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MAÇONARIA E MEIO AMBIETENTE OU REFLEXÕES SOBRE A QUESTÃO AMBIENTAL
Irm. Angelo Spoladore
Quando falamos sobre a questão ambiental, para um melhor entendimento, devemos ter sempre em mente os seguintes conceitos:
· Nosso ambiente consiste de sistemas naturais que tem operado em um delicado equilíbrio por um longo período de tempo.
· Os homens podem manipular muitos dos ambientes naturais da Terra.
· Os sistemas naturais se ajustam às mudanças artificiais de maneira que nem sempre podem ser previstas.
· Os recursos minerais são concentrados por processos geológicos. Esses recursos são finitos e não renováveis.
· Existe limite para o crescimento.
A Terra é dinâmica estando sujeita a constantes mudanças. Algumas dessas mudanças são rápidas, tais como vulcões e terremotos, sendo, muitas vezes, catastróficas para a sociedade. Todavia, a maioria das mudanças é tão lenta que raramente pode ser percebida.
Talvez pelo fato de não observarmos diretamente essas mudanças, não damos o devido valor aos processos naturais. Todavia, historicamente temos muitos exemplos de civilizações que se erguerem e posteriormente caíram devido ao uso inadequado dos recursos naturais.
Um exemplo bem conhecido é a Mesopotâmia. Para cultivar suas terras secas foram amplamente difundidas técnicas de irrigação. Todavia, a irrigação das terras áridas causou a concentração em excesso de sal e como conseqüência deu-se uma redução drástica na fertilidade do solo e na produção agrícola. Este fenômeno levou ao declínio esta civilização.
Um outro exemplo é a ilha de Páscoa. Para a construção e transporte de suas estátuas para homenagear os Deuses, todas as árvores da ilha foram cortadas. O resultado foi um rápido declínio na agricultura, fome, caos na sociedade e por fim a exterminação por completo dessa sociedade.
Se pegarmos a Bíblia, mais especificamente, procurando a passagem que envolve a construção do Templo de Salomão, verificamos que um contingente enorme de pessoas trabalhou naquela obra, especialmente cortando madeira, em especial o cedro do Líbano, e blocos de pedra.
De acordo com a Bíblia (III Samuel, 5), foram 30 mil trabalhadores forçados (escravos?) levados pelo rei Salomão cortando madeira; setenta mil que cuidavam do transporte de cargas e oitenta mil que cortavam pedras nas montanhas, além dos três mil e trezentos mestres de obra que davam as ordens aos trabalhadores.
Se considerarmos as dimensões do Templo é possível de se ter uma idéia da quantidade de material foi extraído para tal obra. Uma outra curiosidade, a descrição feita na Bíblia dos cedros utilizados na construção, não coincide com as atuais espécies de cedro existente. Será que de tanta madeira extraída esta espécie de cedro foi extinta quando da construção do primeiro templo?
A Bíblia, por sinal, pode ser utilizada também como uma boa fonte de pesquisas para termos uma idéia sobre o conhecimento e, algumas vezes, do ambiente daquela época. Um dos exemplos mais interessantes aparece em Eclesiástico (1:7) que diz: Todos os rios correm para o mar, porem o mar não fica cheio. A água volta para onde nascem os rios e tudo começa outra vez. O conhecimento do ciclo da água deu-se de forma lenta e está é a primeira referência conhecida especificamente sobre o ciclo completo.
A Bíblia também pode reunir histórias que revelam a constante luta do homem contra a natureza. Por exemplo, a história de Noé e do Dilúvio Universal. Trata-se de uma história mais antiga e que foi incorporada na tradição do povo hebreu. Diz a história que toda a Terra foi coberta por água e que somente alguns poucos felizardos e os animais que ele colocaram em uma arca foram salvos. Pesquisas geológicas recentes provaram a aproximadamente cinco mil anos antes de Cristo, na região do Mar Negro, ocorreu uma inundação de grandes proporções. Originalmente o Mar Negro era na verdade um lago de água doce. Suas margens eram habitadas intensamente, especialmente se considerarmos a quantidade de pessoas existentes na época. Devido ao aporte de água muito grande, as águas salgadas do Mediterrâneo invadiram a região do Mar Negro causando um evento catastrófico de grandes dimensões. Parecia para os habitantes daquela área que todo a Terra estava submersa.
Não devemos esquecer que para um bicho que nasceu e passou toda a sua vida dentro da uma fruta, o universo se restringe a essa fruta pelo simples fato de que ele não conhece o resto do mundo e nem se quer imagina que pode haver mais coisas além daquela fruta.
