![]() | terça, 31 de agosto de 2004
meu sonho de hoje foi extremamente estranho. foi IGUAL ao começo de "estorvo"! sonhei que tinha um despertador tocando. eu queria tacá-lo pela janela, mas não dava, porque tinha um monte de velhinhas tomando sol no terraço e a vista era igual à da tijuca. então eu martelava e martelava, mas não parava de tocar. (certa vez, ganhei um cartão de aniversário que arrebentou e não parava de tocar quando eu fechava. tocou por meses, talvez, no fundo da gaveta) quando acordei, o despertador tinha tocado umas tantas vezes no sonho e mais não sei quantas na realidade. ainda cheguei atrasada no colégio. muita discussão em torno de nossas fantasias, do dia 22 de setembro. quem viver verá. fui ver "igual a tudo na vida". como eu tenho me identificado com mulheres porra-loucas dos filmes... neuróticas, problemáticas, stuck. "i wanted to know if i was a freaking frigid or something. good news is that i'm not!" e como jason biggs VOLTA com a mocréia, bicho????? foi o meu primeiro woody allen no cinema. eu sempre os perco. quem viu "dirigindo no escuro", hein? nossa, dialogismo com o leitor rolando solto aqui! (peguei ônibus com o marcelo bernardes, clarinetista/saxofonista/flautista do chico e do choro na feira. que emoção!) uma pessoa imbecil comentou que esse site é muito ruim, pra eu fazer um melhor... ah, vai catar coquinho!! segunda, 30 de agosto de 2004.
como assim? o mundo está ao contrário!!! fiquei com média 9 em matemática, e me dei melhor nas matérias desumanas do que nas humanas, no enem! pelo menos não me dei tão mal assim em português (+ 0,5 pontos de graça, na prova). EU FALEI QUE IA CAIR FERNANDO PESSOA NO NENÉM!! Oh, my life is changing everyday, In every possible way. And oh, my dreams, it's never quite as it seems, Never quite as it seems. sonhei com os meninos - renato e samuca. fazíamos um ensaio-festa. procurei concretizá-lo, mas o mundo é preconceituoso e faz um boy that wore blue querer se mudar. MERDA! quando tudo ia dar certo... sonhei também com a mayra. e contei pra ela. de quem foi o muxoxo, hein? eu, semi-apaixonada? semi-terminada, semi-voltada? ia ver o fazendo arte, mas demoraram tanto pra começar a ensaiar, que o felipe me ligou pra irmos ao cinema. "brilho eterno de uma mente sem lembrança" deu um nó bem apertado no meu cérebro. eu quero ser a kate winslet quando crescer. quero que me dêem papéis loucos de pessoas compulsivas por mudar o cabelo de verde, pra laranja pra rosa, pra vermelho, pra azul. quero ser uma louca, impulsiva, que vive de excessos e magoa o seu macho. quero cabelo cortado como o da kirsten dunst e quero citar nietzsche. "isn't that how you get everyone to like you?" he asked me if i would erase him. i said i would. why can't i get him to hate me? why can't i stop this suffering? e, agora, o clichê-apropriado: "i tried to downplay it with a bet about us you said that- you'd take it as long as i could i could not erase it" domingo, 29 de agosto de 2004
É uma bosta fazer ENEM, quando se está doente. 5 horas de pura agonia. E festinha de criança, depois disso tudo, é boooooom pra quem ficou o dia inteiro com dor de cabeça... Vamos acabar com a porra toda! Quereria eu amar-te menos? Quereria eu não sentir teus beijos Não ganhar teus abraços Não compartilhar teus sorrisos? Teria eu escolhido não pensar em ti? Teria eu fugido de teus braços Negado teus carinhos Esfriado teu calor? (...) Fugiria eu Negaria eu o teu amor? Ou Amaria Sofreria Sonharia E viveria aqueles dias novamente? Clarisse Alvarenga sábado, 28 de agosto de 2004.
Então eu finalmente vi “Promessas de um novo mundo”.
