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Molière me faz rir
Domingo,
18 de maio de 2003
Hoje fui ao teatro. Pela manhã, quando passava em frente ao teatro vi que
iria acontecer uma peça à noite: “As artimanhas de Scapino”, uma comédia de
Molière. Comprei o ingresso.
Já era 8:45 da noite e eu ainda estava jogado no sofá
assistindo ao Jornal Nacional. Corri para escolher uma roupa bonita, afinal
de contas eu queria ir bem vestido para o teatro .
Escolhi uma camisa amarela de linho e uma calça também de linho. Passei a
camisa e, para variar, desisti dela. Peguei a camisa verde. Vesti-me,
perfumei-me, passei gel na barba e nos cabelos que ainda me restam. Lá fui
eu correndo. Faltavam somente cinco minutos. O saguão do teatro estava vazio
o que indicava que todos já haviam entrado. Dei boa-noite ao recepcionista e
procurei o meu assento, G-1, bem na linha do eixo central do palco. Eu
estava meio triste, desanimado, mas quando vi a companhia já no palco, toda
maquiada, com figurino e gestos próprios do século XVI me animei. De fato,
linda companhia, chama-se “Companhia de Teatro Atores de Laura” foi formada
em 1992 na Casa de Cultura Laura Alvim, daí [acho] o seu nome. A direção é
de Daniel Herz e Susanna Kruger que aliás também atuou na peça como a
Zerbineta, muito linda. Já que falei do diretor apresento então resto do
elenco: Anderson Mello atuou como Argante; o pai durão de uma menina que
iria se casar sem o seu conhecimento com Otávio que, aliás, era representado
por João Marcelo Pallottino. Scapino foi representado por Charles Fricks.
Marcio Fonseca representou Silvestre, o criado de Otávio. Leandro Castilho
representou Leandro, filho de Gerônimo este representado por Paulo Hamilton,
um turco pão-duro que não desconfiava das tendências homossexuais de
Leandro, seu filho. Vanessa Dantas representou Jacinta, a primeira esposa de
Otávio que rivalivava com Zerbineta, representada por Susanna Kruger.
Raphaela Cotrim atuou como Merina, empregada de (acho) Argante e Val Elias
atuou como Carlos, o mensageiro.
Estava aquele clima, teatro cheio, coreografia linda, iluminação
perfeita. A cortina aberta e os atores todos no palco esperando o início da
peça. Eu observava cada um deles. Estavam vestido à caráter, um lindíssimo
figurino e maquiagem perfeita.
A comédia se
passa na Itália do século XVI, uma sociedade estruturada em classes sociais
bem distintas. Scapino, um criado esperto, ardiloso e cheio de manhas. Todos
o procuram quando estão em situação difícil para ajudá-los a sair destas
situações. Scapino, sempre esperto, pensa em tirar proveito de tudo, por aí
vai... A peça é toda calcada em fortes gesticulações caricaturísticas dos
personagens, tudo muito lindo. Eu confesso que esqueci a tristeza e me
diverti bastante.
Acabou a peça, apressei-me para sair. Cumprimentei um e outro
e voltei rápido para casa. Joguei-me na cama e dormi.
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