veremos acontecer com o pêndulo
amortecido forçado.
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Teoria:
A
evolução temporal de um sistema dinâmico dissipativo apresenta
um atrator: trajetória típica da evolução de um sistema
dinâmico para um conjunto definido de parâmetros. Um exemplo
bem evidente de sistema dissipativo é o pêndulo amortecido,
estudado na Aula 2. Naquele caso, o atrator é do tipo
ponto fixo: qualquer conjunto de condições iniciais
leva o sistema a um único ponto no espaço de fase.
No
entanto, um sistema dissipativo pode ser alimentado pela ação
de uma força externa que lhe reponha a energia. Nesse caso,
o atrator não será necessariamente um ponto fixo. Um movimento
com essas características poderá ter um comportamento periódico,
quase-periódico ou caótico.
Se o comportamento for periódico, poderá apresentar
um atrator do tipo ciclo limite. O comportamento
quase-periódico determina outros tipos de atratores. Para
certos parâmetros poderá ter comportamento caótico, cujo atrator
é do tipo estranho.
É o que
acontece com o Pêndulo Amortecido Forçado (PAF).
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Dedução
matemática:
Introduzindo
ao pêndulo amortecido o torque de uma força periódica
, com
, onde ωD
é a freqüência angular de forçamento, a segunda lei de Newton
para rotação deste movimento torna-se:
Que pode ser
expressa pela equação adimensional:
ou
onde g é
o parâmetro de forçamento e não pode ser confundido com a
aceleração da gravidade. Em termos de equações de primeira
ordem teremos, necessariamente, um sistema de três equações
nas variáveis relevantes
,
e
:
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Trata-se de
um sistema tridimensional. A existência de fatores com seno
e cosseno torna o sistema não-linear. Por
apresentar essas duas características, esse sistema pode apresentar
comportamento periódico ou caótico.
O
comportamento periódico, com atrator do tipo ciclo limite,
é atingido após um intervalo irregular, chamado transiente.
Veja um exemplo na seção Prática A.
O comportamento
caótico é caracterizado pela grande sensibilidade às condições
iniciais. O atrator não manifesta nenhuma regularidade: é
estranho. Veja o exemplo na seção Prática B.
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Prática
A:
Observar o transiente e o atrator do tipo ciclo
limite com o programa pendulo1.f.
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Figura
5
- Comportamento do Pêndulo Amortecido Forçado com ωd
= 0,4; g = 0,5; q = 2,0; ilustrando o transiente
do atrator tipo ciclo-limite para dois valores da posição
inicial: (a) θ0 = – 0,1; ω0
= 0,04; (b) θ0 = 0,2;
ω0 = 0,04. |
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Conclusão
A:
Mesmo
partindo de posições iniciais diferentes (Figura 5 (a) e (b)),
com transientes diferentes, o sistema se estabiliza no ciclo
limite, que é o atrator do sistema para estes parâmetros
(ωd = 0,4, g = 0,5 e q = 2,0). Neste caso,
o comportamento do sistema é periódico.
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Prática
B:
Observar
a sensibilidade às condições iniciais do PAF, em comportamento
caótico, com o programa pendulo2.f.
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Figura
6
- Comportamento do pêndulo amortecido forçado com ωd
= 2/3, g = 1,5 e q = 4,0. Dois pontos inicialmente
muito próximos se distanciam rapidamente: (a) θ0
= - 0,6, ω0 = 0,5 e (b) θ0
= - 0,6, ω0 = 0,7. |
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Conclusão
B:
O PAF
pode apresentar comportamento caótico, com atrator estranho.
Para certos parâmetros o comportamento dinâmico do PAF não
se estabiliza num ciclo limite: a trajetória no espaço de
fase, que é tridimensional, nunca se cruza. Em regime caótico
o PAF apresenta grande sensibilidade às condições
iniciais: pontos inicialmente próximos (Figura 6
(a) e (b)) se afastam rapidamente. Essas características se
aplicam a todos os sistemas com comportamento caótico.
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