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Dassanta (Elomar)

Deserança (Elomar)

Desafio (Fragmentos do Auto da Catingueira) (Elomar)

Desafio versão Cantoria 1 (Fragmentos do Auto da Catingueira) (Elomar)

Desafio versão Cantoria 2 (Fragmentos do Auto da Catingueira) (Elomar)

De Papo pro Á (Joubert de Carvalho / Olegário Mariano)


Dassanta (Elomar)

Mais o pió qui era qui sua buniteza
virô u'a besta fera naquelas redondeza
in todas brincadêra adonde ela chegava
as mulé dancadêra assombrada ficava
já pois dela nas fêra os cantadô dizia
qui a dô e as aligria na sombra dela andava
e adonde ela tivesse a véa da foice istava
a véa da foice istava
in todas as brincadêra adonde ela ia
iantes dela na frente as aligria
dispois só se uvia era o trincá dos ferro
as mãe soltano uns berro
chorano mal dizia
e triste no ôtro dia
era só chôro e intêrro
chôro e intêrro (bis)
Dassanta era bunita qui inté fazia horrô
no sertão prú via dela
muito sangue derramô
conta os antigos quela
dispois da rnorte virô
passú das asa marela
jaçanã pomba fulô
fulô rôxa do panela
só lá tem essa fulô

dispois da morte virô
pássu japiassoca assú... (bis)


Deserança (Elomar)

Já não sei mais o que é fazer contas
até já perdi as contas
dos cantos dos rios das contas
que meu peito amor, cantou
perdido de amor por ti
já nem me lembro quantas cantigas
quantas tiranas amiga
na viola padeci
também não sei mais quantos foram
os luares que passaram
pelo vão dessa janela
indagando suplicantes
frios, pálidas, dementes,
onde anda a amiga aquela
vieste de longe eras tão linda
como se hoje lembro ainda
a mansitude da manhã
foi tua vinda amiga vã
dói-me no peito ao relembrar
já não tem jeito a vida é vã
que deserança ó minha irmã
mas apesar de tudo desfeito
de tanto sonho morto que num tem mais jeito
tombando a ladeira
já pela descida
na tarde da vida
rompo satisfeito
foste na jornada
a jornada perdida
meu amor pretérito mais que perfeito


Desafio (Fragmentos do Auto da Catingueira) (Elomar)

Cantador do Nordeste (Xangai):
Sinhores dono da casa
o cantadô pede licença
prá puxá a viola rosa
aqui na vossa presença
venho da banda do Norte
cum pirmissão da sentença
cumprino mia sina forte
já por muitos cunhicida
buscano a inlusão da vida
ou os cutelo da morte
e das duas a prifirida
a qui mim mandá a sorte.
Já qui nunciei quem sô
dêxo meu convite feito
pra qualqué dos cantadô
do qui se dá pur respeito
aqui qui pru acaso teja
nessa função de aligria
e prá qui todos me veja
pucho alto a cantoria
nessa viola de peleja
qui quano num mata aleja
cantadô de arrilia
só na iscada dua igreja
labutei cua duza um dia
cinco morrêro d'inveja
treis de avêcho, um de agunia
matei os bichos cum mote
qui já me deu treis muié
é a história dum cassote
cum cuati e cum saqué
o cassote com um pote
cuô pru cuati um café
iantes ofreceu um lote
num saco prá o saqué
o saqué secô o pote
dexô o cuati só cua fé
di qui dent do tal pote
inda tinha algum café
e xispô sambano um xote
o inxavido do saqué
qui cuati quá qui cassote
boto o bicho e bato um bote
o qui é qui o saqué qué
iantes porém aviso
sô malvado num aliso
triste ô feliz é o cantadô
queu apanhá prá dá o castigo
apois quem canta cumigo
sai difunto ô sai dotô.

Tropeiro (Elomar):
Sinhô cantadô chegante
me adisculpa o tratamento
nessa hora nesse instante
mêrmo aqui nesse momento
tá um cantô sinificante
sem fama sem atrivimento
qui num é muit falante
nem de muit cunhicimento
mais prá titos e valintia
só trais ua viola na mão
falta o iluste cumpanhêro
marcá o lugá da prufia
se lá fora no terrêro
ô aqui mêrmo no salão.

Cantador (Xangai):
Vamo logo mão a obra
dexa as bestage de lado
qui a lua já feiz manobra
no seu campo alumiado
vosmicê qui sois daqui
vai dexano ispilicado
as moda dos cantori
qui lhe é mais agradado
se vamo cantá o moirão
o martelo ô a tirana
ô a ligêra sussarana
parcela de mutirão
ô intonce ao invéis
a obra de nove peis
de oite sete ô seis
ô se deiz pés em quadrão
vamo logo mão a obra
dêxa esas coisa de lado
camo cantá no salão
tô mais riuna qui a cobra
qui trais no rabo incravado
um invenenado ferrão.

