A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z


 

O Pidido (Elomar)

O Rapto de Juana do Tarugo (Elomar)

O Cio da Terra (Milton Nascimento e Chico Buarque)

O Violeiro Toca (Almir Sater/Renato Teixeira)


O Pidido (Elomar)

Já qui tu vai lá prá fêra
Traga di lá para mim
Água do fulô qui chêra
Um nuvelo e um carrin
Trais um pacote de misse
Meu amigo ah se tu visse
Aquele cego cantadô!
Um dia ele me disse
Jogano um mote de amô
Qui eu havéra de vivê
Pur esse mundo
E morrê ainda em flô

Passa naquela barraca
Daquela mulé reizêra
Qnde almuçamo paca
Panelada e frigidêra
Inté você disse vã lõa
Gabano a boia bôa
Qui das casas da cidade
Aquela era a primêra
Trais pra mim vãs brividade
Qui eu quero matá a sôdade
Fais tempo qui fui na fêra
Ai sôdade..

Apois sim vê se num isquece
Quinda nossa lua chêa
Nós vai brincá na quermesse
Lá no Riacho d'Arêa
Na casa daquêle home
Feitecêro e curadô
Qui o dia intêro e home
Fiiho de Nosso Sinhô
Mais dispois da mêa noite
É lubisome cumedô
Dos pagão qui as mãe isqueceu
Do batismo salvadô
E tem mais dois garrafão
Cum dois canguin responsadô

Apois sim vê se num isquece
De trazê ruge e carmim
Ah se o dinheiro desse!
Eu queria um tracilin
E rnais treis metro de chita
Qui é preu fazê um vistido
E ficá bem mais bunita
Qui Madô de Juca Dido
Qui Zefa de Iô Joaquim
Já qui tu vai Iá prá fêra
Meu amigo trais
Essas coisinhas para mim..


O Rapto de Juana do Tarugo (Elomar)

Infrentei fôsso muralha e os ferros dos portais
só pela graça da gentil senhora
filtrando a vida pelas grãos de ampulhetas mortais
d'além de tras-os-Montes venho
por campo de justas honrando este amor
me expondo à Sanha Sanguinária de côrtes cruéis
infrentei vilões no Algouço e em Senhores de Biscaia
fidalgos corpos de armas brunhidas
não temo escorpiões cruéis carrascos vosso pai
enfreado à porta do castelo
tenho meu murzelo ligeiro e alazão
que em lidas sangrentas bateu mil mouros infiéis
O Senhora dos Sarsais
minh'alma só teme ao Rei dos reis
deixa a alcôva vem-me à janela
O Senhora dos Sarsais
só por vosso amor e nada mais
desça da tôrre Naíla donzela
venho d'um reino distante, errante e menestrel
inda esta noite e eu tenho esta donzela
minha espada empenho a uma deã mais pura das vestais
aviai pois a viagem é longa
e já vim preparado para vos levar
já tarda e quase o minguante está a morrer nos céus
O Senhora dos Sarsais
minh'alma só teme ao Rei dos reis
deixa a alcôva vem-me à janela
O Senhora dos Sarsais
só por vosso amor e nada mais
desça da torre Juana tão bela
Naila donzela, Juana tão bela


O Cio da Terra (Milton Nascimento e Chico Buarque)

Debulhar o trigo
Recolher cada bago de trlgo
Forjar do trigo
o milagre do pão
E se fartar de pão
Decepar a cana
Recolher a garapa da cana
Roubar da cana
a doçura do mel
E se fartar de mel
Afagar a terra
Conhecer os desejos da terra
Cio da terra, propicia estação
E fecundar o chão


O Violeiro Toca (Almir Sater/Renato Teixeira)

Quando uma estrela cai
No escurão da noite
E um violeiro toca suas mágoas
Então os olhos dos bichos
Vão ficando iluminados
Rebrilham neles estrelas
De um sertão enluarado
Quando um amor termina
Perdido numa esquina
E um violeiro toca sua sina
Então os olhos dos bichos
Vão ficando entristecidos
Rebrilham neles lembranças
Dos amores esquecidos
Tudo é sertão, tudo é paixão
Se um violeiro toca
A viola e o violeiro
E o amor se tocam
Quando um amor começa
Nossa alegria chama
E um violeiro toca em nossa cama
Então os olhos dos bichos
São os olhos de quem ama
Pois a natureza é isso
Sem medo, nem dó,
nem drama...


[Volta ao Início] [Página Principal]


Qualquer sugestão será bem-vinda!
Se puder colaborar com Letras de Músicas, Fotos, Cifras, Partituras, enfim, qualquer material que possa complementar estas páginas, por favor entre em contato!!!

© 1997, 1998 Fernando da Costa Grossi [email protected]


This page hosted by Get your own Free Home Page

Hosted by www.Geocities.ws

1