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Na Estrada das Areias de Ouro (Elomar)

Na Quadrada das Águas Perdidas (Elomar)

Novena (Geraldo Azevedo/Marcus Vinicius)


Na Estrada das Areias de Ouro (Elomar)

Lá dentro no fundo do sertão
Tem uma estrada das areias de ouro
Por onde andaram
Outrora senhores-de-engenho
E de muitas riquezas
Escravos e Senhoras
Naquelas terras imensas
De Nosso Senhor
Lá dentro no fundo do sertão
Tem uma estrada das areias de ouro
E contam que em noites
De lua pela estrada encantada
Uma linda sinhazinha
Vestida de princeza
Perdida sozinha vagueia
Pelas areias
Guardando o ouro
De seu pai, seu senhor
Aquele fidalgo que o tempo levou
Pras banda do mar de pó
E hoje que tudo passou
A linda sinhazinha
Encantada ficou
Lá dentro no fundo da sertão
Na estrada das areias de ouro.


Na Quadrada das Águas Perdidas (Elomar)

Da Carantonha mili légua a caminhã
muito mais, inda mais, muito mais
da Vaca Seca, Sete Varge inda p'ra lá
muito mais, inda mais, muito mais
Dispois dos derradêro cantão do sertão
lá na quadrada das águas perdida
Reis, Mãe-Senhora
beleza isquicida
bens,a lagoa arriscosa função
O Câindo chiquera as cabra mais cedo
aparta Lubião, esse bode malvado,
travanca o chiquêro
ti avia a cuidar
alas qui as polda di sheda rincharo ao luã
na madrugada suadas de medo pr'á lá
Runcas levando acesas candeia inlusão
Da Carantonha mili légua a caminhá
mil badaronha tem qui tê pr'á chegá lá
Sete jinela sete sala um casarão
Iaço dos Moura
Varge dos trumento
Velhos Domingos
Casa das Sarmentos
Moças, sinhoras
Mitriosa função
Dá pressa in guilora a ingomá nossos terno
Albarda as jumenta cum as capa ds inverno
cuida as ferramenta num dexa ela vê
Si não pode ela num anuí nois í
Onte pr'os norte de Mina o relampo raiô
Mucadim a mãe do ri as águas já tomó
anda muntemo o mondengo pr's nois i pr'á lá


Novena (Geraldo Azevedo/Marcus Vinicius)

Nas horas de Deus amém
Padre, Filho, Espírito Santo
essa é a primeira cantiga
que nessa casa eu canto

Sei que são nove dias nove penas
enquanto a espera aumenta
o mundo se faz esquecido
na terra dos homens
de luzes coloridas

Enquanto a família reza novena
as notícias que montam cavalos ligeiros
vão tomando todo mundo
e na casa no lar
esquecidos ficam todos longe de saber
o que foi que aconteceu
e ali ninguém percebeu
tanta pedra de amor cair
tanta gente se partir
no azul dessa incrível dor
enquanto a família reza alguém
segue a novena
no abismo de preces repetidas
no sossego de uma agonia sem fim

Enquanto a família reza novena
nove dias se passam marcados
sem tempo sem nada e sem fim
no meio do mundo, do medo
e de mim despedaçado em tanto verso
então de orações a sala se faz
e lá fora se esquece a paz
uma bomba explodiu por lá
sobre os olhos de meu bem
e assim me mata também
enquanto a novena chega ao fim
bandas bandeiras
benditos passando pela vida
e a novena se perde esquecida de nós

Nas horas de Deus amém
Padre, Filho, Espírito Santo
essa é a primeira cantiga
que nessa casa eu canto


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© 1997, 1998 Fernando da Costa Grossi [email protected]


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