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Brasil colonial, o Brasil colonial originou-se da ação de três grupos
étnicos, o europeu (predominantemente português), o negro e o indígena e,
ainda da atuação do estado português.
2 RECONHECIMENTO DA TERRA (1500-1532)
Após o descobrimento do Brasil, oficialmente, pela expedição de Pedro
Álvares Cabral, em 1500, a nova terra foi encarada como uma reserva para
futura exploração e território a ser preservado para impedir o monopólio
espanhol da região. Na época, o interesse maior de Portugal estava no
comércio com a Índia. Limitou-se, portanto, o governo português a enviar
expedições de reconhecimento do litoral, como as de Gaspar de Lemos (1501)
e Gonçalo Coelho (1503). Promoveu também o arrendamento da terra a
Fernando de Noronha, para a exploração do pau-brasil (1505). Franceses e
espanhóis também freqüentavam o litoral brasileiro, com os mesmos
objetivos de reconhecimento e coleta de pau-brasil. Por este motivo, em
duas ocasiões, 1516 e 1526, foram enviadas as expedições guarda-costas de
Cristóvão Jaques, com poucos resultados.
Em 1530 o rei D. João III, pressionado pela crescente presença francesa,
enviou a expedição de Martim Afonso de Sousa. Este navegou o litoral até o
rio da Prata, tomou navios a comerciantes franceses e fundou duas vilas,
Santo André e São Vicente, no que é hoje o estado de São Paulo.
3 CAPITÂNIAS HEREDITÁRIAS
A gravidade da situação fez o governo português, apesar da falta de
recursos, optar pelo início da colonização em escala maior. Foi, assim,
introduzido em 1534 o regime de capitanias hereditárias, já adotado nas
ilhas do Atlântico. Por ele, o rei português dividiu a nova terra em
quinze áreas, delegando funções de governo aos donatários. Estes deveriam
distribuir terras (sesmarias) para incentivar a colonização, defender o
território e zelar pelo monopólio real do pau-brasil. Em troca receberiam
percentuais sobre os produtos exportados e poderiam importar escravos. O
regime teve sucesso limitado, sobretudo, nas capitanias de São Vicente e
Pernambuco, com a fundação de algumas vilas e o desenvolvimento do açúcar.
Em outras a falta de recursos dos donatários, a ausência de investidores e
a hostilidade dos indígenas impediu a consolidação.
4 GOVERNO GERAL
Em 1549, foi instalado o Governo-Geral, com sede em Salvador, cabendo ao
governador Tomé de Sousa organizar uma administração central na colônia,
sem extinguir as capitanias. Mais tarde, em 1573, o Brasil foi dividido
por alguns anos em dois governos, Salvador e Rio de Janeiro, na
expectativa de melhorar o desempenho administrativo. Nos séculos XVII e
XVIII a colônia compreendeu dois governos ou "estados", o do Brasil, com
sede em Salvador até 1763 e no Rio de Janeiro a seguir e o do Maranhão,
com sede em São Luís, até 1737 e depois Belém. De 1774 passou a existir um
só governo, embora os governadores do norte, pela facilidade de
comunicação, se dirigissem diretamente a Lisboa.
A expansão territorial provocou a ocupação de novas áreas, várias delas
além do limite definido pelo tratado de Tordesilhas, gerando a criação de
novas capitanias, como as do Pará, Goiás, Mato Grosso, Rio Negro
(Amazonas) e Rio Grande do Sul. Tal expansão deveu-se a diferentes
movimentos de interiorização, como as entradas, as bandeiras, as missões
religiosas, a criação pecuarista e as fortificações militares.
5 INVASÕES ESTRANGEIRAS
Simultaneamente, houve conflitos com outros países que tentaram
apoderar-se de parte do território colonial. Assim, ocorreram invasões
francesas no Rio de Janeiro (1560-1567, 1710 e 1711) e no Maranhão
(1612-1615), invasões holandesas na Bahia (1624-1625) e Pernambuco
(1630-1654), além de ataques de corsários ingleses no litoral (século XVI),
de conflitos pelo controle da foz do Amazonas (século XVII) e da guerra
contra os espanhóis no sul, quando os dois países ibéricos disputaram a
colônia del Sacramento, no atual Uruguai, o Rio Grande do Sul e a ilha de
Santa Catarina.
6 ECONOMIA COLONIAL
A atividade econômica colonial iniciou-se pela exploração sistemática do
pau- brasil por portugueses e franceses, instalados em feitorias no
litoral e contando com a colaboração de indígenas, que derrubavam as
árvores em troca de produtos europeus.
A partir da década de 1530 iniciou-se a produção sistemática de açúcar,
com o plantio de cana-de-açúcar, a instalação de engenhos e a utilização
da mão de obra escrava africana. Entre 1560 e 1660, quando expandiu-se a
produção antilhana, o Brasil foi o principal fornecedor mundial do
produto, cuja produção ocorria em Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro.
Embora prejudicada pelo declínio dos preços após 1660, a produção de
açúcar continuou a base da economia da região nordestina até o século XX.
No século XVIII a economia sofreu novo impulso com a descoberta do ouro em
Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso, gerando rápida expansão desta área, o
desenvolvimento do comércio, de cidades mineradoras e do Rio de Janeiro,
principal porto escoador da produção. O declínio do ouro, a partir de
1760, provocou uma crise econômica, que o governo português tentou
enfrentar com o fomento de novos produtos, como o anil, o linho, o arroz e
a cochonilha.
A economia colonial foi caracterizada pelo predomínio da grande
propriedade, da escravidão e da dependência do mercado externo, com
escasso mercado interno. Os comerciantes portugueses tinham o monopólio do
comércio, de acordo com as concepções mercantilistas da época, chegando a
criar-se companhias monopolistas nos séculos XVII (Companhia do Brasil e
do Maranhão) e XVIII (Companhias de Pernambuco e Paraíba e Grão Pará e
Maranhão). Durante cerca de duzentos anos vigorou o sistema de frotas,
reunindo em comboios os navios que iam e vinham para o Brasil.
7 A SOCIEDADE COLONIAL
A sociedade colonial embora formalmente refletisse os valores cristãos da
metrópole, defendidos pela Igreja e pela Inquisição, foi fortemente
miscigenada, tanto do ponto de vista biológico como cultural, com notável
mistura de elementos portugueses, indígenas e africanos na religião,
culinária, costumes, música e língua. Na sociedade do açúcar predominou
uma estrutura social rígida, com os senhores de engenho e outros
proprietários e comerciantes no topo e os escravos na base social, com
escasso setor intermediário. Na área do ouro esta rigidez atenuou-se, com
o surgimento de um setor intermediário composto de artesãos, pequenos
comerciantes, pequenos agricultores e funcionários subalternos.
No final do século XVIII a colonização estava em crise, pelas dificuldades
econômicas da colônia, pela divulgação das novas concepções iluministas e
liberais e pela rigidez da estrutura colonial portuguesa, o que se
refletiu em movimentos de insatisfação como as conjurações mineira (1789),
carioca (1794) e baiana (1798).
leitura complementar
Estas fontes fornecem informações adicionais sobre Brasil colonial.
Quando Napoleão Bonaparte decretou o Bloqueio Continental contra a
Inglaterra (1806) e a corte portuguesa transferiu-se para o Brasil (1808),
na prática o Brasil deixou de ser uma colônia, transformado em sede do
Império Português.
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