O Barroco no Brasil - 9

        A religião católica, presente no barroco, teve campo livre para a sua expansão, que foi imensa e dominante, sem heresias ou discordâncias. As construções religiosas predominaram totalmente sobre as construções civis, bastando lembrar o grande número de igrejas que proliferaram numa competição pela melhor, a maior e a mais rica. Por isso o barroco, sendo um estilo que presidia a todas as manifestações artísticas da época, teve um campo imenso à sua frente, onde proliferou e dominou totalmente.
        A escravidão nasceu com o próprio Descobrimento. Os primeiros escravos foram os ingênuos selvagens que, a pretexto da catequese para a salvação de suas almas, foram aprisionados, sendo-lhes imposto o seguirem os usos de costu-mes dos colonizadores como servos, criados para todo o serviço braçal, sem maiores direitos.
        Enquanto o selvagem foi escravo atuou na lavoura, na pecuária e na vida doméstica. Mas, rebelde, jamais se adaptou à vida reclusa e ordenada. Ao cativeiro opunha-se a força incoercível da natureza, atraindo-se para a liberdade sem limitações.
        A escravidão negra foi a que realmente resolveu o problema da mão-de-obra da colônia. O conceito da época impunha que os brancos administrassem e os escravos trabalhassem. Sem o trabalho escravo, por certo o ritmo da coloni-zação da América teria sido bem mais lento. O negro adaptou-se ao trabalho imposto pela chibata, adquiriu rapidamente os costumes que lhe eram incul-cados, suportou muito bem o clima brasileiro e tinha grande resistência. Ao contrário do índio, que morria com facilidade, contaminado pelas doenças infecciosas, a simples gripe ou o sarampo, o negro tinha seu maior inimigo na bexiga, que fazia entre eles terrível razia.
        O protesto do negro era também enérgico, mas o poder do sofrimento imposto pelos castigos corporais superava, via de regra, sua obstinação, tornando-o dócil e conformado: sem dúvida o negro, e sobretudo o produto do cruzamento com o branco, o mulato, assimilaram rapidamente as aptidões artesanais que lhes eram ensinadas, tornando-se hábeis artistas que tomaram a seu cargo o desenvolvimento das complicadas decorações barrocas do interior da igrejas.
        A raça negra, mais evoluída que a indígena, com a sua cultura milenar na África, soube adaptar-se às condições do cativeiro, e por essa adaptação, sobre-viveu, proliferou e absorveu os conhecimentos da raça branca, fundindo-se com ela.
        Numerosos foram os artistas coloniais mulatos, bastando lembrar Aleija-dinho na escultura, Ataíde na pintura e Lobo de Mesquita na música, todos do fim do século XVIII. Milhares teriam sido simples artesãos-escravos algudados - no serviço de cantaria, talha, ouriversaria, douração, sem falar nos ofícios de pedreiro, carpinteiro, marceneiro, etc. Este contigente de mão-de-obra especiali-zada, ainda que escrava, foi o responsável pela proliferação de tantas construções barrocas no nosso período colonial.

Página:  1 / 2 / 3 / 4 / 5 / 6 / 7 / 8 / 9 / 10

<<Principal>>

Hosted by www.Geocities.ws

1