Temos também o exemplo das chamadas pedreiras do Rei Salomão localizadas em Jerusalém. Trata-se uma pedreira subterrânea de calcário de onde supostamente Salomão teria retirado material para a realização de construções. Além dessa pedreira, nas proximidades também são conhecidas outras pedreiras do mesmo período.
A entrada da caverna é ao norte da Cidade Velha, próximo a Cerca de Damasco. A partir da entrada principal segue-se para sul por um corredor com extensão aproximada de 225 metros até um salão conhecido por The Freemasonic Hall.
A pedreira contém uma série de rochas diferentes, predominando, no entanto, as rochas ricas em carbonatos as quais foram utilizadas para diversos fins, de acordo com suas características (facilidade de trabalhar, beleza, dentre outros).
Esta pedreira subterrânea está localizada nas proximidades de onde supostamente foi erguido o Templo de Salomão original sendo dessa forma, uma possível fonte de matéria prima para a construção do Templo. Este fato poderia ser possível, todavia o mesmo não foi ainda comprovado. Sabe-se que as estruturas das rochas das paredes do que alguns Irmãos supõe ser o Templo de Salomão, chamado atualmente de Muro das Lamentações, são idênticas às estruturas visualizadas nas rochas aflorantes na pedreira bem como em toda a região.
É importante ressaltar aqui, tirando qualquer significado especial que possa ter para nós, as pedreiras foram abertas há quase três mil anos atrás e ainda podem ser perfeitamente visualizados os resultados das atividades mineradoras.
Nesta linha de pensamento podemos divagar e perguntar: qual será o impacto causado pela retirada de rocha para a construção de pirâmides, castelos, igrejas e mosteiros ao longo de toda a nossa civilização? E materiais trabalhados pelos nossos Irmãos operativos, que retiram e trabalharam rocha por longos períodos, será que causou algum impacto ao meio ambiente?
Mesmo os pedreiros atuais que constroem nossas casas, edifícios, etc, também utilizam bens minerais para tal. O tijolo é feito da argila, o cimento vem de rochas carbonáticas tais como o mármore e o calcário. Até mesmo a tinta que usamos tem substâncias minerais como, por exemplo, o manganês que regula o tempo de secagem da tinta.
A Maçonaria utiliza vários símbolos provenientes do reino mineral. Desde a Iniciação nos deparamos com uma série de minerais e rochas. Por exemplo, somos purificados pela água, que é um mineral finito e não renovável; um dos dois minerais que nas condições superficiais de pressão e temperatura, se apresentam no estado líquido. Ainda na Iniciação tem o enxofre nativo, que é um mineral de geralmente de origem vulcânica, por isso sua associação com o inferno. Na Câmara de Reflexões, encontramos o sal, ou, como é conhecido na geologia a halita, que é um mineral que nós inclusive utilizamos na nossa alimentação. Não podemos também esquecer do mercúrio, que também é um mineral no estado líquido.
Na decoração do Templo também nos deparamos com a Pedra Bruta, a Pedra Cúbica e a Polida. Nossas origens e alegorias evocam a todo o momento os bens minerais e o trabalho com os mesmos.
Somos ensinados a trabalhar na Pedra Bruta tornando-a Cúbica para então usa-la em uma construção. Com relação à Pedra Polida, bem, a nossa simbologia talvez seja que um tanto falha. Uma Pedra Polida em uma construção serve apenas e tão somente para o acabamento. Não podemos usar essa pedra para erguer um prédio, por exemplo. O prédio cairia. A Pedra Polida não serve para fazer parte da fundação de uma construção. Já a Pedra Bruta e a Polida podem.
Um outro posto a ser questionado é a excessiva valorização da Pedra Polida e Cúbica e de uma certa desvalorização da Pedra Bruta bem como dos profissionais que trabalham com as mesmas. De acordo com a nossa tradição, conforme a pessoa vai se desenvolvendo, adquirindo conhecimentos, ela deixa de trabalhar com a Pedra Bruta e passa a lidar com a Polida e a Cúbica. Todavia quem trabalha na área geológica sabe que na maioria das vezes quem trabalha com a Pedra Bruta é que tem que ter um conhecimento maior. É muito mais difícil o trabalho com Pedra Bruta do que com a Polida e a Cúbica. Desbastar a Pedra, muitas vezes é um trabalho mecânico que não requer muitos conhecimentos. Já com a Pedra Bruta é diferente.
