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Paranormalidade e Maçonaria 2

Irm. Hércule Spoladore



Conforme frisamos em nosso artigo anterior, abordaremos os casos apresentados à luz da Parapsicologia científica seguindo a linha do americano J. B. Rhine, grande estudioso do assunto, que durante toda a sua vida pesquisou os fenômenos paranormais na Universidade de Duke em laboratórios dedicados a este tipo de experiência, realizados sempre de forma científica.

Ele conduzia suas experiências com total rigor, sob controle total, para evitar que os resultados fossem alterados pelas tendências pessoais dos observadores e pesquisadores.

Assim sendo, quando nos propusemos a falar do assunto com relação à Maçonaria, inicalmente temos que afirmar que a Maçonaria nada tem a ver com a Paranormalidade, mas como existem Maçons paranormais, há que definir bem os fenômenos, não confundindo-os como sendo coisas da própria Ordem.

Os fenômenos paranormais podem acontecer em qualquer lugar.

Com a devida autorização para publicação do Irmão que nos enviou a carta, estamos aqui transcrevendo-a e comentando-a.

 
"Brazilandia, 24 de junho de 1986.
Caro Irmão Hércule Spoladore,
Gostaríamos de lhe relatar um acontecimento belo e insólito ocorrido com o nosso Ir\ Gerson Neves Pinto, pertencente ao quadro de nossa Loja, a União e Concórdia 2337 no Or\ de Brazilandia - D. F..
Por ocasião da reforma que fizemos em nossa Loja, no ano de 1985, resolvemos por unanimidade em Sessão Ritualística, que trocaríamos a corda de 81 nós por uma nova. E assim foi feito.
A corda velha foi dada ao nosso Ir\ Gerson que a pediu para esticar num varal de roupas no quintal de sua casa.
Depois de alguns dias o Ir\ Gerson contou-me o seguinte fato: ele levou para sua casa a corda com os 81 nós atados e a deixou guardada num armário.
Certo dia, quando ele foi busca-la para esticar no varal, ficou surpreso pois a mesma não apresentava nenhum nó, estavam todos desfeitos, sem nenhuma intervenção da mão humana. Intrigado ele a guardou novamente.
Depois de alguns dias foi verificar e encontrou-a com os 81 nós atados novamente.
Mais intrigado ainda ele resolveu não mais mexer na corda e a mesma encontra-se guardada no mesmo lugar como um importante souvenir paranormal.
Se o Ir\ achar este relato importante, divulgue-o.
Um T\ e F\ Abr\
Carlos Pereira das Graças 10o Gr\
Secretário da Loja União e Concórdia 2337
 

Comentários:

A Parapsicologia Moderna e científica procura comprovar os fenômenos, esperar a sua repetição, para em seguida cataloga-los e estuda-los cientificamente, inclusive com aparelhagem sofisticada.

Se o fenômeno relatado pelo Irmão que nos escreveu, fosse estudado por um parapsicólogo, teria problemas de comprovação, pois o Irmão Gerson não procurou comprova-lo, ou seja, verificar várias vezes se o fenômeno dos nós desfeitos se repetia, e também não solicitou mais alguns Irmãos para a comprovação do fenômeno referido.

Entretanto, se tudo ocorreu conforme esta escrito, o fenômeno se enquadra na faculdade chamada psicocinésia, ou seja, houve influência da mente do Irmão sobre a matéria (corda de nós).

Alguém poderia também alegar que o Irmão sentindo-se culpado inconscientemente em usar um símbolo até certo ponto sagrado para os Maçons como varal, tivesse tido uma alucinação visual, sendo portanto um fenômeno subjetivo.

Já que este tema é pouco usual na Maçonaria, possivelmente por ser considerado "tabu", gostaríamos de raciocinar com os leitores pelo lado fantástico e pela ficção. Certa feita, em diálogo com um gnóstico (adepto da doutrina de Samuel Ben Veor), contamos ao mesmo o fato da corda de nós que se desfez. Ele, dentro de suas convicções nos disse que este fato era perfeitamente possível, alegando que o gnosticismo atual respeita muito a Maçonaria pelo que ela realizou no passado quando ela era mágica. Ainda conceituou que os Maçons possuem até hoje símbolos poderosos dentro de seus Templos, só, que já não tem mais a noção deste fato porque a Maçonaria materializou-se perdendo todo aquele poder místico de outrora.

Com relação a esta afirmação este Senhor ao nosso ver está absolutamente correto. Realmente temos símbolos poderosos em nossos Templos e quanto ao fato de termos nos materializado no sentido de consumismo, festas, politicagem interna nas Lojas, não se tem a menor dúvida. Estamos há muito tempo, esquecendo a parte bela, mistica, ritualística e espiritual da Ordem.

Entretanto com relação à Maçonaria mágica, esta apenas foi constituída por um número muito pequeno de Lojas, no Século XVIII, de valor maçônico discutível. Temos o caso de Schroepfer (não confundir com Schroeder) que fundou uma Loja que tinha por objetivo colocar seus adeptos em relação com os anjos infernais e as potências celestes. "Ele semeou o terror em Berlim e em toda a Prússia predizendo por meio de fantasmas, a morte próxima de alguns grandes personagens, morte que se realizava sempre...". Foi proibido pela Rainha da Prússia de realizar seus presságios. Acabou se suicidando, com um tiro na cabeça.

Outro "Maçom Mágico" foi o Conde de Cagliostro ou também conhecido como José Bálsamo, considerado por alguns como mago e por outros como um grande charlatão. Ele fundou a Loja Mãe do Rito Egípcio onde assumiu a título de Grande Copta. Seu rito era composto de três graus, onde através de médiuns, que eram geralmente rapazes (pupilos) e moças (pombas), praticava a magia caracterizada por predições, aparições, curas, etc..

Talvez fosse deste tipo de Maçonaria, que infelizmente aconteceu, que o gnóstico nos falava. Mas, mesmo nos obscuros séculos XVIII e XIX esta Maçonaria não foi nem tradicional e nem a predominante. Estes ritos mágicos desapareceram com seus autores e tiveram poucos adeptos. mesmo no seu tempo eram considerados como impuros. Já havia na ocasião a Maçonaria tradicional que hoje conhecemos. Não é esta a Maçonaria mágica que nós professamos.

De qualquer forma, uma corda de nós, quando usada em uma Loja por muito tempo ela adquire um caráter solene, não deve servir de varal. Ela deveria ficar no museu da Loja, como relíquia. . Mas no caso em questão, possivelmente foi mais uma auto punição por parte do Irmão, já que o seu sub consciente o advertiu em forma de provável alucinação visual. Se de fato ocorreu um fato sobre natural (sic) foi a mente do Irmão Gerson que atuou na corda de nós, caracterizando o que se chama em Parapsicologia de psicocinésia.



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