Tropeiro (Elomar):
Apois sim tá certo vamo
cantá qualqué canturia
num me deito nem me acamo
prá arrotá sabiduria
vamo cantá meu amigo
as moda qui tô chegano
num corremo assim o pirigo
de tá sempre ispilicano
prêsse povo qui eu digo
inducado iscutano
apois prá intendê parcela
martelo ô côco tiran
tem qui baté mil cancela
na istrada dos disingan
e ainda purriba tem
qui sabê sofrê e isperá
mêrmo saben qui num vem
as coisa do seu sonhá
na istrada dos disingano
andei de noite e de dia
a pois sim tá certo vamo
cantá qualqué canturia.

Cantador (Xangai):
Na istrada dos disingano
andei de noite e de dia
inludido percurano
aprendê o qui num sabia
quano eu era moço um dia
arrisulví sai andano
pula istrada da aligria
a aligria percurano
curri doido atrais dela
entrô ano saui ano
bati mais de mil cancela
na istrada dos disingano

Cantador (Xangai):
Todo cantadô errante
trais nos peito ua marzela
nas alma lua minguante
istrada e som de cancela
Fonte qui ficô distante
qui matava a sêde dela
e o coração mais discrente
dos amô da catinguêra
Ai o amô é ua serepente
esse bicho morde a gente
vamo pois cantá parcela
daindá daindá daindá

Tropeiro (Elomar):
Eu sô cantadô de côco
eu num canto parcela
parcela é feiticêra
eu corro as légua dela
ai, ai, ai, ai,
chegano num lugá
adonde têja ela
eu vô me adisculpano
e dano nas canela
daindá, daindá, daindá,
cunhici um cantadô
distimido e valente
qui mangava do amô
e zombava a fé dos crentes
mais um dia ele topô
nos batente dua jinela
com o bicho do amô
mucama pomba e donzela
e o cantadô aos pôco
foi se paxonano pru ela
té qui um dia ficô lôco
de tanto cantá parcela
e hoje véve pela istrada
rismungano qui a culpada
foi a mucama da jinela
daindá, daindá, daindá.
eu sô cantadô de côco
apois quem canta parcela
corre um risco São Francisco
morre doido cantan ela
daindá, daindá, daindá...


Desafio versão Cantoria 1 (Fragmentos do Auto da Catingueira) (Elomar)

Cantador do Nordeste (Xangai):
Sinhores dono da casa
o cantadô pede licença
prá puxá a viola rosa
aqui na vossa presença
venho da banda do Norte
cum pirmissão da sentença
cumprino mia sina forte
já por muitos cunhicida
buscano a inlusão da vida
ou os cutelo da morte
e das duas a prifirida
a qui mim mandá a sorte.
Já qui nunciei quem sô
dêxo meu convite feito
pra qualqué dos cantadô
do qui se dá pur respeito
aqui qui pru acaso teja
nessa função de aligria
e prá qui todos me veja
pucho alto a cantoria
nessa viola de peleja
qui quano num mata aleja
cantadô de arrilia
só na iscada dua igreja
labutei cua duza um dia
cinco morrêro d'inveja
treis de avêcho, um de agunia
matei os bichos cum mote
qui já me deu treis muié
é a história dum cassote
cum cuati e cum saqué
o cassote com um pote
cuô pru cuati um café
iantes ofreceu um lote
num saco prá o saqué
o saqué secô o pote
dexô o cuati só cua fé
di qui dent do tal pote
inda tinha algum café
e xispô sambano um xote
o inxavido do saqué
qui cuati quá qui cassote
boto o bicho e bato um bote
o qui é qui o saqué qué
iantes porém aviso
sô malvado num aliso
triste ô feliz é o cantadô
queu apanhá prá dá o castigo
apois quem canta cumigo
sai difunto ô sai dotô.

Tropeiro (Elomar):
Sinhô cantadô chegante
me adisculpa o tratamento
nessa hora nesse instante
mêrmo aqui nesse momento
tá um cantô sinificante
sem fama sem atrivimento
qui num é muit falante
nem de muit cunhicimento
mais prá titos e valintia
só trais ua viola na mão
falta o iluste cumpanhêro
marcá o lugá da prufia
se lá fora no terrêro
ô aqui mêrmo no salão.

Cantador (Xangai):
Vamo logo mão a obra
dexa as bestage de lado
qui a lua já feiz manobra
no seu campo alumiado
vosmicê qui sois daqui
vai dexano ispilicado
as moda dos cantori
qui lhe é mais agradado
se vamo cantá o moirão
o martelo ô a tirana
ô a ligêra sussarana
parcela de mutirão
ô intonce ao invéis
a obra de nove peis
de oite sete ô seis
ô se deiz pés em quadrão
vamo logo mão a obra
dêxa esas coisa de lado
camo cantá no salão
tô mais riuna qui a cobra
qui trais no rabo incravado
um invenenado ferrão.