Tem também o caso dos cristais. Um cristal, que muitas vezes é chamado de pedra preciosa, é um mineral que em determinadas condições se desenvolve de forma perfeita. Parece que foi lapidado pelo homem mais não foi. É uma Pedra Bruta.
Um outro fator importante que temos que considerar é que muitos problemas estão ocorrendo hoje e ao nosso redor e não nos damos conta. Esses problemas não ocorrem em uma região distante que não nos afeta e nunca vai nos afetar. Eles ocorrem bem próximos a nós.
A visão que impera até os nossos dias é uma visão cartesiana, ou seja, existem dois ou três eixos e um determinado ponto e/ou evento está relacionado diretamente com fatores x, y e z. Todavia não é bem assim. A física Quântica nos mostra que existem variáveis diversas e que podem influir no resultado final. Assim, uma folha de uma árvore que cai na Amazônia pode estar relacionada com um terremoto no Japão. Assim, um problema ambiental na Europa pode influir no resto do mundo, inclusive no Brasil.
Recentemente a chamada ararinha azul, pássaro que vivia no sertão nordestino, foi extinta. Desapareceu. Isto aqui no Brasil.
Quando falamos em extinção logo nos vem a cabeça à famosa extinção dos dinossauros, quando, supostamente, um cometa, asteróide ou algo parecido, se chocou contra a terra, ocasionando uma extinção que, diga-se de passagem, segundo essa teoria, foi seletiva. Sim, por que somente os dinossauros foram extintos, enquanto os outros animais e vegetais tiveram uma vida normal.
Hoje os cientistas já discutem o impacto que uma manada de dinossauros herbívoros pesando algumas toneladas causaria em uma floresta. Considerando a ampla disseminação, o porte que esses animais chegaram bem como o número de dinossauros que existiam ao mesmo tempo na Terra é muito mais lógico pensar que a extinção desses animais está relacionada com a falta de recursos alimentares ou por problemas climáticos, não sendo apenas resultado de uma colisão da Terra com um cometa ou asteróide.
Atualmente estamos experimentando uma extinção em massa que os especialistas afirmam que é um evento maior do que a extinção dos dinossauros. Além do grande número de espécies tanto animais como vegetais que estão sendo extintas, o atual evento impressiona também pela sua velocidade.
Diferentemente de outras extinções em massa do passado pré-humano, a atual é causada pela atividade humana e não por fenômenos naturais. Os cientistas classificam a perda da biodiversidade como um problema ambiental mais grave do que a destruição da camada de ozônio, aquecimento global ou poluição e contaminação. Aproximadamente 70% dos cientistas acreditam que durante os próximos 30 anos, até um quinto de todas as espécies vivas hoje estará extinta, e os 30% restantes dos cientistas, acreditam que metade das espécies existentes hoje na Terra estará morta no mesmo período.
A população em geral é desinformada quanto à perda das espécies e o que isso significa. Até mesmo os profissionais que trabalham na área simplesmente não acreditam que estejamos em meio a uma extinção em massa.
Hoje em dia temos uma discrepância muito grande. Enquanto alguns paises estão com problemas, por exemplo, com combustíveis para levar uma nave até Marte, outros países do terceiro mundo têm uma séria crise energética: a crise da lenha que é usada como combustível. A população crescente e a utilização de florestas como combustível são os dois fatores principais de, por exemplo, a fome na Etiópia.
O desmatamento destrói o sistema radicular o qual segura o solo, com isso ocorre uma aceleração dos processos erosivos e em uma ou duas décadas o solo é carreado e ocorre um declínio na agricultura.
Qual será o destino da nossa civilização? Muitos de nossos recursos são finitos e não renováveis. Durante os próximos dez anos iremos usar mais óleo, gás, ferro e outros recursos minerais do que consumimos até agora na nossa história inteira. Quando alteramos nosso ambiente, nós mudamos o equilíbrio natural que foi estabelecido em ao longo de milhões de anos. Os resultados dos ajustes que a natureza fará devido às mudanças que impomos nem sempre podem ser previstos.
O projeto Genoma está desmistificando uma série de coisas. Recentemente descobrimos que temos (a raça humana) praticamente a mesma quantidade de genes que o milho e apenas um pouco a mais do que um rato. Isto vem reforçar a idéia de que o homem não é nada de tão especial assim. Não somos diferente do resto.
