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Cantiga de Amigo (Elomar)

Cantiga do Estradar (Elomar)

Cantiga do Boi Incantado (Elomar)

Cantilena de Lua Cheia (Vital Farias)

Curvas do Rio (Elomar)

Clariô (Elomar)

Caravana (Geraldo Azevedo/Alceu Valença)

Chalana (Mario Zan/Arlindo Pinto)

Canto do Povo de um Lugar (Caetano Veloso)

Calix Bento (Folclore adaptado por Tavinho Moura)

Canto de Guerreiro Mongoió (Elomar)

Corban (Elomar)


Cantiga de Amigo (Elomar)

Lá na casa dos Carneiros
Onde os violeiros vão cantar louvando você
Em cantiga de amigo
Cantando comigo somente porque você é
Minha amiga, mulher
Lua nova do céu que já não me quer
Dezessete é minha conta
Vem amiga e conta uma coisa linda pra mim
Conta os fios dos teus cabelos
Sonhos e anelos
Conta-me se o amor não tem fim
Madre amiga é ruim
Me mentiu jurando amor que não tem fim
Lá na casa dos Carneiros
Sete candeeiros iluminam a sala de amor
Sete violas em clamores, sete cantadores
São sete tiranas de amor para a amiga
Em flor
Que partiu e até hoje não voltou
Dezessete é minha conta
Vem amiga e conta
Uma coisa linda pra mim
Pois na casa dos Carneiros
Violas e violeiros
Só vivem clamando assim
Madre amiga é ruim
Me mentiu jurando amor que não tem fim


Cantiga do Estradar (Elomar)

Tá fechando sete tempo qui miã vida é camiá
Pulas istrada do mundo dia e noite sem pará
Já visitei os sete rêno adonde eu tiã qui cantá
Sete didal di veneno traguei sem pestanejá
Mais duras penas só eu vêno ôtro cristão pra suportá
Só irirmão do sufrimento de pauta véa c'a dô
Ajuntei no isquicimento o qui o baldono guardô
Meus meste na istrada e o vento quem na visa mi insinô
Vô me alembrano va viage das pinura qui passei
Daquelas duras passage nos lugari adonde andei
Só de pensá me dá friage nos sucesso que assentei
Na miã lembrança ligião de condenados nos grilhão acorrentados
Nas trevas da inguinorânça sem a luz do grande Rei
Tudo isso eu vi nas miã andança nos tempo que eu bascuiava o trecho alei
Tô de volta já faiz tempo qui dexei o meu lugá
Isso si deu cuano moço qui eu sai a percurá
Nas inlusão que hai no mundo nas bramura qui hai pru lá
Saltei pur prefundos poço qui o tinhoso tem pru lá
Jesus livrô derna d'eu môço do raivoso me panhá
Já passei pur tantas prova inda tem prova a infrentá
Vô cantano miã trovas qui ajuntei no caminhá
Lá no céu vejo a luã nova cumpaniã do istradá
Ele insinô qui nóis vivesse a vida aqui só pru passá
Nóis intonce invitasse o mau disejo e o coração
Nóis prufiasse pra sê branco inda mais puro
Qui o capucho do algodão
Qui num juntasse dividisse nem negasse a quem pidisse
Nosso amô o nosso bem nosso terém nosso perdão
Só assim nóis vê a face ogusta do qui habita os altos céus
O piedoso o manso o justo o fiel e cumpassivo
Siõ de mortos e vivos nosso pai e nosso deus
Disse qui haverá de voltá cuano essa terra pecadora
Marguiada im transgressão tivesse chêa de violença
De rapina de mintira e de ladrão


Cantiga do Boi Incantado (Elomar)

Êêêê... boi encantado e aruá
Ê boi, quem haverá de pegá
Na mia vida de vaquêro vagabundo
Já nem dô conta dos perigos que infrentei
Apois qui das nação de gado qui ai no mundo
Num tem um só boi qui num peguei

