CULTURA

VAMPIROS

VLADESMOURE

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Drácula foi publicado em 1897, quando a Inglaterra se encontrava mergulhada em plena era vitoriana, época de muita hipocrisia moral. Os escritores de então oscilavam entre o cavalheiresco socialmente aceitável e os excessos românticos. Muito influenciadas elas lendas rurais, as obras continham comumente características diretamente ligadas às crendices populares, apesar do avanço material racional e científico da época. O irlandês Bram Stoker começou a escrever o clássico livro como um típico romance gótico. No século XVIII, a literatura gótica era marcada pela presença de anti-heróis, que tornavam mais complexa a distinção em ter o bem e o mal, gerando novos personagens mais sexualizados e psicologicamente afetados. Personagens como monges sinistros, nobres amaldiçoados, mortos injustiçados e vingativos, freiras no cio e, principalmente, vampiros. O vampiro era uma lenda rural; camponeses imundos que saiam de suas covas para beber o sangue de seus semelhantes. No conto " O Vampiro ", de John William Polidori, o autor brinda o leitor com o primeiro vampiro aristocrata da literatura, Lord Ruthwen. Foi então que o vampiro mesclou-se à figura do vilão gótico. A maioria dos escritores góticos da época ambientava seus personagens em regiões menos adiantadas economicamente que a Inglaterra. Stoker optou pela Transilvânia para descrever a terra de origem de seu personagem. Porem, já a partir do quarto capitulo do livro, o cenário passa ser a Londres vitoriana. Stoker, influenciado pelo personagem aristocrático de Polidori e pelo enredo de " Carmilla ", de Sheridan Lefanu, criou um dos mais integrantes personagens da literatura mundial e um dos mitos mais disseminados e estudados do século XX. Drácula foi para o teatro e, posteriormente, já no inicio do século XX para o cinema. Em 1932, Tod Browning filmou Drácula com o húngaro Bela Lugosi no papel do conde vampiro. Lugosi, que já havia interpretado o papel durante anos no teatro, tornou-se um Drácula histórico, incapaz até mesmo de separar sua vida privada do personagem. Era confundindo nas ruas com o próprio conde e assediado por mulheres encantadas com o erotismo profundo do conde Drácula. Em 1958, a produtora inglesa Hammer adquiriu os direitos para produzir um novo filme contando a vida do vampiro. Para dar credibilidade ao projeto, escalou um cast teatral, encabeçado por Peter Cushing e Christopher Lee, que viveria por mais de uma década o personagem de Stoker. Muitos críticos consideram Christopher Lee o mais perfeito intérprete da obra de Bram Stoker. Na verdade, o porte físico e o olhar sinistro do ator contribuíram por serem muito semelhantes aos narrados por Stoker no livro, a partir do quarto capítulo. A Hammer produziria ainda mais quatro filmes com o personagem, cada vez mais afastando-o de suas características literárias, mas sempre com sucesso de bilheteria garantido. Com o destaque natural da formula vampiro-sangue-erotismo, em 1974 foi dirigido por Paul Anderson a paródia " Blood for Drácula ", onde o autor Udo Kier interpreta um Drácula andrógino, que só e capaz de beber sangue de mulheres virgens. Mais tarde, explorando o mesmo tema, seria produzido o desenho animado Don Drácula. Outro fato histórico no cinema seria a super-produção dirigida por Francis Ford Copolla, Dracula de Bram Stoker, e estrelada por Gary Oldman, Winona Rider e Keanu Reeves, em 1997. Tentando ser fiel ao livro de Stoker, o filme deu ao personagem fôlego para conquistar as novas gerações, explorando ao extremo os efeitos visuais que só o cinema mederno conseguiria produzir.

Drácula também foi adaptado para os quadrinhos e o personagem influenciaria milhares de personagens da moderna literatura de horror, tornando-se mais polular que a própria lenda vampírica.

Carregado de fatalidade e luxúria, Stoker fez do vampiro em seu livro um mito ainda mais controverso e fascinante.               

 

  

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