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Sete Cantigas para Voar (Vital Farias)
Semente de Adão (Geraldo Azevedo/Carlos Fernando)
Saga da Amazônia (Vital Farias)
Sabor Colorido (Geraldo Azevedo)
Saga de Severinin (Vital Farias)
Seresta Sertaneza (Elomar)
Sete
Cantigas para Voar
(Vital Farias)
Cantiga de campo
de concentração
a gente bem sente
com precisão
mas recordo a tua imagem
naquela viagem
que eu fiz pro sertão
eu que nasci na floresta
canto e faço festa
no seu coração
voa, voa, azulão...
Cantiga de roça
de cego apaixonado
cantiga de moça
lá do cercado
que canta a fauna e a flora
e ninquém ignora
se ela quer brotar
bota uma flor no cabelo
com alegria e zelo
para não secar
voa, voa no ar...
Cantiga de ninar
a criança na rede
mentira de água
é matar a sede:
diz pra mãe que eu fui pro açude
fui pescar um peixe
isso eu num fui não
tava era com um namorado
pra alegria e festa
do meu coração
voa, voa azulão...
Cantiga de índio
que perdeu sua taba
no peito esse incêndio
céu não se apaga
deixe o índio no seu canto
que eu canto um acalanto
faço outra canção
deixe o peixe, deixe o rio
que o rio é um fio de inspiração
voa, voa, azulão...
Semente de
Adão (Geraldo
Azevedo/Carlos Fernando)
Eles todos hinos cantaram...
entre jardins e bandeiras
e quase fome e sede passaram...
do cais até o sertão
na cidade e na roça
divididos calados
eles todos sonhos sonharam...
todos sonhos sonharão BIS
um o martelo batendo
o outro esperando chover
sua filha a colher
a semente de Adão
eles todos sonhos sonharam...
todos sonhos sonharão BIS
um a navalha na barba
o outro deixa o fio crescer
pra seu filho aprender
do repente soltar
uma nova canção
que fale do novo
no velho planeta
Saga da
Amazônia (Vital
Farias)
Era uma vez na AMAZONIA, a mais bonita floresta
mata verde, céu azul, a mais imensa floresta
no fundo d'água as IARAS, caboclo lendas e mágoas
e os rios puxando as águas.
PAPAGAIOS, PERIQUITOS, cuidavam de suas cores
os peixes singrando os rios, Curumins cheios de amores
sorria o JURUPARI, UIRAPURU, seu porvir
era: FAUNA, FLORA, FRUTOS e FLORES.
Toda mata tem calpora para a mata vigiar
veio CAIPORA de fora para a mata definhar
e trouxe DRAGÃO-DE-FERRO, prá comer muita madeira
e trouxe em estilo GIGANTE, prá com a capoeira.
Fizeram logo o projeto sem ninguém testemunhar
prá o DRAGÃO cortar madeira e toda mata derrubar:
se a floresta meu amigo tivesse pé prá andar
eu garanto meu amigo, com o perigo não tinha ficado lá.
O que se corta em segundos gasta tempo prá vingar
e o fruto que dá no cacho pra gente se alimentar??
depois tem o passarinho, tem o ninho, tem o ar
IGARAPE, rio abaixo, tem riacho e esse rio que é um mar.
Mas o DRAGÃO continua a floresta devorar
e quem habita essa mata prá onde vai se mudar???
Corre INDIO, SERINGUEIRO, PREGUIÇA, TAMANDUA
TARTARUGA, pé ligeiro, corre-corre TRIBO DOS KAMAIURA
No lugar que havia mata, hoje há perseguição
grileiro mata posseiro só prá lhe roubar seu chão
castanheiro, seringueiro já viraram até peão
afora os que já morreram como ave-de-arribação
Zé de Nana tá de prova, naquele lugar tem cova
gente enterrada no chão:
Pois mataram INDIO que matou grileiro que matou posseiro
disse um castanheiro para um seringueiro que um estrangeiro
ROUBOU SEU LUGAR
Foi então que um VIOLEIRO chegando na região
ficou tão penalizado e escreveu essa CANÇÃO
e talvez, desesperado com tanta DEVASTAÇÃO
pegou a primeira estrada sem rumo, sem direção
com olhos cheios de águas, sumiu levando essa mágoa
dentro do seu CORAÇÃO.
