Crônicas de Lustosa da Costa
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OS POBRES DE PARIS
Tenho um conhecido, muito pão duro, que não dá esmolas sob o pretexto de não atrasar a Revolução. Não tou nessa. Mais modesto, prefiro resolver, quando posso, o problema imediato do mendigo que esperar tão laborioso parto da História. (continua) |
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MORDOMIA, UMA TRADIÇÃO FRANCESA Apesar do fervor da mídia, mordomia, entre nós, é pinto. Café pequeno, como se dizia antigamente. Falta-nos tradição aristocrática, que se alicerça na monarquia absoluta. Na república, na democracia tem sempre alguém querendo estragar o prazer dos outros . E pior, conseguindo. Voltemos, porém, ao Brasil. (continua) |
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É sensação, no mínimo, inédita pra brasileiro graças a Deus, essa de saber que o Boulevard Saint Michel em que você tanto gosta de passear, foi cenário de atentado terrorista. De volta pra casa, em meio ao engarrafamento do trânsito, você vem com o coração na mão, preocupado com os filhos em que ali estudam por perto onde o cara fez explodir a bomba. Felizmente, o trem é da banlieue que eles não têm razão de tomar. O horário já não é mais escolar. Apesar disso, você vive um alívio muito grande, ao encontrá-los em casa e em paz, longe dos artefatos assassinos. (continua) |
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"Ontem foi-se. Amanhã vem apressado. Hoje parte, sem parar num assunto: Sou um foi, um será e um é cansado. No hoje, no amanhã, no ontem, junto mortalha e fraldas, sendo assim forçado a sucessões presentes de defunto" (Quevedo)
Há certo gosto em observar a arcana areia que resvala e que declina e, a ponto de cair, se apinha com uma pessoa que é toda humana. (Jorge Luís Borges, O Relógio de Areia) (continua) |
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Minha amiga, a garrafa
Um dia desses, Paulo José, ao se servir de uísque, lá em casa, se deteve, observando o copo em que servi, que é baixo, sólido e amplo: "isto é que é gostar de beber e de dar de beber". (continua) |
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Morri e não sabia Quando vou entrar no novo restaurante de comidas do Mediterrâneo, "Abajour da Adi", um conhecido que degusta seu cachimbo na calçada para não perturbar os outros fregueses, me cumprimenta e como há muito não me vê, me dá pêsames pelo" falecimento do nosso querido Lustosa da Costa na Europa . (continua) |
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VIVENDO NA SAUDADE (OU JÁ FUI BOM NISSO) O bilhete Brasília-Roma me sai por CR$ 26 mil, 1 mil 187 dólares. Como sempre, desço primeiro em Lisboa, para ir chegando à Europa, aos poucos. Naquele chão de meu bemquerer, arrancho-me no Tivoli Jardim. A diária de casal custa 1 mil 900 escudos, mais ou menos 40 dólares pois a "verdinha", a "alface" está valendo 47 escudos. (continua) |
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COMO SÃO SÁBIOS OS VENDEDORES DE RAPADURA ! Quando me pediram para falar de 1994, só pude dizer que o acontecimento mais triste deste e de outros anos, se passou no âmbito familiar: foi a partida de meu pai. (continua) |
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