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A Abolição

Em praça pública, para servirem
de exemplo aos demais, os negros sofriam .seus castigos. A
escravidão negra no Brasil, iniciada, segundo
alguns autores, em 1532,
estendeu-se até 1888. Foram mais de três
séculos e meio de escravatura, condição em que o negro desempenhou
importante papel na colonização e, depois, no desenvolvimento econômico do
Império. Os africanos entravam no Brasil principalmente através dos portos
do Rio de Janeiro, de Salvador, do Recife e de São Luís do Maranhão, de
onde se espalhavam por todo o território brasileiro. Muitas vezes,
revoltados com sua condição, fugiam de seus senhores, chegando a
organizar-se em quilombos, cujo principal, o de Palmares, em Alagoas,
conseguiu tornar-se um verdadeiro estado negro dentro da colônia
portuguesa.
Foi
como que o negro entrou no Brasil, mas não foi esta colônia portuguesa o
primeiro país na América a receber o africano em tal condição. Em 1501, a
ilha de São Domingos atual República Dominicana, por um ato do rei da
Espanha, recebeu a primeira leva de negros, vindos com Nicolau Ovando, e a
partir de 1517 o comércio negreiro para as colônias espanholas começou a
ser feito regular e legalmente. Foi concedido asiento a Go menot,
governador de Besa, para a introdução de 4.000 negros, contrato que ele
vendeu a negociantes genoveses.
Na
Europa, é difícil saber a quem cabe a prioridade do tráfico-se a
portugueses ou espanhóis. Já em meados do século XV ele constituía o meio
regular de colonização de ambos os países e, a partir daí, durante os
duzentos anos seguintes, foram abastecidas também, além das colônias
espanholas e portuguesas, as possessões inglesas, francesas e holandesas,
Em Portugal,
Antão Gonçalves, ao regressar em 1442 de uma expedição à África, ordenada
por D. Henrique, levou alguns mouros como cativos que o Infante mandou
libertar. No ano seguinte, Antão Gonçalves trocou seus prisioneiros por
dez negros da Guiné, que Frei Francisco de São Luís afirma terem sido os
primeiros escravos chegados a Portugal, provenientes da costa ocidental
africana.
Em 1445,
Nunq Tristão transportou mais de 40 escravos africanos, entusiasmado pelas
possibilidades econômicas do negócio.
Foi em
Portugal que mais se desenvolveu o tráfico negreiro - já que este país
mantinha o domínio exclusivo da África colonial. Durante muitos anos,
porém, o tráfico negreiro foi também próspero na Espanha, representando a
principal fonte de renda do país. Por intermédio dos asientos a coroa
espanhola concedia a determinados súditos o direito exclusivo de fornecer
negros escravos às suas possessões de ultramar. O negócio era tão
vantajoso que muitos soberanos estrangeiros faziam tudo para obter os
asientos, ou seja, tratados ou contratados de monopólio comercial. E por
dois séculos - de 1517 a 1743 - holandeses, espanhóis, franceses,
portugueses e ingleses gozaram sucessivamente deste monopólio. A
Inglaterra, que mais tarde seria ferrenha defensora da proibição do
tráfico, conseguiu 30 anos de monopólio para seus súditos pelo tratado de
paz de Utrecht assinado em 1713. A Espanha tirava grandes lucros destas
transações, recebendo vultosos empréstimos ou adiantamentos dos
empresários com os quais negociava, e a este (Hientos era dada ainda uma
vinculação religiosa, sendo celebrados, inclusive, em nome da Santíssima
Trindade por Sua Majestade Católica de Espanha. Dez contratos dessa
espécie foram realizados em menos de dois séculos, compreendendo o
transporte de quinhentos mil escravos num total de 50 milhões de libras.

No
Brasil, o elemento negro começou a ser Introduzido com os primeiros
engenhos de açúcar de São Vicente. Para alguns historiadores, os escravos
africanos aqui chegaram com Martim Afonso de Sousa, em sua expedição de
1532. Durante quase 50 anos este tráfico foi regular, e em 1583
realizou-se o primeiro contrato para a introdução da mão-de-obra africana
no Brasil, assinado entre Salvador Correia de Sá, governador da Cidade do
Rio de Janeiro, e São João Gutiérres Valéria. Um século mais tarde já
havia nas lavouras brasileiras 50 mil escravos negros, a maioria em
Pernambuco. Em 1755, o Marquês de Pombal criou a Companhia Geral do
Comércio do Grão-Pará e Maranhão e, em 1759 a de Pernambuco e Paraiba, as
quais introduzindo grande número de negros africanos, fomentaram o
progresso material do Nordeste brasileiro.
