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Violêro (Elomar)

Viramundo (Gil e Capinam)

Veja Margarida (Vital Farias)

Vide, Vida Marvada (Rolando Boldrin)

Vaca Estrela e Boi Fubá (Patativa do Assaré)


Violêro (Elomar)

Vô cantá no canturi primero
as coisa lá da minha mudernage
qui mi fizero errante e violêro
eu falo séro i num é vadiage
i pra você qui agora está mi ôvino
juro inté pelo Santo Minino
Vige Maria qui ôve o qui eu digo
si fô mintira mi manda um castigo
Apois pro cantadô i violero
só hai treis coisa nesse mundo vão
amô, furria, viola, nunca dinhêro
viola, furria, amô, dinhêro não
Cantadô di trovas i martelo
di gabinete, ligêra i moirão
ai cantadô já curri o mundo intêro
já inté cantei nas prtas di um castelo
dum rei qui si chamava di Juão
pode acriditá meu companhêro
dispois di tê cantado u dia intêro
o rei mi disse fica, eu disse não
Si eu tivesse di vivê obrigado
um dia inantes dêsse dia eu morro
Deus feis os homi e os bicho tudo fôrro
já vi iscrito no Livro Sagrado
qui a vida nessa terra é u'a passage
i cada um leva um fardo pesado
é um insinamento qui derna a mudernage
eu trago bem dent' do coração guardado
Tive muita dô di num tê nada
pensano qui êsse mundo é tud'tê
mais só dispois di pená pelas istrada
beleza na pobreza é qui vim vê
vim vê na procissão u Lôvado-seja
i o malassombro das casa abandonada
côro di cego nas porta das igreja
i o êrmo da solidão das istrada
Pispiano tudo du cumêço
eu vô mostrá como faiz o pachola
qui inforca u pescoço da viola
rivira toda moda pelo avêsso
i sem arrepará si é noite ou dia
vai longe cantá o bem da furria
sem um tustão na cuia u cantadô
canta inté morrê o bem do amô.


Viramundo (Gil e Capinam)

Sou vira mundo virado
na ronda das maravilhas
cortando a faca e facão
os desatinos da vida
gritando pra assustar
a coragem da inimiga
pulando pra não ser preso
pelas cadeias da intriga
prefiro ter todo vida
a vida como inimiga
a ter na morte da vida
minha sorte decidida

Sou viramundo virado
pelo mundo do sertão
mas inda viro esse mundo
em festa trabalho e pão
virado será o mundo
e viramundo verão
o virador desse mundo
astuto, mau e ladrão
ser virado pelo mundo
que virou por certidão
mais inda viro esse mundo
em festa, trabalho e pão BIS
em festa, trabalho e pão


Veja Margarida (Vital Farias)

Eu vou partir pra cidade garantida, proibida
arranjar meio de vida, Margarida
pra você gostar de mim
essas feridas da vida, Margarida
essas feridas da vida, amarga vida
pra você gostar de mim
Veja você,
arco-iris já mudou de cor )
uma rosa nunca mais desabrochou ) BIS
e eu não quero ver você )
com esse gosto de sabão na boca )
Veja meu bem, gasolina vai subir de preço
eu não quero nunca mais seu endereço
ou é o começo do fim... ou é o fim...
Eu vou partir
pra cidade garantida, proibida
arranjar meio de vida, Margarida
pra você gostar de mim
Essas feridas da vida, Margarida
essas feridas da vida, amarga vida
pra você gostar de mim
Essas feridas da vida, Margarida
essas feridas da vida, amarga vida
pra vocês gostar de nós...


Vide, Vida Marvada (Rolando Boldrin)

Corre um boato
aqui donde eu moro
Que as mágoas que eu choro
São mal ponteadas
Que no capim
mascado do meu boi
A baba sempre foi
santa e purificada
Diz que eu rumino
desde menininho
Fraco e mirradinho
a ração da estrada
Vou mastigando o mundo
e ruminando
E assim vou tocando
essa vida marvada
É que a viola fala alto no meu peito humano
E toda moda é um remédio pros meus desengano
É que a viola fala alto no meu peito, mano
E toda mágoa é um mistério fora deste plano
Prá todo aquele que só fala que eu não sei viver
Chega lá em casa
pruma visitinha
Que no verso e no reverso
da vida inteirinha
Hai de me encontrar
num cateretê
Hai de me encontrar
num cateretê
Tem um ditado
dito como certo
Que cavalo esperto
não espanta a boiada
E quem refuga
o mundo resmungando
Passará berrando
essa vida marvada
Compadi meu
que inveieceu cantando
Diz que ruminando
dá prá ser feliz
Por isso eu vagueio ponteando, e assim, procurando
a minha flor-de-liz
É que a viola fala alto...


Vaca Estrela e Boi Fubá (Patativa do Assaré)

Seu doutor, me dê licença
pra minha história contar
Hoje eu tô na terra estranha,
é bem triste o meu penar
Eu já fui muito feliz
vivendo no meu lugar
Eu tinha cavalo bom
e gostava de campear
Todo dia eu aboiava
na porteira do curral
Eeeeiaaaa, êeee Vaca Estrela, ôoooo Boi Fubá
Eu sou filho do Nordeste,
não nego meu naturá
Mas uma seca medonha
me tangeu de lá prá cá
Lá eu tinha o meu gadinho, não é bom nem imaginar
Minha linda Vaca Estrela
e o meu belo Boi Fubá
Aquela seca medonha
fez tudo se atrapalhar
Eeeeiaaaa, êeee Vaca Estrela, ôoooo Boi Fubá
Não nasceu capim no campo para o gado sustentar
O sertão se estorricou,
fez o açude secar
Morreu minha Vaca Estrela,
se acabou meu Boi Fubá
Perdi tudo quanto eu tinha, nunca mais pude aboiar
Eeeeiaaaa, êeee Vaca Estrela, ôoooo Boi Fubá


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© 1997, 1998 Fernando da Costa Grossi [email protected]


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