A raça humana é estúpida. Agora entendo tudo o que o Felipe sempre falava: o monoteísmo é a causa de inúmeros males. Pressupondo a existência de uma verdade única, pelo menos três religiões monoteístas centrais – o islamismo, o judaísmo e o cristianismo – excluem a possibilidade de haver um deus diferente do que eles, individualmente, acreditam. Com isso, exterminam a possibilidade de aceitação e compaixão para com o outro e outras crenças. Desde a deglutição da doutrina cristã pelo império romano tem-se espalhado o anti-semitismo – a visão de que dinheiro, sexo e poder, mundanos, são demoníacos, assim como os judeus -, tendo os semitas, no século X, perdido feio numa guerra com os cristãos. Logo o império romano, tão avançado, tão democrático, tão evoluído... vocês nunca pensam que o mundo podia ser diferente, agora? Não haveria holocausto, não haveriam judeus inventando que uma terra é só deles, expulsando palestinos de onde sempre viveram. Não teriam sido 56 anos de opressão no oriente médio. Não haveria gente inventando armas químicas e gente achando que tudo é terrorismo. Não haveria gente “praticando” o terrorismo. E quer saber? Se eu tivesse sido expulsa da minha terra, e minha família tivesse sido morta pelo exército israelita, provavelmente eu seria um a tacar bombas em restaurantes em Israel... se meu povo estivesse reprimido há 56 anos, eu tacaria um avião dentro de uma torre (espera – meu povo está sendo reprimido há muito mais do que 56 anos...). e o que é povo, afinal?! Essa separação – tudo é culpa do eurocentrismo – de países, política, riqueza... só porque eu estou no mesmo território onde outras 170 milhões de pessoas vivem, devo ter mais simpatia por elas do que pelos muçulmanos, ou pelos próprios cristãos? Crença é poder. Há muito tempo já perceberam isso... olha a manipulação que fizeram na cabeça dessas pessoas todas, para elas acreditarem que, por allah, estão matando milhões de outras. Ou antes, o que era Hitler? O que vem sendo a igreja evangélica? Gente que dá o seu dinheiro suado, de arroz-feijão-farinha, para tocar em águas santas, ou pagar o dízimo? Gente abusando da terra dos outros – “aconteceu conosco primeiro”, dizem os judeus. Cadê o respeito? Não sou nada contra a espiritualidade – ao contrário do cara que me ensinou isso tudo (mas eu sou contraditória. Somos comida de minhoca. Nirvana agora ou nunca). Acontece que não são nada espirituais essas “guerras santas”. “homicídio ritualístico é homicídio”. Eu posso não saber muito sobre isso – até porque tenho uma certa trava por esses assuntos, não gosto de ocultismo e não gosto de desrespeitar a cultura dos outros (mas, como disse, a cultura – essa crença – é o poder deles de matarem quem é diferente). Apesar de não ter tanto conhecimento de causa pra falar esse monte de besteiras misturadas, e , quiçá, equivocadas, tenho uma enorme compaixão por todas essas pessoas que, historicamente, foram mortas porque criam “no deus errado”. Tenho uma enorme pena – e é um sentimento horrível, eu sei – de quem se deixa influenciar por essa máquina de moer gente que são as religiões. E eu estou chorando muito, ao escrever isso, porque dói muito! Choro muito porque essa gente de quem eu sinto pena tem um motivo pra viver, nem que seja pelo deus. Mas eu – eu sou comida de minhoca e sei disso (a ignorância é uma virtude, já diria nietzsche, quão mais ciente, mais triste a pessoa é). É um absurdo acreditar-se em UMA força divina, que controla a todos. Buddah já disse isso. É só pensar nos átomos – réplicas perfeitas do macrocosmo. Já prestou atenção nos átomos e no sistema solar? É só pensar, também, nos nossos corpos. Eles – e os átomos e os compostos – são uma junção de organismos funcionando paralelamente e em harmonia. Por isso, deus seria o nosso cérebro? Uma “força” controlando tudo? Pode ser, nunca neguei que qualquer um de nós tivesse, dentro de si, uma energia, chi, força, fé, o que seja, que nos movimentasse, e nos fizesse evoluir. Mas é NOSSA! Não precisamos de nenhum canal para usá-la, nenhuma religião, nenhum padre, nenhuma igreja, nenhum deus. Não foi ninguém que colocou lá, mas a nossa vontade. Essa força é a nossa vontade. Mas, nesse momento, minhas forças, dentro do meu corpo, estão apagadas. Não tenho vontade de viver alguma. Schopenhauer disse que esta é intrínseca a todos os seres, para a perpetuação da sua espécie. Mas não a mim, tio Arthur. Não quero ajudar a perpetuar essa espécie estúpida. Na verdade, agora mesmo, ando querendo morrer. Assim, nego a vontade universal. Aí vem a vontade, de novo. Aniquilar o desejo, por favor! Quero o fim. Renunciar. Purificar. A realidade é única, e nela se encontra o mal. Homo sapiens sapiens? Será que é sábio mesmo? sexta feira, 27 de agosto de 2004.
