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Paranormalidade e Maçonaria 1

Irm. Hércule Spoladore



Com relação ao tema proposto, é necessário frisar que a Maçonaria nada tem a ver com paranormalidade ou parapsicologia. Entretanto, existem maçons paranormais.

Enquanto a Maçonaria é uma escola filosófica, moral, ética e mística que armazenou a essência de tudo o que houve de melhor no mundo desde as antigas às modernas civilizações e que, através de símbolos e dos seus rituais procura ensinar seus adeptos a melhorarem espiritualmente, ajudando os mesmos na busca incessante do seu EU, investe, ao mesmo tempo, na Fraternidade como meio de união entre os homens. A realização desta conceituação é cognoscível e palpável dentro de uma lógica, ou seja, dentro de uma normalidade.

Já a paranormalidade ou parapsicologia ou outro nome que se queira dar, e de fato existem inúmeros, não tem conotação com a Maçonaria. O fenômeno paranormal verdadeiro não tem regras fixas, não tem hora para ocorrer, não tem controle definido. Por não ter regras fixas, apesar do grande avanço científico dos últimos anos, o seu estudo ainda é empírico.

Os fenômenos paranormais são basicamente quatro, podendo se desdobrarem, ou seja, o indivíduo também chamado sensitivo ou médium possuir duas, três ou quatro destas manifestações. São elas: Clarividência a faculdade de "ver" à distância através da mente. Telepatia, a capacidade de se comunicar à distância por processos mentais. Certas pessoas dotadas destas duas capacidades podem realizar curas. A pré ou retrocognição, ou ainda a premonição ou retromunição é a capacidade de ver, sentir e saber o passado e o futuro. Há uma regra mais ou menos aceita na Parapsicologia que as pessoas com esta faculdade "sabem" num espaço de tempo de cem anos antes ou cem anos depois do fato acontecido. Não entrariam aqui as previsões de Nostradamus e São Malaquias. Estes três tipos de fenômenos são evidenciados apenas com o auxílio da mente em si. A última manifestação chamada Psicocinesia (Psi Kapa) já é diferente, porque a mente poderá influir na matéria, ou seja, com a força da mente, mover-se um objeto.

Estas quatro faculdades são verdadeiros talentos do inconsciente ou, como querem alguns autores, uma abertura maior entre o consciente e o inconsciente.

Qual é então a relação entre estes fenômenos e a Maçonaria e qual a pretensão deste trabalho?

Se baseia simplesmente no fato de muitos maçons serem paranormais e, se certos fenômenos forem evidenciados em uma sessão maçônica, estes não poderão ser confundidos com os nossos princípios e leis, o que, aliás, poderá ocorrer, pois temos muitos Irmãos despreparados para certas situações.

Não podemos negar uma evidência. Muitas Lojas têm pelo menos uma história a respeito de Irmãos paranormais para contar. No entanto, devido aos entrechoques de opiniões e conceitos, os fatos ficam à margem dos balaústres, sem explicações adequadas, sendo tratados como se fossem algo misterioso, sem serem estudados ou explicados.

Mesmo partindo de uma condição para o aparecimento do fenômeno, ou seja, não ter hora para ocorrer, é certo que para que o dotado ou sensitivo tenha seus talentos manifestados, que haja um ambiente mais propício para a sua manifestação. Quando o cérebro está em ondas "alpha", já existem estudos a respeito, há uma facilidade maior para o dotado abrir seu inconsciente.

Se levarmos em conta que numa Loja em Sessão, com o Templo em geral pouco iluminado, onde os Irmãos unidos por uma energia vibrante, harmonizados pelo ritmo do Ritual (se bem executado), ainda com o peso de ser a Maçonaria uma escola mística e de se invocar o G A D U nas Sessões, não resta a menor dúvida que uma Loja é um local ideal para que os Irmãos se relaxem e entrem em ondas "alpha". Se existir entre os Irmãos um ou mais sensitivos, poderá ocorrer uma manifestação de um fenômeno fora do normal, o qual não poderá e não deverá ser confundido com os princípios da Ordem.

A Maçonaria congrega adeptos de várias religiões, cada qual com seus dogmas, suas crenças particulares e conceitos gerais. Estas variações não têm impotância na Ordem desde que o adepto tenha uma crença num ente superior e que creia na imortalidade da alma, exceção ao Rito Moderno, o qual deixa à vontade o Irmão para buscar a sua Verdade e a sua concepção de Deus.

Já a Paranormalidade ou Parapsicologia tem em cada religião seus conceitos próprios com relação aos fenômenos ditos paranormais.

Entre os católicos, não se admite os contatos ou comunicação entre os vivos e os espíritos dos mortos. Para os teólogos do catolicismo, qualquer fenômeno paranormal é inerente ao homem, sendo produto tão somente de sua mente, de sua psique. Entretanto, os católicos admitem o milagre comprovado.

Os espíritas admitem a comunicação entre os vivos e os espíritos dos mortos. Logo, a partir deste fato, eles têm outra concepção a respeito dos fenômenos paranormais. Atualmente, uma série de fenômenos ditos espíritas têm uma explicação científica, sendo, portanto, considerados normais. É claro que, apesar da ciência explicar uma série de fenômenos nestas condições, não abalou o Espiritismo em sua doutrina.

Interessante frizar que hoje em dia temos parapsicólogos da linha católica e da linha espírita, cada qual mantendo seus princípios e tentando explicar os fenômenos à luz de suas concepções.

Com relação aos evangélicos, eles têm o seguinte conceito: as igrejas históricas ou fundamentalistas admitem que qualquer fenômeno paranormal é obra do demônio, dadas as explicações bíblicas. Uma corrente dos fundamentais chamada de Liberais, constituída por uma minoria de adeptos (Teologia da Libertação), baseados na observação dos fatos, mas sem suporte bíblico, admitem fenômenos paranormais como manifestação do folclore, como por exemplo a umbanda, os kardecistas, etc. Também acham que os fenômenos sobrenaturais seriam paranormais ou parapsicológicos. Não aceitam o milagre. Existem Irmãos evangélicos que não participam da Cadeia da União.

Gostaríamos de fazer uma distinção com relação à linha de conduta da Teologia da Libertação evangélica e católica. A linha católica é mais material, busca melhorar as condições do povo sofredor, ela é mais social. É de tendência de esquerda, aproximando-se de Deus por outro caminho.

A linha evangélica é totalmente espiritual e trata-se da libertação espiritual de seus adeptos contra o mal.

Duas correntes evangélicas, os Pentecostais surgidos após um cisma em 1.906 e os Reavivados, que aceitam a cura e o milagre e a existência de fenômenos paranormais, desde que ocorram dentro dos princípios bíblicos de sua igreja. Se porventura ocorrerem fora deles, serão considerados obra do demônio.

A igreja católica também tem a linha Carismática.

Conforme se poderá deduzir, é bastante difícil discorrer sobre este assunto dentro da Maçonaria. Há que se ter coragem e prudência. Desenvolveremos vários capítulos, tomando como parâmetro a Parapsicologia Moderna, científica, a qual estuda os fenômenos à luz da ciência, sem a interferência religiosa.



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