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A arte de Sérgio Britto
A saudade do Rio é dolorosa. Sentei-me no sofá. De repente, sem esperar, apareceu o Rio. Sérgio Britto, apresentador desse belo programa fazia uma poesia com jeito de improvisada passeando pelo Centro. Vinha da Lapa mostrando os teatros, os cinemas, os bares e as pessoas. Atinha-se aos prédios. Sempre comparando com a sua época, fazia comentários saudosistas. Conheço bem o Centro. Meu coração bateu melancólico ao rever aquelas imagens. Que saudade! Não acho que muita coisa mudou. Claro que para ele, o Sérgio, as coisas hoje estão bem modificadas, dada a diferença de sua idade com a minha. Ameacei um choro maroto mas me contive. As coisas se transformam, modificam e às vezes se vão. Na sexta-feira irei lá, no Rio. Vou passear pela avenida Rio Branco, pelo Largo de São Francisco aonde sempre embarcava nas lotadas para Bangu. Vou, talvez, ao cinema. Mas o que vou fazer mesmo urgente é apanhar o meu último fascículo, enfim, da coleção de música erudita, editada pela Deutsche Grammophon, no jornaleiro da Rua São José.
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