Tencionando contar com o elemento natural para a colonização dos
continentes que ocupa vam, os portugueses tentaram- nos primeiros tempos
de sua permanência no Brasil - subjugar os silvícolas brasileiros. Assim,
em 1533, Martim Afonso de Sousa permitiu a Pero de Góis o transporte para
a Europa de 17 indígenas escravizados, e no foral dado a cada donatário
contava o direito de vender anualmente até 39 indígenas cativos. O índio
brasileiro, entretanto, além de não se adaptar ao regime de escravidão,
não servia para o trabalho na lavoura.
Estes fatos, aliados à vinda dos jesuítas, empenhados na defesa do índio,
fizeram com que aumentasse o tráfico negreiro, tendo os próprios
religiosos usado a mão-de-obra africana até 1870.
A
introdução do escravo negro no Brasil representava uma determinante
socioeconômica importantíssima para a emancipação colonial, e foi por
muitos reconhecida. Entre estes, Nóbrega, em carta ao rei de Portugal
datada de 1559; o conceituado Bispo D. José Joaquim da Cunha de Azeredo
Coutinho, em sua obra Justiça do Comércio de Resgate de Escravos da Costa
d' África; e o famoso Padre Antonil, que em sua Cultura e Opulência do
Brasil, por Suas Drogas e Minas, escreveu: "Os escravos são as mãos e os
pés do senhor de engenho, porque sem eles no Brasil não é possível fazer,
conservar e aumentar fazenda, nem ter engenho corrente."
Os negros
eram vendidos pelos seus sobas - chefes de tribos africanas - aos
portugueses, e trazidos para o Brasil vindos da costa e da contracosta da
África. Até meados do século XVll eram eles adquiridos, em sua maioria,
pelos senhores de engenho de Pernambuco e Bahia. No início do séc. XVIII
seus maiores compradores passaram a ser o Rio de Janeiro e Salvador. Ainda
no início do século XVllI os escravos negros foram introduzidos nas
regiões cafeeiras, a princípio do Pará e do Maranhão, mais tarde do Rio de
Janeiro e São Paulo.
Os negros
escravos que vieram para o Brasil saíram de vários pontos do continente
africano: da costa ocidental, entre o Cabo Verde e o da Boa Esperança; da
costa oriental, de Moçambique; e mesmo de algumas regiões do interior. Por
isto, possuíam os mais diversos estágios de civilização. O grupo mais
importante introduzido no Brasil foi o sudanês, que, dos mercados de
Salvador, se espalhou por todo o Recôncavo. Desses negros, os mais
notáveis foram os iorubas ou nagôs e os geges, seguindo-se os minas. Em
semelhan_ te estágio de cultura encontravam-se também dois grupos de
origem berbere-etiÓpica e de int1uência muçulmana, os fulas e os mandês.
Mais atrasados do que o grupo..sudanês estavam os dos grupos da cultura
chamada cultura banto, os angolas, os congos ou cabindas, os benguelas e
os moçambiques. Os bantos foram introduzidos em Pernambuco, de onde
seguiram até Alagoas; no Rio de Janeiro, de onde se espalharam por Minas e
São Paulo; e no Maranhão, atingindo daí o Grão-Pará. Ainda no Rio de
Janeiro e em Santa Catarina foram introduzidos os camundás, camundongos e
os quiçamãs.
Os bantos
encontravam-se na fase do fetichismo - adorando árvores e símbolos toscos,
no sistema da propriedade coletiva - com uma rudimentar organização de
família - e do governo patriarcal.

A incapacidade de adaptação
do indígena para a maioria das tarefas colonizadoras e depois as leis de
proibição do cativeiro do índio fizeram com que o tráfico negreiro para
o Brasil aumentasse a partir de fins do século XVI e se mantivesse numa
crescente progressão até meados do séc. XIX.
Dos portos onde
os negreiros desembarcavam, os negros eram, depois de vendidos,
transportados para as fazendas do interior. De Recife, eles chegavam até
Alagoas; do Rio, eram levados para Minas e São Paulo; de São Luís do
Maranhão, atingiam o Grão.Pará; e de Salvador, todo o Recôncavo.
Além do senhor do céu, Olorum, a religião dos iorubas introduziu no Brasil
outras divindades ou orixás,
entre os quais Obatalá, ou Orixalá, ou Oxalá, que tinha por esposa Odudua;
Xangô, deus dos raios e trovões; Ogum, deus da guerra; Iemanjá, deusa das
águas; Oxóssi, deus dos caçadores e viajantes; Ifá, que tem por fetiche o
fruto do dendezeiro, revelador do oculto; Da dá, protetor das crianças;
Ibeji, Orixá dos gêmeos; e Exu ou Elegbará, espírito do mal.
Os
sudaneses – que receberam influência do islamismo e eram os mais
adiantados - foram os responsáveis pelos movimentos de rebelião dos
escravos e pela formação dos quilombos - os agrupamentos de escravos
fugidos criados no Brasil.