Mamãe voltou e trouxe presentes. Pessoas foram estudar na minha casa. A gente se sente muito cansada depois de uma semana inteira, sem parar de domingo a domingo, fazendo prova. Estressa a cabeça das pessoas. Especialmente a Beth estava meio desesperada, achando que não sabe nada nessa vida. Nada mais normal. As pessoas ficam neuróticas, mas eu já chutei o balde (ta certo que a específica dela é biologia – prova que faremos amanhã – e a relação candidato/vaga pra carreira dela é bem maior que 4). domingo, 22 de agosto de 2004.
O calendário do som tem uma música maravilhosa pra hoje! E diz assim embaixo: "terminei às 22: e 57: esta música é muito boa; para que também possa se compor com um tipo de acorde só com modulações. viva o som sempre! tudo de bom sempre! Hermeto Pascoal" não é das anotações mais inspiradas, mas prova que a música é linda e que tenho bom gosto. Fui melhor, mais rápida e mais confiante da UERJ. Caiu Clarice e Drummond, e todos se lembraram de mim. Mari disse que dançou horrores na DDK, enquanto o Renato disse ter se arrependido de ter ido. Me incomoda conhecer pessoas, e não saber o que fazer quando as encontro na rua. Não conheço, semi-conheço, ou conheço de vista. Olho pro lado e finjo que não vejo, geralmente. Mas é pra falar “OI!!! TUDO BEM?!”, e a pessoa não me reconhecer? E se eu voltasse a ser MENOS bicho do mato? sexta feira, 20 de agosto de 2004
comprei o “calendário do som”! fui ver Olga. Eu sei que prometi, mas não estou no humor pra falar de disfunções da sociedade agora. Eu... acho que nenhuma mulher pensava aquilo tudo em 1930. nem teve essa importância toda nos pensamentos de um homem politizado. Eu não acho que Prestes era aquele bobocão, como ficou retratado no filme. E ninguém prestou atenção no close que a câmera fez na Camila Morgado quando ela ouviu falar da Coluna Prestes? O que foi aquela expressão??? Tratamentos trashs à parte (neve indo mais pra cima do que pra baixo e pros lados do vento, desafiando leis físicas de densidade), é um filme divertido. quinta feira, 19 de agosto de 2004 [i wanna live life and have friends around]
dia muito bom, muito bom, espetaculoso. eu e o nando nos perdemos de vistas, mas nos encontramos e fomos assistir à tabacaria, de álvaro de campos (real gabinete portuguez de leitura - hihihi). óbvio que chegamos atrasados. imagina uma fernanda e um fernando, vestibulandos, apaixonados pelas letras, no centro da cidade, indo pra "casa de dorian gray". depois de meia hora, percebi que a música era ao vivo (um menino que toca como se flutuasse, o clarinete). reconheci várias partes do poema, mas não posso precisar que ele tenha lido tudo em ordem. só sei que foi foda - muito embora tenhamos chegado atrasados. mas é de graça. então toda quinta feira, meio dia, é nóis no real gabinete - a.k.a casa do dorian gray. (porque vocês já viram "a liga extraordinária", que fizeram recentemente? ou viram "olga" - uma parte foi filmada lá -? aquela biblioteca é o que hááááá! subir de elevador até a última estante e ficar lá por anos e anos!!!) depois desandei a ler "mensagem", de fernando pessoa - ele mesmo, e só parei para ir ao ensaio do ?the premiess?. samuca chegou antes de mim e do renato. uóóóóó (ambulância). e então rimos e rimos e rimos e rimos e tocamos sympathetic character, que VAI acabar com um acorde absurdo (surdo não, bem sonoro). quem viver, verá. e me disseram que a minha voz é voz de drogada e a partir disso eu não canto mais jagged little pill nenhum! :P distraí de questãs vilãs aborrescentes. estou até falando engraçado, vê só. quarta feira, 18 de agosto de 2004
aniversário da isabella. estudei das 7 h às 18 h. mentira. estudei nada, degluti, passivamente, matérias imaterias dentro do livro de matemática e da fala da lúcia, professora de geografia. livros palermas me olharam, sim (e lembrei que lá no norte, meu deus, tem um homem brasileiro que nem eu). mas - um momento - livro palerma, ou eu palerma? quem é mais palerma que eu, deus meu, que faço da vida a minha ipálase. eu, que o deus me perdoe, ab-sinto. [pronto. vocês já têm um post inteirinho citando o deus três vezes. cabou a cota] sábado, 14 de agosto de 2004
