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Chico Buarque e o sempre

Perfume de Harmonia

No Arco dos Teles

A mulher do Metrô

Molière me faz rir

Focus e Quidam. Emoção ao máximo!

O Nascedouro de Pedras - Bicuda Pequena - Macaé/RJ

Av. Rio Branco. Meu Rio de Janeiro

Arte, a lanterna da alma

A arte de Sérgio Britto

Toff, meu cão do coração

Segunda-feira melancólica... Sei lá!

 
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FRAGMENTOS & DEPOIMENTOS

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Resolvi registrar diversos fatos do meu cotidiano. Assuntos que me impressionaram e que vez outra voltam a minha lembrança. Para não perdê-los com o tempo resolvi registrá-los.

 

27.03.2006

 

Chico Buarque e o sempre. Sempre! – As vezes esta palavra parece irônica. Eu a uso sempre (viu só?), e muitas vezes, sempre (de novo) ! Certa vez achei que estava sendo pouco criativo quando terminava um verso de um poema com o sempre. Sábado, cinco da tarde, entre um afazer e outro, puxei o Segundo Caderno do jornal O Globo, de 19 de março de 2006, que eu guardara para ler no futuro. Lendo sobre o lançamento do filme de Cacá Dieguez “O maior amor do mundo”, chamou-me a atenção a letra da trilha sonora escrita por Chico Buarque para esse filme. Letra inédita que passo a transcrever aqui:

            Sempre

 Eu te contemplava sempre.

Te mirei de mil mirantes,

Mesmo em sonho estive atento

Pra poder lembrar-te sempre,

Como olhando o firmamento

Vejo estrelas cintilantes

Que se forma para sempre. 

O teu corpo em movimento,

Os teus lábios em flagrante,

O teu riso, teu silêncio,

Serão meus, ainda e sempre.

Dura a vida alguns instantes,

Porém mais do que o bastante

Quando cada instante

É sempre.

   Letra inédita de Chico Buarque para a canção-tema de “O maior amor do mundo” – Jornal O Globo – Segundo Caderno de 19/03/2006

Pois é, cá está o grande Chico se safando no apelo do sempre. Engraçado, percebi já há algum tempo que quando estamos em estado do que chamo de transe poético, a eternidade parece se lançar ænbsp; nossa mente como a realidade preponderante e que norteia toda a nossa poesia. (continua...)

 Gideon

 

Perfume de Harmonia. Nos últimos finais de semana, mais precisa- mente aos domingos, tenho experimentado um novo aroma, é o perfume  de simpatia. Sorte minha,  na igreja sento-me ao lado de uma pessoa, não uma pessoa qualquer, mas uma mulher especial. Os seus dedos, ligeiros, quando juntam-se em formação para deslizarem pelo teclado, guiados pelo olhar atento, e uma ligeira expressão nos lábios, que se retesam como querendo experimentar o paladar do acorde que virá, exalam, tudo junto, um perfume de simpatia. Ela, talvez não perceba, mas eu me delicio com cada acorde, cada fuga do "centro tonal", cada sæshy;ncope para enfatizar um jato de acordes, que para  a minha alma, transforma-se em jatos de perfume de harmonia. Sei lá, mas dá vontade cheirar os acordes vindos do meu lado. É coisa de músico inquieto com o trivial, que quer sentir cada sabor e provar cada aroma do som (continua...)

 Gideon

 

No Arco dos Teles. O Arco dos Teles é mágico. Um corredor de ruas estreitas ladeadas por casas de danças, bares e restaurantes, quase tudo preservado ainda no estilo do tempo do império. Foi ali, que no inæshy;cio do século passado, houve a Revolta da Vacina. Dizem também que Carmem Miranda morou em um destes sobrados.  O charme é sentar-se em mesas postas no meio da rua. As pessoas, neste ambiente, despojam-se de seus afazeres do trabalho, e entregam-se ao relax sugerido por este ambiente. 

Isaque, grande amigo, irmãozão. A saudade sempre aperta o peito quando lembro dele. O conheci em Macaé/RJ. Moisés me apresentou-o. Casou-se com Marina. Linda e delicada menina. Convidaram-me para tocar em seu casamento. Fomos para Belo Horizonte e toquei em um belo sábado pela manhã. Lindo casamento. 

Pois bem, Moisés me ligou dizendo que o Isaque estaria hoje aqui no Rio. Saæshy; ænbsp;s 18:45 e corri para encontrá-los no Arco dos Teles, como combinado. 