Êêêê... boi encantado e aruá
Ê boi, quem haverá de pegá
Eu vim de longe, bem prá lá daquela serra
Qui fica adonde as vista num pode alcançar
Ricumendado dos vaquêro de mia terra
Pra nessas banda eles nóis representá
Alas qui viemo in dois eu e mais ventania
o mais famado dos cavalo do lugá
Meu sabaruno rei do largo e do grotão
Vê si num isquece da premessa qui nóis feiz
Naquela quadra de terra laço e moirão
Na luz da tarde os olhos dela e meu cantá
A mais bunita de brumado ao pancadão
Juremo a ela viu pegá boi aruá

Êêêê... boi encantado e aruá
Ê boi, quem haverá de pegá
De indubrasil nerol' xuite guadimá
Moura junquêro pintado nuve e alvação
Junquêro giz peduro landreis e malabá
Pintado laranja rajado lubião
Boi de gabarro banana môcho armado
De curralêro ao levantado e barbatão
De todos boi qui ai no mundo já peguei
Afora lá ele qui tem parte cum cão
O tal boi bufa cum esse nunca labutei
E o incantado que distinemo a pegá

Êêêê... boi encantado e aruá
Ê boi, quem haverá de pegá


Cantilena de Lua Cheia (Vital Farias)

Deus esteja nesta casa
Em formato e coração
Coração feito um menino
Nordestino o destino

Na janela um pé de rosa
Beija-flor beija o quintal,
Bem te vi, te vi, te vejo
Que o desejo é natural

Companheiro, camarada
Nessa estrada da canção
Cantilenas, dissabores
E os amores vão

Violeiro quando toca
As cordas do coração
Ficam presas entre abraços
Nos acordes na canção

Vem que a Lua já é cheia
Tece a veia inspiração
Passa lenta a passarada Passará, não passará
Cantilena de Lua Cheia
Cantilena de Lua Cheia
Cantilena de Lua, de luar de Lua Cheia


Curvas do Rio (Elomar)

Vô corrê trecho
Vô percurá u'a terra
preu pudê trabaiá
prá vê se dêxo
essa minha pobre terra
véia discansá
foi na Monarca
a primeira dirrubada
dêrna d'intão é sol é fogo
é tái d'inxada
me ispera, assunta bem
inté a bôca das água qui vem
num chora conforma mulé
eu volto se assim Deus quisé
Tá um apêrto
mais qui tempão de Deus
no sertão catinguêro
vô dea um fora
só dano um pulo agora
in Son Palo Tring'Minêro
é duro môço
êsse mosquêro na cozinha
a corda pura e a cuia sem
um grão de farinha
A bença Afiloteus
te dêxo intregue
nas guarda de Deus
Nocença ai sôdade viu
pai volta prás curva do rio
Ah mais cê veja
num me resta mais creto
prá um furnicimento
só eu caino
nas mãos do véi Brolino
mêrmo a deis pur cento
é duro môço
ritirá prum trecho alei
c'ua pele no osso e as alma
nos bolso de véi
me ispera, assunta viu
sô imbuzêro das bêra do rio
conforma num chora mulé
eu volto se assim Deus quisé
num dêxa o rancho vazio
eu volto prás curva do rio.


Clariô (Elomar)

Ai clariô, ai clariá
é a claridade
da barra do dia
que vai chegá
Ai clariô, ai ai clariô

Purriba do lagêdo o luá chegô
ja cá na Cabicêra a função pispiô
amiã cedo a lua já entrô
eu vô passá a noite intêra
cantano clariô
e eu qui vim só
só pra vê meu amô
sei que vô ficá só
pois ela num chegô
Ai clariô, ai ai clariô

As baronêsa já abriu as fulô
nos catre e nas marquêsa as figura sentô
a pé de bode abriu asa e cantô
nas baxa e nas verêda seu canto raiô
e eu qui vim só
só pra vê meu amô
sei que vô ficá só
pois ela num chegô
Ai clariô, ai ai clariô


Caravana (Geraldo Azevedo/Alceu Valença)

Corra, não pare, nã pense demais
repara essas velas no cais
que a vida é cigana
e caravana, é pedra de gêlo, ao sol
degelou teus olhos tão sós
no mar de água clara (BIS)


Chalana (Mario Zan/Arlindo Pinto)