Os
negros africanos, introduzidos no Brasil para trabalhar na lavoura e na
criação, não se adaptaram a esta última função, sendo substituídos pelos
indígenas - mais adaptáveis ao tipo de vida do pastoreio. E embora fossem
utilizados também nos serviços domésticos e na mineração - onde tiveram
papel importante - eles foram os princi pais, e em alguns casos os únicos,
trabalhadores das lavouras de açúcar, café e algodão.
A compra do
negro era, a princípio, realizada de forma muito simples. Empregava-se o
sistema de troca, usando-se todo os tipos de miçangas, vidrilhos, guizos,
panos, armas e utensílios de ferro necessário à lavoura africana, que eram
entrgues aos sobas por uma certa quantidade de escravos.
Mais tarde,
o ferro e a aguardente passaram a ser importantíssimos neste comércio. À
medida, entretanto, que o tráfico se intensificou, as exigências dos
vendedores foram aumentando e os compradores quase que tiveram de lançar
mão de mercadorias européias.
Os negros
eram transportados em navios negreiros, funileiros ou tumbeiras, e as
descrições destas viagens - sobretudo as que foram transmitidas através
dos apaixonados versos dos poetas abolicionistas - são de estarrecer. Não
são eles, entretanto, a única fonte a revelar esse quadro horrendo. Outros
autores que se destacaram no estudo do assunto atestam que nessas viagens
morriam até 40% dos embarcados, além de ocorrerem naufrágios por excesso
de carga; o tratamento era desumano e os escravos viam-se obrigados a
passar fome e sede, quer pela ambição desenfreada dos traficantes, quer
por erro de cálculo na tonelagem disponível para a travessia.
A
estimativa do número de africanos introduzidos em nosso país durante o
período superior a três séculos, em que foi realizado o tráfico, é muito
difícil. Tradicionalmente, aceita-se a cifra, meramente hipotética, de
3.300.000 negros aventada por Roberto Simonsen. A base adotada por este
último foi a produtividade do escravo. Já Mircea Buescu, em sua tentativa
para qualificar a história econômica do Brasil, apresenta um outro método
de avaliação deste número. Este autor recorre a duas fontes de pesquisa:
primeiro, as informações, embora precárias, referentes à população global
e à população escrava em várias épocas; segundo, a constatação de que a
população escrava teve uma taxa negativa de crescimento vegetativo, taxa
que é o elemento-chave de seus cálculos. Baseado nestes estudos,
apresentou um total de 6.723.850, entrados no Brasi] do séc. XVI ao XIX.


Durante o
Primeiro Reinado, os negociantes de escravos com armazéns no Valongo e
no Aljube eram os comerciantes mais prósperos do Rio de Janeiro. Mais
tarde, quando a Inglaterra passou a perseguir os navios
e a
confiscar seus carregamentos, o preço dos escravos foi inflacionado.
Um
dos cálculos que encontra mais defensores é o do historiador Afonso de E.
Taunay, que forneceu um total de 3.600.000 escravos africanos
desembarcados no Brasil. discriminando-os pelos diversos séculos: 100.000,
no XVI; 600.000, no XVII; 1.300.000. no XVIII: e 1.600.000 no século XIX.
O
que se pode afirmar, com menor margem de erro, é que já em meados do
século XVII a população escrava no Brasil superava a população livre: em
1660, o Brasil contava 74.000 brancos para 110.000 escravos. uma situação
que prevaleceu atémeados do século XIX. pois os cálculos efetuados em 1816
acusavam que, dos 3.358.500 habitantes do Brasil, 1.428.500 eram livres,
inclusive pretos e pardos forros, e 1.930.000 escravos.

Aqui chegando, os negros eram armazenados em um barracão. à espera de que
fossem vendidos. Os preços variavam de acordo com muitos fatores: o sexo,
a idade, a origem e o destino. Quando encaminhados às minas de ouro.
valiam muito mais que os destinados aos campos de plantação ou ao serviço
doméstico.
Eram vendidos separadamente sem respeitar laços de família - pais para um
senhor, filhos para outros, maridos e mulheres para donos diferentes.
O
negro era um elemento caro e seu preço foi intlacionado, principalmente
depois que a Inglaterra se arvorou em defensora da raça maltratada,
passando a perseguir os navios negreiros. Os riscos tornaram-se, então,
maiores, com prejuízo algumas vezes total. quando o navio negreiro era
pilhado em alto-mar e o carregamento perdido quer pelo aprisionamento da
embarcação, quer pelo extermínio total da carga. Nos primeiros tempos, de
uma forma generalizada, o valor médio de um escravo oscilava entre 20 e 30
libras esterlinas, havendo momentos excepcionais em que este preço atingia
a 100 libras.
