A Saga dos Pereiras
Capítulos:
I
, II , III, IV ,V, VII , VIII, IX

 

Cap VI

.........No fim do ano de 1941 retornei à Catú para passar as minhas férias escolares. Os trabalhos no Trapiche se desenvolviam em um ambiente muito tenso. A II Guerra Mundial trazia uma inquietação muito grande à economia nacional. Vivia-se um regime político muito indeciso. Getúlio ora pendia para o Eixo (Alemanha, Itália e Japão) ora se aproximava dos Aliados (Estados Unidos e Inglaterra). Logo ao chegar notei novas rugas no rosto de meu avô. Entre setembro e dezembro de 1941 ele envelhecera. Embora tivesse apenas 54 anos feitos em 19 de julho daquele ano, suas feições retratavam uma figura de 70 anos. No Trapiche ele se comportava como se estivesse se despedindo do negócio. Em casa ele deixava a visível marca da saudade de tia Alice que depois de casada foi morar em Cachoeira. Retomamos as nossas conversas. Eu trazia o pensamento do meu pai sobre as conseqüências que a guerra poderia trazer ao negócio dele. A possível falta de trigo em grãos ou sob a forma de farinha, e de fermento importados da Inglaterra. Da fábrica de fécula de mandioca que montara para a sua inclusão na farinha de trigo ou até mesmo na fabricação de pães. Meu pai sempre era muito otimista. Para tudo tinha uma solução. Aos poucos meu avô foi revelando suas angustias, suas preocupações. O sócio dele era alemão. O fumo enfardado no armazém de Catú se destinava à Alemanha. A placa da firma Pereira & Jenback já fora retirada do Armazém. Pouco ou nenhum juízo ele fazia da guerra. E se perguntava por que guerra? Não era político. Democracia, Nacional Socialismo, Nazismo, Facismo, para ele não passava de um bando de loucos a fazer anarquia e dar gritos de ANAUÊ. Plantar fumo ninguém queria! Vivia-se uma situação sem saída. No começo de 1942 os navios brasileiros começaram a ser afundados pelos submarinos alemães. Catú entrou em estado de profundo pesar quando foi anunciado o falecimento de Enock, filho de José Teodoro, um dos pilares da sociedade catuense, no afundamento do BAHIA um dos nossos vasos de guerra em patrulha nas costas brasileiras. Um navio que transportava o fumo exportado pela PEREIRA & JENBAK também foi afundado. A firma foi dissolvida. O "velho" Alfredo recolheu-se a Canabrava. O negócio de exportação de fumo acabara. Várias vezes fui à fazenda com ele. Mas esta é outra história........

( Luiz Carlos Batista )
 

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