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O Nascedouro de Pedras Bicuda Pequena - Macaé/RJ Dezembro de 2004
Bicuda Pequena. Lugar mágico nas montanhas da minha vida... Escalo-a sem planejar. A minha vida me surpreende. Mas tem também a Bicuda Grande. Dizem ser irmã mais imponente que a Pequena... Não importa, o que vale é que estou sorrindo... Sorrindo das pedrinhas bicudas ao pé da montanha imponente... Mete medo olhar o cume, parece que vai despencar, mas claro que não vai. É que somos pequenos mesmo, logo concluo, olhando admirado a pedra. Surpreende a música tocada pelo vento nos foles do vale... Ninguém parece ouvi-la, mas ela está lá nos meus ouvidos. Não sei o modo, se maior ou menor, talvez nenhuma coisa nem outra... Mas ainda sorrio, por detrás da sisudez da minha tez...
Ofegante quero parar, mas não posso. A montanha não deixa. Parece que a gravidade funciona ao contrário... Tenho de chegar ao redil, na laje. Ovelha guiada pelo pastor...
O Nascedouro
D repente um sobressalto! Um nascedouro de pedras... Surpreendo-me e quase me precipito sobre ele. Equilibro-me no vento e me delicio com a visão. Centenas de pedras pontudas, lá em baixo, no vale. Combinam comigo, e com a música que ouço no vale... Agora, queria ter uma montanha à minha destra, penso, para me proteger da vida... mas elas estão lá, esperando milênios para crescerem... Sinto-me um pássaro pousado na colina a olhar o vale... Que vontade voar, pular, quem sabe me tornar uma pedra, também do nascedouro...
As pessoas da montanha
Volto-me e vejo o redil... Ovelhas simples, rodeando seu pastor... Vou tocar hoje, uma música qualquer, que gosto muito... para as pedras do nascedouro ouvirem... Toco na sua direção. As ovelhas ouvem-na primeiro, Mas a música é para as pedras do nascedouro, juro, e que se movem, suavemente, de um lado para o outro no ritmo e direção do som...
Olhos vivos, vestidos de chitas, corações despojados... Vida, muita vida ali, à beira do nascedouro. As ovelhas cantam, mostram-se com o seu belo que é belo. Gosto. Extasio-me, me delicio com a vida à beira do nascedouro.
O Som no Nascedouro
Meu som ecoa deslizando montanha adentro, vertendo os vales, fincando-se nas grutas. Visitando as rochas, rios, cachoeiras... Mistura-se com a vida da montanha... As pedras do nascedouro dançam ao novo som... Divertem-se ao pé de sua imponente mãe... Deixo o som lá. Ele se perde fugindo montanha a dentro como um cão fugidio, feliz... Importa não. O que vale mesmo é que vi o vale, o vale da minha vida, e percebi que sempre ao lado de um vale existe uma montanha imponente... Mas na Bicuda, tem mais...
Tem também um nascedouro de pedras...
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