O
livro de contas do Engenho Sergipe do Conde fornece valiosas informações
sobre o preço do escravo nos primeiros anos do século XVII. De acordo com
as compras ali anotadas, um escravo custava, em 1622. 29 mil-réis; em
1630, 30 mil-réis; 42 mil-réis, em 1635; e 55 mil-réis em 1652.
Existem inúmeros dados relativos aos preços de escravos no século XIX,
mas, como variam muito, é difícil determinar-se uma média real.
Entretanto, estabeleceu Mircea Buescu um quadro estatístico em que se
anota que o preço de um escravo era de 375 mil-réis, enquanto uma escrava
custava, no mesmo ano e nas mesmas condições de saúde e idade, 359 milréis.
Vinte anos depois, isto é, em 1855, um escravo custava 1.075 milréis,
enquanto uma escrava atingia a importância de 857 mil-réis; em 1875
chegava-se "ao preço de 1.256 milréis para o homem e 1.106 para a mulher.
Entre 1835 e 1875 o preço médio dos escravos cresceu 235%.
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Os negros escravos foram os principais -
e às vezes únicos trabalhadores nas lavouras de açúcar, café e
algodão, e na pavimentação de ruas, no Rio de Janeiro. |
Mesmo dentro da precariedade da exatidão dos dados, anotada pelo próprio
autor, esses preços não são desprovidos de coerência. A inflação
apresentou-se em grau bastante baixo num período de dez anos - com exceção
do período de 1845 a 1855, época definitiva para a abolição do tráfico,
que provocou um aumento violento do preço de um escravo. Na roça um
escravo de 60 a 65 anos valia metade de um entre 40 e 50 anos e a quarta
parte de um de 25 a 30 anos; as crianças tinham a partir de 9 ou 10 anos,
preços iguais aos dos adultos; menores de 9 anos, o preço de um escravo
subia de 20 a 50 mil-réis por ano de idade.
Antes de 1850 a elevação dos preços foi efeito da procura, enquanto que a
partir deste ano a causa principal da baixa do preço foi a oferta, tendo
em vista as leis abolicionistas que paulatinamente iam substituindo o
escravo pelo trabalhador livre.
Embora os negros se adaptassem mais do que os indígenas ao trabalho
agrícola, a que já estavam acostumados, o tempo de vida de um escravo
negro, depois de chegado ao Brasil, variava entre sete e dez anos.

Aos escravos
cabiam todos os serviços das plantações, desde a derrubada das matas, a
queima dos troncos e a limpeza do terreno, até o plantio, a colheita e o
preparo do produto para a venda. A abertura de caminhos e a construção da
casa-grandeeda senzala eram também tarefas dos escravos.
Os
escrav os fazi_m todos os serviços: serviam o senhor de engenho,
derrubavam as matas. queimavam os troncos, limpavam o terreno, vigiavam o
crescimento das mudas e molhavam os partidos. Cabia-Ihes ainda evitar que
o gado pisasse nos canaviais e que as pragas atacassem as plantações,
cortar a cana a golpes de foice, levá-Ia em feixes para as moendas. que em
muitos casos eram movidas por eles próprios.
Além disso, eram responsáveis pela abertura dos caminhos que ligavam os
engenhos aos portos e pelo transporte das caixas de açúcar destina das à
exportação. E tanto a casa grande - moradia do senhor e sua família como a
capela, as instalações da moenda, a construção dos depósitos e até a da
própria senzala - moradia dos escravos -, tudo era feito pelo trabalho
cativo. Finalmente, alguns eram ainda utilizados no trabalho doméstico e
mesmo na amamentação e criação do filho do senhor, como era o caso das
chamadas mães-pretas.
A
senzala era constituída por uma série de barracões, pequenos e abafados,
com uma só porta e sem janelas. tendo apenas pequenos respiradouros.
Frequentemente as senzalas eram construídas semi-enterradas no solo, com o
chão de terra batida, que servia de lugar de sono e repouso. A
alimentação, a mais racionada possível. compunha-se de feijão. farinha de
mandioca e um naco de carne-seca.
Nas
fazendas de açúcar o dia era longo. Os negros levantavam-se ao amanhecer
e, após receber uma ração de alimento, seguiam para o trabalho, onde
permaneciam até o pôrdo-sol, com pequenos intervalos para refeições.
Os
erros e a preguiça eram castigados das formas mais diversas e brutais,
indo da palmatória às chicotadas. que deixavam as costas e nádegas em
carne viva, colocando-se nas feridas montes de sal para que a dor se
prolongasse por dias e o castigo jamais fosse esquecido. Além desses
castigos havia outros. ainda mais rigorosos, em que se utilizavam
aparelhos de tortura.