Somos parte da natureza. Umas das muitas espécies de animais adaptadas para os atuais ambientes. Nós somos tão bem adaptadas que dominamos outras espécies e nosso número é tão grande que nos tornamos um agente de mudanças físicas, químicas e biológicas. No presente somos capazes de modificar significativamente os sistemas naturais dentro dos quais vivemos. Muitas de nossas modificações, infelizmente, conflita com a evolução natural da Terra. Por exemplo, desde de que desenvolvemos a cultura agrária, nós modificamos drasticamente grandes áreas da superfície terrestre que originalmente eram cobertas por vegetação nativa e agora são terras controladas e cultivadas. Isto pode ter acabado com o suprimento de comida de muitas populações de animais, que previamente estabeleceram um grau de equilíbrio com a natureza.
A evolução de ciência e da tecnologia produziu um avanço muito rápido em um curto período de tempo. Muitas espécies simplesmente não tempo o suficiente para se adaptarem às novas condições.
As mudanças que causamos são para tentar melhorar a qualidade de vida da nossa sociedade. Freqüentemente os resultados são opostos aos esperados. Algumas modificações são catastróficas e irreversíveis.
Nós somos assim obrigados a nos adaptar a mudanças rápidas nos ambientes que nós mesmos estamos criando. Obviamente algumas dessas mudanças são necessárias e acabamos nos adaptando e encarando que este é o preço a ser pago pelo conforto que temos.
A decisão de mudar um ambiente deveria ser feita de forma muito cuidadosa. Primeiro deve ter conhecimentos suficientes para entender como o sistema natural opera para então tentar prever como ele será afetado pelas mudanças artificiais. Caso contrário, enquanto nós gastamos dinheiro, energia e tempo para arrumar ou alterar uma condição natural para suprir nossas necessidades, nós estamos na verdade gerando mais problemas.
A raça humana existe com o consentimento da geologia. A base de todo ambiente da Terra é a geologia. Para muitos é praticamente impossível entender o sistema geológico e para todos é impossível viver sem ele.
Para ressaltar a importância da geologia, invoquemos uma vez mais a Bíblia, Segundo o livro de Gênesis, Deus criou o homem a sua imagem e semelhança a partir de um molde de argila (barro), que é um bem mineral.
Esta história, não bem da forma como ele foi contada na Bíblia, foi comprovada por pesquisas as quais indicam que a vida deve mesmo ter surgido na argila uma vez que é o único mineral que pela contração e dilatação devido à hidratação/desidratação, gera energia o suficiente para desencadear reações químicas orgânicas.
Os minerais mais importantes dos quais a civilização atual depende constituem uma insignificante e pequena parte da crosta terrestre, enquanto que outros minerais formadores de rochas tais como quartzo, feldspatos, calcita e argilas, são abundantes e amplamente distribuídos. Cobre, estanho, ouro e outros minerais metálicos ocorrem em quantidades medidas em partes por milhão. A questão importante é como essas pequenas quantidades de minerais foram concentrados em depósitos grandes suficientes para serem explorados. A resposta é simples: eles foram trabalhados e retrabalhados pelos processos geológicos dos diferentes sistemas dinâmicos da Terra.
Os processos geológicos são responsáveis pela gênese dos minerais que utilizamos. Dessa forma, a ocorrência ou a ausência de um determinado mineral em uma região qualquer é condicionado pelos processos geológicos. É fundamental entender que os processos geradores e de concentração de minerais são muito lentos e que a taxa de reposição é imensamente menor do que a taxa de consumo. Os depósitos minerais são finitos e não renováveis. Tendo isso em mente, podemos dizer o quanto de minério que nos resta para utilizar. Nossos recursos são como uma conta bancária que nunca recebe depósito havendo apenas retiradas. Chega uma hora que os recursos acabarão.
Existem hoje poucas áreas com potencial para depósitos minerais que estão sendo estudadas e que ainda não estão sendo exploradas. A maioria dos países já estudou e mapeou suas reservas minerais, sendo que dessa forma o inventário dos recursos naturais da Terra está quase que completo. Nós praticamente sabemos do montante de recursos naturais ainda disponíveis e sabemos por quanto tempo ainda poderemos utilizá-los.
Um outro fator de dependência da nossa civilização em relação à geologia e aos bens naturais diz respeito quanto as nossas fontes energéticas.
Podemos dividir as fontes energéticas em:
· Fontes energéticas renováveis (Energia solar; Energia das águas; Energia das marés).
· Combustíveis fósseis (Carvão; Petróleo e gás natural).