Tropeiro (Elomar):
Apois sim tá certo vamo
cantá qualqué canturia
num me deito nem me acamo
prá arrotá sabiduria
vamo cantá meu amigo
as moda qui tô chegano
num corremo assim o pirigo
de tá sempre ispilicano
prêsse povo qui eu digo
inducado iscutano
apois prá intendê parcela
martelo ô côco tiran
tem qui baté mil cancela
na istrada dos disingan
e ainda purriba tem
qui sabê sofrê e isperá
mêrmo saben qui num vem
as coisa do seu sonhá
na istrada dos disingano
andei de noite e de dia
a pois sim tá certo vamo
cantá qualqué canturia.

Cantador (Xangai):
Na istrada dos disingano
andei de noite e de dia
inludido percurano
aprendê o qui num sabia
quano eu era moço um dia
arrisulví sai andano
pula istrada da aligria
a aligria percurano
curri doido atrais dela
entrô ano saui ano
bati mais de mil cancela
na istrada dos disingano

Cantador (Xangai):
Todo cantadô errante
trais nos peito ua marzela
nas alma lua minguante
istrada e som de cancela
Fonte qui ficô distante
qui matava a sêde dela
e o coração mais discrente
dos amô da catinguêra
Ai o amô é ua serepente
esse bicho morde a gente
vamo pois cantá parcela
daindá daindá daindá

Tropeiro (Elomar):
Eu sô cantadô de côco
eu num canto parcela
parcela é feiticêra
eu corro as légua dela
ai, ai, ai, ai,
chegano num lugá
adonde têja ela
eu vô me adisculpano
e dano nas canela
daindá, daindá, daindá,
cunhici um cantadô
distimido e valente
qui mangava do amô
e zombava a fé dos crentes
mais um dia ele topô
nos batente dua jinela
com o bicho do amô
mucama pomba e donzela
e o cantadô aos pôco
foi se paxonano pru ela
té qui um dia ficô lôco
de tanto cantá parcela
e hoje véve pela istrada
rismungano qui a culpada
foi a mucama da jinela
daindá, daindá, daindá.
eu sô cantadô de côco
apois quem canta parcela
corre um risco São Francisco
morre doido cantan ela
daindá, daindá, daindá...


Desafio versão Cantoria 2 (Fragmentos do Auto da Catingueira) (Elomar)

Sinhores dono da casa
o cantadô pede licença
prá puxá a viola rasa
aqui na nossa presença
venho das banda do Norte
cum pirmissão da sentença
cumpri mia sina forte
já por muitos cunhicida
buscano a inlusão da vida
ou os cutelo da morte
e das duas a prifirida
a qui mim mandá a sorte
Já qui nunciei quem sô
dêxo meu convite feito
pra qualqué dos cantadô
dos qui se dá pur respeito
aqui qui pru acaso teja
nessa função de aligria
e prá qui todos me veja
pucho alto a cantoria
nessa viola de peleja
qui quano num mata aleja
cantadô de arrilia
Só na iscada dua igreja
labutel cua duza um dia
cinco morrêro d'inveja
treis de avêcho, um de agunia
matei os bichos cum mote
qui já me deu treis muié
é a história dum cassote
cum cuati e com saqué
o cassote com um pote
cuô pru cuati um café
Iantes ofreceu um lote
num saco prá o saqué
o saqué secô o pote
dexô o cuati só cua fé
di qui dent do tal pote
inda tinha algum café
e xispô sambano um xote
o inxavido do saqué
qui cuati quá qui cassote
boto o bico e bato um bote
o qui é qui o saqué qué
Iantes porém aviso
sô malvado num aliso
triste ô filiz é o cantadô
queu apanhá prá dá o castigo
apois quem canta cumigo
sai difunto ô sai dotô.
Sinhô cantadô chegante
me adisculpa o tratamento
nessa hora nesse instante
mêrmo aqui nesse momento
tá um cantô sinificante
sem fama sem atrevimento
qui num é muit falante
nem de muit cunhicimento
mais prá titos e valintia
só trais ua viola na mão
falta o ilustre companhêro
marcáo o lugá da prufia
se lá fora no terrêro
O aqui mêrmo no salão.

Repente (Vital Farias)
Eu peço licença aos senhores
pra cantar nesse salão
pois viver de cantoria
é a minha profissão
eu vou falar pra vocês
não é francês, nem inglês
é apenas o português
que aprendi no meu sertão

Novena (G. Azevedo/ Marcus Vinicius)
Nas horas de Deus amém
Padre, Filho, Espirito Santo
essa é a primeira cantiga
que nessa casa eu canto...


De Papo pro Á (Joubert de Carvalho / Olegário Mariano)

Não quero outra vida
Pescando no rio de Gereré
Tenho peixe bom
Tem siri patola
De dá com o pé
Quando no terreiro
Faz noite de luá
E vem a saudade
Me atormentá
Eu me vingo dela
Tocando viola
De papo pro á
Se compro na feira
Feijão, rapadura
Prá que trabaiá
Eu gosto do rancho
O homem não deve se amofiná.


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© 1997, 1998 Fernando da Costa Grossi [email protected]


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