Lugar sedutor. Muita gente e mulheres bonitas. Parece que tem um cheiro carioca no ar. Dá aquela sensação de alegria por estar participando, pisando, andando em lugar carioca tão instigante. Quando cheguei, eles já estavam lá há mais de quarenta minutos. (continua...)

Gideon 

 

A mulher do Metrô. Hoje consegui viajar sentado no metrô. Abri o livro do Wittgeinstein, e comecei a lê-lo. Em alguma estação ænbsp; frente entrou uma mulher pobre. Morena, cabelos molhados provavelmente do banho da manhã, meio ondulados e soltos. Parte caindo pela frente dos ombros, parte por trás. Braços musculosos, e as veias das mãos bem salientes, sugerindo trabalho árduo. O semblante era ræshy;gido. Não percebi qualquer vestæshy;gio de maquiagem. Lábios soltos e freqüentemente mordidos pelos dentes inferiores. O vestido era simples, com flores estampadas, de baixa qualidade. O formato dos seios era sugerido pela falta de sutiã, contudo nada indecente. A barriga um pouco maior que o normal de uma pessoa magra. Diria que era meio barrigudinha, mas mesmo assim ligeiramente sexy. O vestido ia até próximo aos joelhos. Não tinha qualquer enfeite.

Os pés rugosos com as veias também ænbsp; mostra (continua...)

 Gideon

 

Molière me faz rir.  Hoje fui ao teatro. Pela manhã, quando passava em frente ao teatro vi que iria acontecer uma peça ænbsp; noite: “As artimanhas de Scapino”, uma comédia de Molière. Comprei o ingresso. Já era 8:45 da noite e eu ainda estava jogado no sofá assistindo ao Jornal Nacional. Corri para escolher uma roupa bonita, afinal de contas eu queria ir bem vestido para o teatro. Escolhi uma camisa amarela de linho e uma calça também de linho. Passei a camisa e, para variar, desisti dela. Peguei a camisa verde. Vesti-me, perfumei-me, passei gel na barba e nos cabelos que ainda me restam. Lá fui eu correndo. Faltavam somente cinco minutos. O saguão do teatro estava vazio o que indicava que todos já haviam entrado. Dei boa-noite ao recepcionista e procurei o meu assento, G-1, bem na linha do eixo central do palco. Eu estava meio triste, desanimado, mas quando vi a companhia já no palco  (continua...)

Gideon

 


Focus e Quidam. Emoção ao máximo! I Inesquecæshy;vel. Ofereceram-me para comprar o ingresso do Focus, isso mesmo, o mais famoso grupo de Rock Progressivo viria a Macaé. Dei o dinheiro e comprei o ingresso. A apresentação estava super badalada em Macaé. Parecia que todos iriam. Cheguei em casa bem animado. Vesti uma roupa leve e fui para o Teatro Municipal. A fila estava atravessando a rua. Muita gente. Trânsito parado e controlado pela Guarda Municipal em frente ao Teatro. Evento grandioso. O saguão do Teatro estava lotado. Entrei. Muita gente. Vi todos os colegas do trabalho que disseram ir. Não tinha mais lugar. Existiam pessoas dependuradas em todos os cantos. Sentados na passagem, escada etc. Resolvi dar uma volta pela frente da platéia, e por sorte achei uma cadeira na segunda fileira.  (continua...)

 Gideon

 

O Nascedouro de Pedras - Bicuda Pequena - Macaé/RJ. Bicuda Pequena. Lugar mágico nas montanhas da minha vida...

Escalo-a sem planejar. A minha vida me surpreende. Mas tem também a Bicuda Grande. Dizem ser irmã mais imponente que a Pequena... Não importa, o que vale é que estou sorrindo... Sorrindo das pedrinhas bicudas ao pé da montanha imponente...

Mete medo olhar o cume, parece que vai despencar, mas claro que não vai.

É que somos pequenos mesmo, logo concluo, olhando admirado a pedra. Surpreende a música tocada pelo vento nos foles do vale... Ninguém parece ouvi-la, mas ela está lá nos meus ouvidos. Não sei o modo, se maior ou menor, talvez nenhuma coisa nem outra... Mas ainda sorrio, por detrás da sisudez  da minha tez  (continua...)