Lá vai uma chalana
Bem longe se vai
Navegando no remanso
Do rio Paraguai
Oh! Chalana sem querer
Tu aumentas minha dor
Nestas águas tão serenas
Vai levando meu amor
E assim ela se foi
Nem de mim se despediu
A chalana vai sumindo
Na curva lá do rio
E se ela vai magoada
Eu bem sei que tem razão
Fui ingrato eu feri
O seu pobre coração


Canto do Povo de um Lugar (Caetano Veloso)

Todo dia o sol levanta
E a gente canta
o sol de todo dia
Fim da tarde a terra cora
E a gente chora
porque finda a tarde
Quando a noite a lua amansa
E a gente dança
venerando a noite.


Calix Bento (Folclore adaptado por Tavinho Moura)

Ó deus salve o oratório
Ó deus salve o oratório
Onde deus fez a morada,
Oi, ai, meu deus
Onde deus fez a morada, oi, ai
Onde mora o Calix Bento
Onde mora o Calix Bento
E a hóstia consagrada,
Oi, ai, meu deus
E a hóstia consagrada, oi, ai
De Gessé nasceu a vara
De Gessé nasceu a vara
Da vara nasceu a flor,
Oi, ai, meu deus
Da vara nasceu a flor, oi, ai
E da flor nasceu Maria
E da flor nasceu Maria
De Maria o salvador,
Oi, ai, meu deus
De Maria o salvador, oi, ai


Canto de Guerreiro Mongoió (Elomar)

Uíure iquê uatapí qui apecatú piaçaciara
unheên uaá uicú arauaquí ára uiúre ianêiara
depois, depois de muitos anos
voltei ao meu antigo lar
desilusões qui disinganos
não tive onde repousar
cortaram o tronco da palmeira
tribuna de um velho sabiá
e o antigo trongo da oliveira
jogando num canto prá lá
qui ingratidão prá lá
adeus vô imbora prá tromba
lá onde maneca chorô
de lá vô ino prú Ramalho
prú vale verde do Yuyú
um dia bem criança eu era
ouvi um velho contador
sentado na praça da bandeira
que vela a tumba dos heróis
falou do tempo da conquista
da terra pelo invasor
qui em inumanas investidas
venceram os índios mongoiós
valentes mongoiós
falou de antigos cavaleiros
primeiros a fazer um lar
no vale do gibóia no outeiro
filicia,coati,tamanduá
pergunto então cadê teus filhos
os homens de opinião
não doi-te vê-los no exílio
errantes em alheio chão
nos têrmos da virgem imaculada
não vejo mais crianças ao luar
por estas me bato em retirada
vou ino cantar em outro lugar
cantá prá não chorar
adeus vô embora prá sombra
do Vale do Rio Gavião
no peito levarei teu nome
tua imagem nesta canção
por fim já farto de tuas manhas
teus filtros tua ingratidão
de deixo entregue a mão estranhas
meus filhos não vão te amar não
e assim como a aguá dexa a fonte
também te dexo prá não mais
do exílio talvez inda te cante
das flores a noiva entre os lencóes
dos brancos cafezais
adeus,adeus meu-pé-de-serra
querido berço onde nasci
se um dia te fizerem guerra
teu filho vem morrer por ti .


Corban (Elomar)

São sete mil léguas
imendada de camin
prêsse mundão largo
sem portêra vem o fim
só vejo na terra a moRte a rondá
peste mil infermidades
fome e guerra ai de mim
mil ventos da morte
estroncios letais
sete vacas magras
tragam as gordas nos currais
pelos sete cravos
das chagas do Siô
lastimos meus êrros
de grande pecadô
geme a terra ao rebentá das covas
branca e lira
mia noiva é a lua nova
ao sol peço clemença
qui esse chão quêma meus pé
quatro cavaleiros
de olhares crueis
prontos pra peleja
já cavalgam seuS corceis
de olhos para os ceus
só ispero Cristo vim
eis qui chegam os maus
tempos do grande fim
treme a terra pela última veiz
ais lamento
é vindo o Rei dos Reis
sol nunca seca meu pranto
qui é preu refrescá meus péis


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© 1997, 1998 Fernando da Costa Grossi [email protected]


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