Era
costume marcar-se o escravo à semelhança do que fazia com o gado. Já ao
sair da África. ele recebia a marca de uma cruz no peito para indicar sua
condição de novo cristão. Alguns, chegados ao Brasil, recebiam ainda a
marca do senhor, enquanto no corpo dos negros fujões costumava-se imprimir
um F, indicação de sua fuga e captura. O senhor tinha total direito sobre
seus cativos, mas alguns escravos não conseguiam sujeitar-se a tal
situação e fugiam, e, como desconhecessem a região para onde haviam sido
levados. em pouco tempo encontravam dificuldades em esconder-se. sendo
logo aprisionados pelos capitàes-do-mato.
Outro inimigo dos negros eram os feitores, capatazes que, de forma geral
eram mdes e cruéis na execução dos castigos. Antonil afinnava que os
escravos dos engenhos costumavam receber apenas três rês: pão. pano e pau,
ou seja, alimentação, vestuário e castigo.
Nos
primeiros dias do século XVII cerca de 30 ou 40 escravos, fugidos dos
engenhos de Pernambuco, chegaram à serra da Barriga. bem no interior do
atual Estado de Alagoas. Região de solo fértil e vegetação abundante, com
extensos palmeirais. seus novos habitantes, por isso, chamavam-na
Palmares.
As
fazendas eram constantemente vigiadas pelo feitor, o que dificultava mas
já não impedia que os negros, escapassem e penetrassem nas matas; os
capitães-do-mato organizavam então expedições de caça aos negros fujões.
Estes, aprisionados, eram levados de volta à fazenda para, além das
costumeiras vergastadas, serem marcados como fujões e ainda receberem ao
pescoço uma canga.
Durante um ano, de 1602 a 1603, duas entradas, ambas chefiadas por Bartolo
meu Bezerra, empenharam-se na perseguição dos negros foragidos, mas sem
sucesso. Aos poucos, centenas e centenas de negros fugidos foram formando
núcleos que proliferaram por todo o Nordeste.
A
população de Palmares, a princípio, era composta apenas por escravos do
sexo masculino, que se alimentavam das frutas encontradas na_região -
jaca, laranja, melancia, banana, ananás, manga, goiaba, coco, além de
algumas raízes - e de alguma carne, conseguida através das caças que caíam
em suas armadilhas e alçapões.

Com o correr do tempo, uma pequena aldeia começou a nascer. Ergueram-se
cercas para a criação de animais, lavraram-se os campos adjacentes,
iniciando-se a cultura de milho, feijão e mandioca, que passaram a
constituir a base de sua alimentação, enriquecida de ovos e de carne de
porco.
Com
o crescimento da aldeia, que começou a receber mulheres conseguidas nos
assaltos contra as vilas próximas, a notícia de que havia uma região em
que os negros viviam livremente percorreu as fazendas. E Palmares
transformou-se em sonho dos escravos, a meta a ser a1cançada, uma
verdadeira obsessão. Conseqüentemente a vigilância nos engenhos foi
reforçada, os castigos dos negros capturados tornaram-se mais severos, mas
a expectativa de uma vida livre recompensava todos esses possíveis
sacrifícios.
A
invasão holandesa em Pernambuco foi um fator primordial da expansão e do
fortalecimento dos quilombos. Preocupados na defesa da província, os
senhores de engenho descuidaram-se da vigilância das fazendas e os
escravos passaram a fugir às centenas. fazendo com que Pai mares se
tornasse não mais um núcleo de negros fugitivos, mas um verdadeiro estado
negro dentro da colônia portuguesa.
O segundo Marquês de Lavradio,
vice-rei do Brasil de 1769 a 1779, transferiu para o Valongo, atual Rua
Camerino,o mercado de negros que até então se localizava na Rua Direita,
hoje Primeiro de Março, no Rio de Janeiro.
Do
ponto de vista político-social, Palmares parecia um lugar desorga nizado e
confuso. Ali, em um total de quase 20.000 negros, reuniam-se grupos
oriundos das diversas regiões da África - com diferentes costumes e
dialetos - a grupos nascidos no Brasil e já marcados pela cultura dos
brancos. Ao lado desses negros, embora em número bem restrito, moravam
ainda índios ex-escravos, mestiços e até alguns brancos.

Os
quilombolas de Pai mares estavam organizados em dezenas de mocambos, isto
é, aldeias distanciadas umas das outras, com .vida quase independente e
com chefes próprios. A princípio, estes chefes haviam pertencido à nobreza
na África; aos poucos, porém, e por força das circunstâncias, os mais
fortes, os mais capazes, foram-se impondo e assumindo a liderança. Embora
cada mocambo tivesse sua própria organização. dois fatores os uniam: o
código de justiça, embora bem primitivo, que punia com a morte o crime, o
roubo e a fuga; e o sistema de defesa com base em postos de observação
espalhados em lugares estratégicos da região.
Em
seus tempos áureos, Palmares chegou a estender-se por mais de 60 léguas,
em vasta zona de florestas, numa faixa de terra paralela ao litoral que ia
do cabo de Santo Agostinho às margens do rio São Francisco. Era uma região
de florestas e banhada por inúmeros rios, porém de difícil acesso, o que
facilitou a sua defesa até o fim do século XVII.