Finalmente fui ao choro, mesmo que só pra ouvir por meia hora. Me arrumei (de uma maneira que até parecia eu) e fui à casa do Guga (mas quase dei meia volta, junto com o ônibus. Certas discussões são incessantes e eu não quero mais tomar parte do levantamento delas). A casa era enorme; escadas, cachorro de bigode, falsificação de documentos, varanda, cortiça, embalagens de pringles, quadros com partituras, Jung e 300 milhões de cds. Resolveram brincar de boneca comigo, ao ponto de me parecer uma estranha apelativa e menor de idade. O bom de ter amigos mais velhos e formados em psicologia é que eles nos fazem (e fazem deles mesmos, aparentemente) cobaias comportamentais. E também, eles têm carro pra levar e trazer a gente pra casa. Vários conhecidos estavam na porta, e imploravam, esperando dissuadir-nos da idéia de desistir de ir à DDK (esses eventos são ruins, parece tudo nazista, góticos alemães, nazistas). Por outro lado, era realmente muito caro pagar R$ 13,00 para passarmos a noite ouvindo músicas que não gostamos. Resolvemos que, em outra ocasião, iríamos à paranoid, que é mais barata e toca coisas legais – sem querer desmerecer o excelente dj Guga e a primeira dama, mas tutchituchi, como sabe, não é comigo, mesmo. Essas pessoas cheias de personalidades, treinadas para combater o sistema, buscam tanto a sua personalidade única que não são mais do que uma massa amorfa de informações – por vezes conflitantes e incoerentes. As gentes pintam os cabelos de verde, depois de laranja e depois de azul e só sabem o que não querem ser. Passeiam de personalidade fraca e mal-formada em personalidade fraca e mal-formada. Queria ser como todos eles, mas depois de 24 horas acordada, não agüento mais ficar em pé. Invejo os fracos que se dizem fortes e os fracos que se reconhecem como marionetes de grandes corporações. Já eu, eu não consigo mudar – no máximo revoluciono cortando três dedos de cabelo. Será que ainda dá tempo de eu escolher? “(...) então, sem entender o que fazia – só o entendeu depois – pintou demais os olhos e demais a boca até que seu rosto branco de pó parecia uma máscara: ela estava pondo sobre si mesma alguém outro: esse alguém era fantasticamente desinibido, era vaidoso, tinha orgulho de si mesmo. Esse alguém era exatamente o que ela não era. Na hora de sair de casa, fraquejou: não estaria exigindo demais de si mesma? Não seria uma bravata ir sozinha? Toda pronta, com uma máscara de pintura no rosto – ah “persona”, como não te usar e ser! – sem coragem, sentou-se na poltrona de sua sala tão conhecida, e seu coração pedia para ela não ir. Parecia prever que ia se machucar muito e ela não era masoquista. Enfim apagou o cigarro-da-coragem, levantou-se e foi. Pareceu-lhe que as torturas de uma pessoa tímida jamais tinham sido completamente descritas – no táxi que rolava ela morria um pouco. E de repente ei-la diante de um salão descomunal de grande com muitas pessoas, talvez, mas pareciam poucas dentro do espaço enorme onde como um ritual se processava o coquetel. Quanto tempo suportou de cabeça falsamente erguida? A máscara a incomodava, ela sabia ainda por cima que era mais bonita sem pintura. Mas sem pintura seria a nudez da alma. E ela ainda não podia se arriscar nem se dar a esse luxo. Falava sorrindo com um, falava sorrindo com outro. Mas como em todos os coquetéis, nesse era impossível a conversa e, quando ela percebia, estava de novo sozinha. (...) Até que não suportava mais manter a cabeça de pé, apesar dos dois uísques que tomara. Mas como atravessar a enorme extensão até a porta? (...) Achou finalmente um táxi onde se sentou quase em lágrimas de alívio, lembrando-se de que em Paris lhe acontecera o mesmo porém pior ainda, pois agora estava mais enraizada na terra. O modo como o chofer olhou-a fê-la adivinhar: ela estava tão pintada que ele provavelmente