.........No fim do ano de 1941 retornei à Catú para passar as minhas
férias escolares. Os trabalhos no Trapiche se desenvolviam em um
ambiente muito tenso. A II Guerra Mundial trazia uma inquietação
muito grande à economia nacional. Vivia-se um regime político muito
indeciso. Getúlio ora pendia para o Eixo (Alemanha, Itália e Japão)
ora se aproximava dos Aliados (Estados Unidos e Inglaterra). Logo
ao chegar notei novas rugas no rosto de meu avô. Entre setembro
e dezembro de 1941 ele envelhecera. Embora tivesse apenas 54 anos
feitos em 19 de julho daquele ano, suas feições retratavam uma figura
de 70 anos. No Trapiche ele se comportava como se estivesse se despedindo
do negócio. Em casa ele deixava a visível marca da saudade de tia
Alice que depois de casada foi morar em Cachoeira. Retomamos as
nossas conversas. Eu trazia o pensamento do meu pai sobre as conseqüências
que a guerra poderia trazer ao negócio dele. A possível falta de
trigo em grãos ou sob a forma de farinha, e de fermento importados
da Inglaterra. Da fábrica de fécula de mandioca que montara para
a sua inclusão na farinha de trigo ou até mesmo na fabricação de
pães. Meu pai sempre era muito otimista. Para tudo tinha uma solução.
Aos poucos meu avô foi revelando suas angustias, suas preocupações.
O sócio dele era alemão. O fumo enfardado no armazém de Catú se
destinava à Alemanha. A placa da firma Pereira & Jenback já fora
retirada do Armazém. Pouco ou nenhum juízo ele fazia da guerra.
E se perguntava por que guerra? Não era político. Democracia, Nacional
Socialismo, Nazismo, Facismo, para ele não passava de um bando de
loucos a fazer anarquia e dar gritos de ANAUÊ. Plantar fumo ninguém
queria! Vivia-se uma situação sem saída. No começo de 1942 os navios
brasileiros começaram a ser afundados pelos submarinos alemães.
Catú entrou em estado de profundo pesar quando foi anunciado o falecimento
de Enock, filho de José Teodoro, um dos pilares da sociedade catuense,
no afundamento do BAHIA um dos nossos vasos de guerra em patrulha
nas costas brasileiras. Um navio que transportava o fumo exportado
pela PEREIRA & JENBAK também foi afundado. A firma foi dissolvida.
O "velho" Alfredo recolheu-se a Canabrava. O negócio de exportação
de fumo acabara. Várias vezes fui à fazenda com ele. Mas esta é
outra história........