Os erros, a
preguiça ou a desobediência eram punidos das mais diversas maneiras,
desde a palmatória e o chicote até os castigos mais violentos,dados
publicamente para servirem de exemplos.
Seus principais líderes foram Ganga Zuma e Ganga Zona, chefes de mocambos
mais importantes. que se destacaram na defesa contra as primeiras
expedições luso-espanholas e mais tarde holandesas, e ao que parece tios
daquele que chegou a ser o maior chefe dos Palmares, misto de guerreiro,
rei e deus, que se tornaria um mito para muitos mas que para alguns
autores era um título referente a um cargo ocupado no correr dos tempos
por diversos e não apenas por um guerreiro Zâmbi ou Zumbi. As primeiras
expedições organizadas contra Palmares datam de 1644 e foram enviadas
pelos holandeses, já então senhores da região. Estes, entretanto, viram-se
rechaçados pelos quilombolas, sendo que apenas pela escassez e pela
deficiência das armas usadas pelos negros puderam os holandeses livrar-se
de um massacre total. Também os portugueses se preocuparam em combater os
palmarinos, e de 1648 a 1688 foram realizadas 25 infrutíferas expedições,
destinadas a destruir aquele reduto. Enquanto isso, Palmares crescia
numericamente, chegando a manter comércio com as Vilas de Sirinhaém,
Penedo, Porto Calvo e Alagoas. O qui lombo fornecia produtos agrícolas,
caça, pesca e cerâmica, em troca de ferramentas, instrumentos agrícolas e
armamento. Os fazendeiros vizinhos, porém, não podiam permitir que o
quilombo - a princípio apenas com a sua mera existência e depois pelo
envio de emissários aos engenhos - continuasse a estimular a fuga dos
negros. Aos poucos, de simples reduto de escravos foragidos, Palmares
tornou-se um centro de resistência contra a escravatura, em pleno século
XVII.

Os
instrumentos usados na punição dos escravos eram não apenas para
supliciá-Ios, mas também para causar-lhes humilhação.
Em
Palmares - que, dois séculos depois, seria glorificada por Castro Alves
nos versos de Saudações a Palmares - os negros eram considerados homens
livres, desde que satisfizessem certas exigências. Se o escravo viesse
foragido, era imediatamente considerado homem livre, podendo escolher o
mocambo em que desejava viver; se chegasse, porém, raptado pelos homens do
quilombo, continuaria escravo da comunidade até que se conseguisse mais
habitantes para o quilombo.
Após a Insurreição Pernambucana, embora os holandeses tivessem sido
expulsos, o governo de Pernambuco não contava ainda com recursos
suficientes para dar combate aos quilombos, e os próprios fazendeiros de
Alagoas (atual Cidade de Marechal Deodoro) e Porto Calvo assinaram um
tratado de União Perpétua tentando organizar uma tropa para atacar
Palmares. Logo depois, obtiveram a adesão de mais uma vila - Sirinhaém -,
sem nada conseguir de positivo. Em 1669 o governador de Pernambuco,
Bernardo de Miranda Henriques, determinou, com o objetivo de pôr fim à
fama do quilombo, que todo negro recapturado fosse vendido para outras
capitanias no Sul do país.
A
primeira vitória contra os quilombos foi conseguida pelo Tenente Antônio
Jacomé Bezerra, que - chefiando uma expedição enviada em 1617 pelo
governador de Pernambuco, Fernão Sousa Coutinho - conseguiu prender 200
palmarinos. No ano seguinte, à frente de 600 homens bem armados e
abastecidos para seis meses, o já então Coronel Jacomé Bezerra voltou a
atacar, conseguindo destruir vários mocambos e incendiar lavouras. Apesar
de vencidos, os negros não se amedrontaram, e, num contra-ataque,
dizimaram parte da Ci! tropa de Bezerra, que foi obrigado a voltar.
Outras expedições foram organizadas, entre as preparadas e chefia das por
Fernão Carrilho, que obteve consideráveis vitórias, embora, não tivesse
conseguido exterminar os quilombolas. Apesar de já estarem menos
poderosos, os negros continuaram a fazer frente aos ataques inimigos.
Em
1687, o novo governador, João da Cunha Souto Maior, por sugestão do
Conselho Ultramarino, resolveu a exemplo do que ocorrera na luta contra os
indígenas na Bahia - recorrer ao bandeirante Domingos Jorge Velho para dar
fim à confederação dos negros. Foi com ele firmado então um contrato
regular, ratificado pelo Governador Marquês de Montebelo em 1691 e mais
tarde por D. Pedro 11 (de Portugal). O governo entraria com toda a
munição, armas e 600 alqueires de farinha em cada dois meses que durasse a
campanha, e em troca Jorge Velho receberia um quinto' do valor dos negros
apreendidos, terras e o perdão para possíveis crimes cometidos por seus
homens.