tomara-a como uma prostituta. “Persona”. Lóri tinha pouca memória, não sabia por isso se era no antigo teatro grego ou romano que os atores, antes de entrar em cena, pregavam ao rosto uma máscara que representava pela expressão o que o papel de cada um deles iria exprimir. Lóri bem sabia que uma das qualidades de um ator estava nas mutações sensíveis do rosto, e que a máscara as esconderia. Por que então lhe agradava tanto a idéia de atores entrarem no palco sem rosto próprio? Quem sabem, ela achava que a máscara era um dar-se tão importante quanto o dar-se pela dor do rosto. Inclusive os adolescentes, que eram de rosto puro, à medida que iam vivendo fabricavam a própria máscara. E com muita dor. Porque saber que de então em diante se vai passar a representar um papel que era de uma surpresa amedrontadora. Era a liberdade horrível de não-ser. E a hora da escolha. Também Lóri usava a máscara de palhaço da pintura excessiva. Aquela mesma que nos partos da adolescência se escolhia para não se fiar desnudo para o resto da luta. Não é que se fizesse mac em deixar o próprio rosto exposto à sensibilidade. Mas é que esse rosto que estivesse nu poderia, ao ferir-se, fechar-se sozinho em súbita máscara involuntária e terrível: era menos perigoso (...) escolher sozinha ser uma “persona”. (...) quando enfim se afivelava a máscara daquilo que se escolhera para representar-se e representar o mundo, o corpo ganhava uma nova firmeza, a cabeça podia às vezes se manter altiva como a de quem superou um obstáculo: a pessoa era. Se bem que podia acontecer uma coisa humilhante. (...) é que, depois de anos de relativo sucesso com a máscara, de repente (...) a máscara de guerra da vida crestava-se toda como lama seca, e os pedaços irregulares caíam no chão com um ruído oco. (...) E o rosto de máscara crestada chorava em silêncio para não morrer. Entrou em casa como uma foragida do mundo. Era inútil esconder: a verdade é que não sabia viver. (...)” Clarice Lispector em “Uma Aprendizagem, ou O livro dos prazeres”, narrando a vida de Lóri. Mas bem que podia ter sido a minha nessa e em tantas outras noites, ou a vida de qualquer outro. Qualquer ator. Qualquer mulher. Qualquer gótico. Qualquer hippie. Qualquer pacifista. Qualquer deputado em pânico mal-dissimulado. Qualquerqualquer... quarta feira, 11 de agosto de 2004
aulas canceladas, fizemos festa (enrolada) pra ele.
Pessoas que sabem demais irritam. Em particular, o taiguara irrita (coitado, até que ele não fez muito). Eles se acham os “escolhidos” – como se a vida fosse como matrix -, que detém informações perigosas de se vincular ao grande público. Porque o grande público é burro e acredita naquilo que os sabichões também acreditam e pregam. Pra mim, crença é manipulação. Então, não acredito nem nas minhas próprias afirmações. Não acreditem também. segunda feira, 9 de agosto de 2004
[fill up your proverbial cup so that i doesn't always have to be about you]
aniversário do menino mais lindo do mundo. FUCK In my place, in my place Were lines that I couldn’t change I was lost, oh yeah I was lost, I was lost Crossed lines I shouldn’t have crossed I was lost, oh yeah And yeah How long must you wait for it? Yeah How long must you pay for it? Yeah How long must you wait for it? For it I was scared, I was scared Tired and underprepared But I wait for it And if you go, if you go And leave me down here on my own Then I’ll wait for you pelo menos eu recebi o e-mail do zé luis passos, professor de literatura brasileira mais pernambucano, mais cheio de "teorias sobre isso", que mais me chama de fernandinha, que leciona na university of berkeley, na califórnia. gostei do que eu escrevi na aula de redação - mas, pra variar, não salvei etc etc. não sei como algum dia vou conseguir publicar algum livro com essa vergonha que eu tenho de ler em voz alta tudo o que eu crio. domingo, 8 de agosto de 2004 a gata é gato e rejeitaram minha idéia de botar o nome de lord byron, dizendo que parecia nome de remédio pra barata.
