A Saga dos Pereiras
Capítulos:
I
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Cap IV

........Antes de retomar às minhas conversas com meu avô quero ainda fazer algumas considerações sobre Joaquim Pereira de Souza Armundes. Por que ele agregara o sobrenome ARMUNDES? Minha mãe e meus tios Aurélio, Helenita, Alice e Joaquim desconheciam a sua origem. Andei bisbilhotando a Internet e a única referência encontrada foi em um artigo sobre Araruama, freguesia de S. Francisco de Paula no Rio de Janeiro que na descrição do seu perímetro referia-se ao Travessão de Joaquim Ferreira ARMUNDES de Andrade. Encontrei muita gente com o sobrenome ARMONDES espalhada por todo o Brasil, principalmente no Espírito Santo e em Goiás. Seria Armundes uma variante de Armondes? Teria Armundes o significado de ARMEIRO, do inglês ARMOURER , ou do francês ARMURIER. Não sei, peço ajuda aos pesquisadores da família. Do alistamento de Joaquim no Cartório Eleitoral de Catú em 1905 consta o nome dele como JOAQUIM PEREIRA DE SOUZA ARMUNDES. Ponto final. Doente, o velho Manuel começou a transferir a direção do engenho para Joaquim. Logo ele descobriu a impropriedade das terras para o cultivo da cana de açúcar. A cada ano o solo se esgotava. A reposição era feita com adubo orgânico produzido pelo gado mantido na fazenda para este fim, para suprir a mesa dos seus moradores e servirem de tração ao engenho propriamente dito e aos carros que transportavam a cana. Além de difícil o processo fabril era oneroso. Do cultivo da cana ao envazamento do melaço ou da rapadura tudo era rudimentar. A mão de obra escassa. A cultura escravagista estava agonizante. Não se podia mais comprar escravos e com certeza não passava pela cabeça do nosso Joaquim esta idéia, abolucionista que ele era. Os seus escravos foram alforriados e na casa da Fazenda somente ficaram: MARIA DE HENRIQUETA ( falecida em 14/11/1904) e ANTONINA que saiu do Riachão em 28/10/1911 para morar com um filho. A localização do empreendimento ao fundo da zona produtora (Santo Amaro e seu entorno) era distante, sem estradas, sem meio de comunicações para se trocar informações sobre o interesse do negócio (processos, procedimentos, políticas) entre os produtores levou Joaquim a desativar o engenho para cultivar mandioca e fumo. Em 1864 JOAQUIM casou-se com CAROLINA RAIZ DE ALMEIDA, viúva de José Borges de Barros, que adotou o nome de CAROLINA ALMEIDA DE SOUZA e deles nasceram: ANNA FRANCISCA (DONA), ALFREDO, OSCAR e IZABEL (SANTA). Dona e Santa casaram com Aquelino e Torquato, respectivamente, e foram morar em Catú. Oscar desde cedo revelou sua inclinação para o comércio e também foi morar na vila. Somente Alfredo continuou ajudando o pai nos afazeres da fazenda. Em 18 de junho de 1907, Alfredo casou-se com sua prima ADELAIDE PEREIRA DA SILVA, filha da sua tia JOSEPHINA PEREIRA DA SILVA, irmã de Joaquim Pereira de Souza Armundes e ficaram morando no Riachão para cuidar dos velhos Joaquim e Carolina (linda lição de amor!). Carolina faleceu no dia 26 de maio de 1909 e foi sepultada no cemitério de Sra. Santana do Catú às 17 horas de 27/05/1909. O falecimento de Joaquim foi registrado por meu avô em nota do próprio punho, que minha mãe guardou por muito tempo do seguinte modo: "Falleceo meo velho pai JOAQUIM PEREIRA DE SOUZA ARMUNDES a 16 de março de 1913 as 2 horas da madrogada e foi sepultado no mesmo dia as 5 e ½ da tarde no Cemitério de Sra. Sta. Anna do Catú".

 

( Luiz Carlos Batista )
 

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