A
tarefa era tão difícil que só no governo de Caetano de MeIo e Castro, em
1693, Domingos Jorge Ve ho marchou contra os Palmares. A primeira
investida não surtiu o resultado esperado: os homens de Jorge Velho
esperavam uma caçada e encontraram luta, guerra dura. Tendo atacado o
mocambo do Macaco, sofreram a resistência de Zâmbi, que impôs aos
atacantes grandes perdas. Morreram neste combate cerca 800 homens de ambas
as partes. Jorge Velho retirou-se para Porto Calvo, sugerindo ao
governador que se formasse um grande exército. Chefiados pelo Capitão-Mor
Bernardo Vieira de MeIo e pelo Sargento-Mor Sebastião Dias, 6.000 homens,
entre forças regulares e voluntários, reuniram-se aos paulistas de
Domingos Jorge Velho, marchando contra Palmares.
Para dar combate à Cerca do Macaco, onde se concentravam os negros de
Zâmbi, Jorge Velho mandou construir um grande cercado de 600 metros de
comprimento, e, defendidos os dois lados por paliçadas, desenrolou-se a
batalha. A luta foi difícil, todos os tipos de armas foram utilizados, e
até água fervente foi usada pelas mulheres palmarinas na defesa do mocambo
atacado.
Os
ataques de 23 a 29 de janeiro de 1694 ao reduto negro mostraram a
necessidade de ser usada a artilharia requisitada então do Recife. Aos
poucos, os negros foram cercados,ficando sem contato com o exterior, tendo
às costas um enorme precipício. Jorge Velho pensava vencê-los pela fome e
sede. Finalmente, a 6 de fevereiro de 1694, os tiros de canhões abriram
brechas na cerca do mocambo e os soldados invadiram a praça, obrigando os
negros a tentar escapar por uma única saí da junto ao precipício. Mesmo
ferido, Zâmbi conseguiu fugir e só foi aprisionado quase dois anos depois,
quando um negro, preso no caminho de Recife, em troca da vida, ofereceu-se
para indicar o lugar onde o líder se encontrava em companhia de 20 homens.
No dia 20 de novembro de 1695, André Furtado de Mendonça cortou a cabeça
do valente guerreiro negro, levando-a para Recife.

Em Palmares os
negros eram homens livres. A população do quilombo garantia sua
subsistência, no princípio, com as frutas da região e com a caça abatida
ou presa em suas armadilhas.
Pelos serviços prestados ao governo, Domingos Jorge Velho recebeu 1.526
quilômetros quadrados de terra. Para impedir a restauração do qui lombo,
foram distribuídas sesmarias aos que combateram os quilombolas,
fundando-se ainda diversas povoações.
Embora tenha sido o mais importante, o quilombo dos Palmares não era o
único. No século XVIII formaram-se quilombos no Maranhão, na região das
Minas Gerais - às margens do rio das Mortes e na zona de Araxá. Expedições
oficialmente organizadas destruíram-nos todos. Nos últimos tempos da
escravidão surgiu um outro quilombo, de relativa importância na região
paulista o quilombo de Jabaquara.
Um
dos aspectos mais interessantes e quase ignorados da história da
escravidão no Brasil é o das organizações secretas e religiosas da
escravaria, com poderosa atuação em certos movimentos insurrecionais do
fim do século XIX. Essa participação deveu-se principalmente aos negros
sudaneses, entre eles os famosos malês ou negros auçás muçulmanos. Entre
as rebeliões que eclodiram na Bahia, cabe citar a chamada Revolta dos
Malês que, em 1835, irrompeu na Cidade do Salvador, quando era presidente
da Bahia Francisco de Sousa Martins.
A
insurreição - que, entre outros motivos, teve o da prática exclusiva do
catolicismo na região - foi logo sufocada pelo Chefe de Polícia Francisco
Gonçalves Martins, na noite de 24 de janeiro, sofrendo as forças legais
uma baixa de oito mortos e 14 feridos, e os negros mais de 50 mortos, um
número maior de feridos e 45 prisioneiros. Estas conspirações baianas
tiveram repercussão em outras regiões, inclusive na Província do Rio de
Janeiro, onde, no Município de Vassouras, no Distrito de Pati de Alferes,
a 13 de novembro de 1838, estourou uma rebelião de negros. Foram cerca de
300 escravos, da Fazenda Freguesia, de propriedade do Capitão-Mor Manuel
Francisco Xavier, os quais, chefiados por Manuel Congo, assassinaram os
feitores, seguindo para outra fazenda, Maravilha, também de Manuel
Francisco, a qual foi saqueada e arrasada. Sem que fossem molestados,
dirigiram-se para as matas de Santa Catarina, onde se refugiaram num qui
lombo, aclamando Manuel Congo e sua companheira Maria Crioula como rei e
rainha.