então chamamos-no de petrúcio, ao que não me opus, já que é o nome do filho-da-puta do marido da megera domada, de shakespeare. dia dos pais mais artificial. fiquei lendo artigos do professor pasquale neto. "lembres? lembra-te?" são paulo é o horror. aprendi que tudo se resolve atravessando (ou cruzando ou percorrendo) a rua brigadeiro faria lima, que eu só conhecia pelo jogo de banco imobiliário. uma coisa: por que nesse jogo, os lugares do rio de janeiro são bairros inteiros e os de são paulo são só ruas (exceto por morumbi)? aprendam, meninos e meninas: nunca, jamais vão morar em são paulo. nem se vocês se separarem de seus cônjuges e precisarem levar os filhos pra longe. eu quero te roubar pra mim eu que não sei perder nada meu caminho é meio perdido mas que perder seja o melhor destino agora não vou mais mudar minha procura por si só já era o que eu queria achar quando você chama o meu nome eu que também não sei aonde estou pra mim, que tudo era saudade agora seja lá o que for eu só quero saber em qual rua a minha vida vai encostar na tua /mode. sim, e daí? (perdiiiiii o show!) sábado, 7 de agosto de 2004 terminei de leeeeeeer. e me preocupou o destino comum de todas as supostas adúlteras-heroínas de romances.
i kept on ignoring the ambivalence you felt. and in the meantime i lost myself. i'm sorry i lost myself. cidades sem-graça servem pra isso. pra gente terminar de ler os livros e ficar brincando de fazer cócegas nas barrigas das crianças. a gata se chama sexta feira, 6 de agosto de 2004 andar, de carro, nessa cidade feia, concreta e quadrada faz a gente passar mal. pensei em várias coisas, mas corri as mãos pelos cabelos e tentei amassar minha cabeça pra ver se o cérebro explodia de uma vez. sublimação sexual e espiritual.
comprei 3 livros - yay yay yay! acho que o meu pai vai gostar. meus irmãos chegaram lindos, de uniforme. quinta feira, 5 de agosto de 2004
[a vida inteira eu quis um verso simples pra transformar o que eu digo.]
vou tirar a foto do rio card. tomara que eu não saia com cara de palito também, embora isso seja quase uma regra. estou indo viajar (não que ninguém se importe). eu e meus cds invisíveis e imaginários da ana carolina. buááááá... chegamos às 3 da manhã junto com um gato, que mia muito alto. "tanta gente com medo de morrer e eu não agüento viver". quarta feira, 4 de agosto de 2004
tá todo mundo muito feliz comentando sobre os seus primeiros dias de aula.
eu não tenho muito o que dizer sobre ele, exceto: what part of our history's reinvented and.... under rug swept? eu quase saí viva dele, só não saí porque sei que estou um dia mais próxima do fim (crédito: roger waters). e porque matei todas as minhas aulas de tarde e ainda consegui gravar o music in high places. estou morando na casa do meu pai, sem telefone, sem internet e tevê a cabo. única diversão: tetris e augusto dos anjos (porque você não pode dizer que são bernardo é bem diversão). aliás, ler augusto dos anjos é uma das coisas que não se aconselha fazer quando se está entediado, cheio de conflitos existenciais e querendo morrer. enfim, graças à minha estada lá (onde não estou), haveria uma boa razão para um suicídio - internético, entenda -, se a minha mãe não me mandasse vir aqui falar com ela no msn. e suas palavras - suas malpronunciadas palavras, lindas - trazem-me conforto e o desejo de não estar longe nunca mais. e cadê a parte de mim que não tem medo das outras partes de mim? definhou e morreu, será? eu vi the wall e the police e the smiths e um monte de coisas com the na frente, vendendo em vinil. e me deu saudaaaaades dos anos oitenta, que não vivi. estou ouvindo aquele longplay do chico que se chama chico buarque e tem as 2as fotos mais bonitas de discos dele (aquele que tem dois irmãos, tantas palavras, no barco de lia..., a mais bonita e tal). como eu sou saudosista e incompreensível... eu devo gostar disso. |
blog do neil gaiman diário de um bago jesus, me chicoteia de que jeito? sanatório geral bandeira livre sandeu unpredictably... keep walking garotas que dizem ni insanidade caçapa da polly alice in wonderland zazão guerreiros cp2 felix matrix fotolog playlist (literalmente): the hours soundtrack readlist: antologia poética - fernando pessoa, alberto caeiro, ricardo reis e álvaro de campos macunaíma - mário de andrade estorvo - chico buarque | |
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