Existem ainda os combustíveis radioativos que cada vez mais, estão sendo utilizado em escala cada vez maior.
Todavia, a nossa sociedade depende especialmente dos combustíveis fósseis. Estes, além de serem finitos, causam uma série de problemas. Em estudos em bolhas de gases atmosféricos aprisionados em geleiras, podemos facilmente identificar o momento do início da revolução industrial, quando os combustíveis fósseis, em especial o carvão, passaram a ser utilizados em quantidades cada vez maiores e cuja a queima, gerou uma concentração anormal de gases na atmosfera.
E tem ainda o problema da água. Não falo na água para geração de energia, mas a água para consumo, para beber. Do total de água existente na Terra, 97% estão nos Oceanos (água salgada e portanto não serve para o consumo. Em outras palavras, apenas 3% do total de água existente na Terra é água doce. 1,9% da água doce encontram-se presas nas geleiras; 0,5% do total da água encontra-se no subsolo; 0,02% estão em lagos e rios e 0,0001% do total da água está na atmosfera.
A água própria para o consumo representa apenas 0,02% do total da água existente no planeta. Acredita-se que hoje 1/3 da população mundial sofre de sede e que aproximadamente 50% da população mundial esteja desidratada. Em cidades como São Paulo Rio de Janeiro e Curitiba, a água é captada a mais de 100 km das cidades, elevando assim os custos, e mesmo assim, localmente, existe a falta de água ao longo do todo o ano. Este será um dos maiores problemas para a pop
O consumo dos recursos naturais está ocorrendo em uma taxa fenomenal. Em uma reflexão sobre ao momento atual vemos que o rápido crescimento da população e das indústrias que vem prevalecendo nas últimas décadas não é normal. O período em que vivemos talvez seja o mais anormal na história da humanidade. As atuais taxas de crescimento somado ao consumo dos recursos naturais representa nosso problema mais sério. Temos que fazer uma revisão séria nos nossos sistemas econômicos e sociais os quais, atualmente, são baseados nos conceitos de que o crescimento deve ser permanente e que o crescimento deve ocorrer para a sociedade prosperar.
Sabemos que a Terra é um planeta dinâmico. As rochas, os minerais e as fontes energéticas são formados por processos específicos que operam dentro dos sistemas dinâmicos da Terra. A distribuição dos recursos minerais nos continentes não é homogênea. Alguns continentes e países possuem recursos minerais enquanto que outros não. Os depósitos minerais são recursos não renováveis. Uma vez extraído todo o minério, ele acaba para sempre.
A moderna indústria se desenvolveu principalmente durante o último século. A nossa civilização difere de todas as outras pela quantidade de energia e recursos que estamos utilizando e também pela nossa taxa de crescimento. É importante considerar como os recursos são utilizados e a taxa de consumo de cada recurso individualmente.
Talvez o ponto mais crítico seja o fato de que a taxa de consumo dos recursos naturais não é constante. Ela aumenta exponencialmente. O crescimento exponencial do consumo é resultante tanto do crescimento populacional como do aumento anual per capita do consumo. Em outras palavras, o crescimento do consumo é exponencial devido ao aumento da população e devido ao crescimento do padrão de vida.
O limite do crescimento não será imposto pela população, mas sim será fator da escassez de recursos naturais.
A comida, produção industrial e população continuarão crescendo exponencialmente até a rápida diminuição dos recursos naturais quando então ocorrerá um declínio no crescimento industrial (aproximadamente em 2025).
O crescimento exponencial em nosso planeta é impossível. Na realidade a transição de uma situação estável para uma fase de declínio já começou. Assim a nossa postura frente aos problemas tecnológicos, biológicos e sociais não pode ser mantida. Necessitamos de ajustes na nossa atual cultura voltada apenas para o crescimento, caso contrário às conseqüências podem ser catastróficas.
Não podemos ser contra a modernização. Muito pelo contrário, eu particularmente sou um adepto fervoroso dos computadores, da internet e de todo o conforto que dispomos hoje. Meus maiores sonhos de consumo estão relacionados com materiais de alta tecnologia.
Todavia, para chegarmos até aqui com toda a nossa qualidade de vida e tecnologia, bem como para qualquer outra coisa até mesmo o que parece simples como as nossas construções, retiramos algum recurso natural, prejudicando de alguma maneira o equilíbrio natural.
A sociedade não pode regredir. Temos que entender e o bom senso deve imperar. Temos que aprender a utilizar nossos recursos de uma maneira adequada e racional.
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