O número de
negros que povoavam aqueles sítios era bem superior ao de proprietários.
Estes, temerosos de que a rebelião se espalhasse, não reagiram. Isto fez
com que os negros se tornassem audaciosos, a ponto de obrigarem as
autoridades a combatêlos. A primeira expedição que tentou desalojá-Ios foi
enfrentada com valentia. Diante desta derrota, o governo regional teve que
se impor, enviando para Vassouras um destacamento de tropas regulares, a
qual, a II de dezembro de 1838, derrotou os revoltosos, aprisionando o
cabeça do movimento. O processo da rebeldia durou mais de oito meses, e
Manuel Congo foi condenado à morte, tendo sido enforcado a 6 de setembro
de 1839, enquanto seus ajudantes imediatos foram condenados a 650 açoites
e ao porte de uma gargalheira com haste por três anos. Causou surpresa
geral a absolvição de Maria Crioula, a bela rainha negra.
Apesar da
vigilância severa dos feitores, muitos escravos fugiam das fazendas e eram
então perseguidos pelos capitães-do mato, ou capitães do-campo, homens
que, em busca de recompensariam à procura dos escravos foragidos.
Os
documentos deste processo revelaram a existência de uma grande sociedade
secreta de escravos, dividida em círculos de diversas categorias, cada um
com cinco membros, cujo chefe recebia ordens do de categoria imediatamente
superior, e assim sucessivamente, até o chefe principal. Ao que parece,
estes negros, como os rebeldes da Bahia, eram melês, isto é, sectários do
Islão. A sociedade era de caráter místico, tendo a proteção da imagem de
Santo Antônio, a quem chamavamão de EI-Banda. Os chefes inferiores
chamavam-se Tates-Corongos. Esta organização secreta trabalhava de tal
maneira que, segundo parece, seu chefe supremo nunca foi descoberto. .!
Tudo
indicava, ainda, que a insurreição negra de 1838 devesse alertar os
fazendeiros de Vassouras, o que realmente não ocorreu. Nove anos mais
tarde, uma nova sublevação foi preparada, segundo consta, pela mesma
organização secreta e chefiada por Estêvão Pimenta. A revolta deveria
eclodir no dia 24 de junho de 1847, mas, descoberta a tempo, foi sufocada.
A raça negra encontrou ainda outras formas para lutar contra a escravidão.
Nos campos, nas cidades, sob o chicote do feitor ou subme tidos aos
caprichos dos senhores, rebelavam se contra a sua triste situação.
Estavam sós,
nenhuma voz se levantava a favor deles. Ainda sob o impacto da chegada à
nova terra, procuravam o suicídio. Outras vezes a saudade da pátria servia
para matá-los. O banzo, a nostalgia do africano, durante os primeiros
tempos, foi o culpado da dizimação de fazendas e distritos inteiros. Os
que sobravam recorriam ao envenenamento ou, os mais audazes, à fuga para
as matas, onde, desconhecendo os caminhos e os meios de subsistência,
acabavam morrendo.
Para fazer
frente ao suicídio ou à fuga dos escravos, tiveram os senhores de lançar
mão de expedientes cada vez mais severos de vigilância e escarmento.
Iniciava-se então a luta feroz, entre o escravo negro e o senhor branco. O
escravo só podia escolher entre dois caminhos: viver na submissão e
resignação, ou fugir em busca de vida melhor.
Mais tarde,
já no século XIX, começou a nova fase na história dos escravos - a da
abolição. Surgiram então os clubes abolicionistas, os jornais que em suas
páginas pregavam por liberdade, os partidos abolicionistas, os
intelectuais, os políticos, os poetas, que como Castro Alves clamavam por
justiça e por resgate, em versos como:
Lá na última
senzala
Sentado na
estreita sala,
Junto ao
braseiro, no chão, Entoa o escravo seu canto,
E ao cantar
correm-lhe em pranto Saudades do seu torrão...
Ou então:
Cai, orvaltto de sangue
do escravo,
Cai, orvalho, na face do algoz. Cresce, cresce, seara vermelha, Cresce,
cresce, vingança feroz.
Em O Navio Negreiro colocou o poeta toda a sua alma, toda a sua
sensibilidade em favor do escravo, quando vociferou:
E existe um povo que a bandeira
empresta,
Pra cobrir tanta infâmia e cobar
dia...
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Auriverde pendão de minha terra, Que a brisa do Brasil beija e ba
lança,
Estandarte que a luz do sol encerra,
E as promessas divinas da esperança. ..
Tu, que da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de morta
lha!...
.......................................................
A ndrada!
arranca este pendão dos
ares!
Colombo! fecha a porta dos teus
mares!

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