 Gideon

 

Av. Rio Branco. Meu Rio de Janeiro. Vou ao Rio! Na Próxima semana estarei lá. Quinta-feira tem reunião com a equipe do Sinergia, projeto SAP que está sendo implantado em toda a Petrobrás. O pessoal estará no bairro do Maracanã, Rio. Uhh, que felicidade. Tenho saudades da Av. Rio Branco, do Centro do Rio. Meu Rio de Janeiro. Como tenho saudade das avenidas entulhadas de gente apressada. Av. Rio Branco. Quando trabalhava lá, adorava caminhar por ela, no horário do almoço, e observar o semblante das pessoas, não só o semblante mas a postura, as roupas, enfim, as pessoas. Sempre na última semana do ano dá nostalgia, mas é bonito. As pessoas jogam os papéis acumulados durante o ano pela janela, tudo picadinho. As lembranças me fazem sofrer. Mas, como um presente de Natal, estarei lá, na Av. Rio Branco, no último dia útil do Ano. Vou ænbsp; Livraria Saraiva. Meu Deus, que felicidade  (continua...)    

                                                       Gideon

Arte, a lanterna da alma. Momentos antes do palco.  Diálogo com Carlinha, que inicia:.

 -Bom dia Menino...  Quantas perguntas!!! Deixa-me respirar fundo pra responder a todas...

- Você está feliz?

- Mais ou menos... estou preocupada, ansiosa, nervosa...

- Muito frio ænbsp; noite?

- Bem... eu sou meio suspeita pra responder a essa pergunta pois até no verão eu durmo de cobertor... frio é uma sensação que me acompanha sempre!!! rs 

- Cantarolou  muito ænbsp; noite?

- Tentei cantar no banheiro mas não consegui... a única música que soou bem aos meus ouvidos foi uma música gospel que eu gosto muito!!!

- Animada?

- Sinceramente? Ontem ænbsp; noite pensei em desistir... ficar só na platéia... Pode parecer frescura ou "ataque de estrelismo" como muitos dizem  (continua...)

 Gideon

A arte de Sérgio Britto. A saudade do Rio é dolorosa. Sentei-me no sofá. De repente, sem esperar, apareceu o Rio. Sérgio Britto, apresentador desse belo programa fazia uma poesia com jeito de improvisada passeando pelo Centro. Vinha da Lapa mostrando os teatros, os cinemas, os bares e as pessoas. Atinha-se aos prédios. Sempre comparando com a sua época, fazia comentários saudosistas. Conheço bem o Centro. Meu coração bateu melancólico ao rever aquelas imagens  (continua...)

 

 

Toff, meu cão do coração. A crueldade fê-lo ir. Já velho, ainda virgem, sempre rejeitado. Jamais um sorriso ou afago. Agora, perdeu seu lugar. Portão aberto pela manhã para encorajá-lo a ir embora.

Toff, olhar ingênuo e movido pelo instinto de liberdade se vai. Corre perseguindo errante um faro incerto. Some na curva da liberdade. Meu filho, Jean, chora inconformado quando descobre a fuga. Insiste para irmos procurá-lo, resgatá-lo da morte certa e cruel. Logo retorna afagando-o no banco de trás. Toff pula feliz, calda balançando. Está orgulhoso por estar de volta no seu lar. procura seu cantinho e enrola-se como um gangolo.

A crueldade o olha derrotada. Mas parece jurar não desistir de seu malvado intento. No outro dia, novamente o portão misteriosamente se abre. Toff some outra vez. A tristeza é geral. Dias depois retorna. Perna esquerda perfurada por dentada de outro cão. Brigou, apanhou. Voltou manco, sujo, derrotado, desprezado.

O encontrei na rua, manco, sujo, triste. Não o reconheci logo. Ele se aproximou cabisbaixo, olhar caæshy;do. Ajoelhei-me na rua e o afaguei, beijei-o. Ele lambeu a ferida como me mostrando o seu estado, seu sofrimento. O rabinho não balançava desta vez. O chamei e ele me seguiu feliz, mas cabisbaixo  (continua...)

 Gideon

 

Nova semana... muitas pendências... dependem da nossa concentração no trabalho... Mais cabelos brancos para alguns, mais experiências para outros... As lembranças do final de semana, agora ainda vivas, vão se apagar aos poucos... O futuro, implacável, nos espera pela

porta de entrada da nova semana... Já pensou como você estará vestido na próxima segunda-feira?

E que lembranças estarão na sua mente, na próxima semana?

Tantas semanas se passaram na minha vida... Muitos lugares diferentes... Muitas segundas-feiras com pessoas boas, bonitas, amigas e simples....  que nem lembro mais de algumas delas... Sempre fiz um exercæshy;cio de, ao olhar para uma pessoa querida ou para um ponto qualquer, me remeter ao futuro para pelo menos cinco anos ænbsp; frente e me perguntar aonde  estarei quando lá chegar! Aonde estarei trabalhando, com quem estarei conversando, como estarei vestindo... Que livros terei lido e que músicas terei tocado  (continua...)

Gideon



 

 
Editor: Gideon Marinho Gonçalves
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