Aqui termino essa hitória para gente de valor
prá gente que tem memória muita crença muito amor
prá defender o que ainda resta sem rodeio, sem aresta
ERA UMA FLORESTA NA LINHA DO EQUADOR.
Sabor Colorido (Geraldo Azevedo)
Mel, eu quero mel,
quero mel de toda flor
da rosa rosa rosa amarela incarnada
branca como cravo, lírio e jasmim
eu quero mel pra mim
Mel, você quer mel?
quero mel de toda flor
da margarida sempre viva viva
gira gira girassol
se te dou mel pode pintar perigo
e logo aqui no meu quintal
cuidado pode pintar formiga, viu?
Mel, eu quero mel,
quero mel de toda flor
colorido sabor do mel de toda flor
antes que um passarinho avetureiro
que beija um beijo doce sabor
sabor colorido
Mel, eu quero mel,
quero mel de toda flor
da assussena, violeta, flor de lis
flor de Lótus, flor de cáctus
flor do pé de buriti
dália, papoula, crisântemo
sonho maneiro, sereno, fulô de madacarú
fulô de marmelo, fulô de catingueira
fulô de laranjeira, fulô de jatobá
das imburanas, baraúnas, pé de cana,
xique xique, mel de cana, cana do canavial
vem de má um mel
que eu quero me lambuzar
Mel, eu quero mel,
quero mel de toda flor
colorido sabor do mel de toda flor
antes que um passarinho aventureiro
que beija um beijo doce sabor
sabor colorido... Mel.
Saga de
Severinin (Vital
Farias)
Peço atenção dos senhores
pra história que eu vou contar
falo de Severinin lavrador tão popular
que morava numa palhoça
e cultivava uma roça perto de Taperoá
e Sevirinin todo dia lavrava a terra macia
e terra lavrava é poesia
Mexe com a mão na terra
sobe essa serra corta esse chão
planta que a planta ponte
por esses montes lá d'algodão
Severinin vivia até feliz
enchendo os olhos com bem de raiz
e mesmo a plantação tava bonita em flor
e a seu lado sua companheira
tinha o seu amor
Mas como diz o ditado e haverá de se esperar
depois de tudo plantado
fazendeiro pede pra Severinin desocupar
Já tinha até fruta madura
jirimum enrramando no terreiro
e tinha até um passarinho
que além de ser seu vizinho
ficou muito companheiro
Chega de tanta incerteza
a alma presa quer se soltar
Luta, luta sozinho
qual o caminho de libertar
Severinin ficou sozinho e só
ingratidão não pode suportar
correu para o sul
aí a construção se viu
de uma vez por todas
de uma vez por todas
desabar
Seresta
Sertaneza (Elomar)
Nos raios de luz de um beijo puro
me estremeço e eis-me a navegar
por cerúleas regiões
onde ao avaro e ao impuro não é dado entrar
tresloucado cavaleiro andante
a vasculhar espaços
de extintos ceus
num confronto derradeiro
vencí prometeu, anjo do mal
o mais cruel
acusador de meus irmãos
neStes mundos dissipados
magas entidades dotam o corpo meu
de poderes encantados
mágicos sentidos
na razão dos ceus
pois fundir o espaço e o tempo
vencer as tentações rasteiras
do instinto animal
só é dado a quem vê no amor
o único portal
através de infindas sendas
vias estelares um cordel de luz
trago atado ao umbigo ainda
pois não transmudei-me ao reino dos cristais
apois Deus acorrentou os sábios
na prisão escura das tres dimensões
e escravisados desde então
a serviço dos maus
vivem a mentir
vivem a enganar
a iludir os corações
visitante das estrelas
hóspede celeste visões ancestrais
me torturam pois ao tê-las
quebra o encanto e torno ao mundo de meus pais
À minha origem planetária
enfrentar a mansão da morte do pranto e da dor
donzela fecha esta janela
e não me tentes mais
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© 1997, 1998 Fernando da Costa Grossi [email protected]
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