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Atraso da Colheita

            Este ano teremos um atraso na colheita de café quando comparado com 1999 e anos anteriores. Nesse ano, é perceptível o atraso do amadurecimento dos frutos, principalmente dos arábicas. Basta percorrer as tradicionais regiões cafeeiras e observamos que praticamente não temos frutos maduros nos terços médios e inferiores das plantas. Percebe-se um amadurecimento muito limitado no terço superior.

            Constatamos essas situações expostas através de visitas, nos últimos dias, nas regiões da Zona da Mata Mineira, Sul de Minas Gerais e Mogiana em São Paulo; nessas visitas de campo, tivemos a possibilidade de constatar nas lavouras esse atraso no amadurecimento.

            Em 1999, nessa mesma época do ano, estávamos com as lavouras “arruadas” ou em fase de “arruação”, e como exemplo, tivemos o início da colheita nos primeiros dias de maio, como ocorreu na região de Furnas. Ainda reforçando esse fato, lembramos que na época estranhamos a entrada de café com volumes significativos nos meses de junho e julho nas cooperativas, o que, com grande possibilidade, não ocorrerá esse ano; e penso que esse fluxo de café será marcante a partir de agosto.

            Sabemos que nessa fase de maturação a temperatura é um fator “catalisador” e que temperaturas mais elevadas agilizam o processo de maturação. Segundo as recentes informações metereológicas mostram que teremos um Outono/Inverno frio e logicamente prejudicará ainda mais o processo de maturação.

            Mesmo as variedades mais precoces como Acaiá (cultivar IAC 474-19) e também Icatu Precoce (cultivar IAC 3282), no momento, não estão demonstrando visualmente indícios de maturação; estão atrasados. Para a variedade Catuaí, seus diversos cultivares ainda se encontram totalmente verdes ou no máximo verde-cana.

            Alguns fatores importantes deverão ser considerados para o retardamento da colheita. O fator primordial foi o intenso e prolongado período seco, ocasionando um déficit hídrico, que sob o ponto de vista Agronômico, é totalmente inadequado: com chuvas insuficientes na pré-florada, seguidos de praticamente 30 dias sem chuvas na pós-florada. Assim:

 

·        19/09/99 – Primeira florada. Entre os dias 13 e 16 de setembro de 99, choveu por volta de 70 mm no Sul de Minas e em outras regiões. Esse nível pluviométrico vigorou por todo o mês. Somado a isso, só veio a chover nessas regiões em 17/10/99; assim, tivemos uma paralisação total da expansão dos frutos. Tanto é, que a florada ficou seca e presa na fase de chumbinho durante 30 dias. No meu entendimento, trata-se de um fato inédito.

 

·        17/10/99 – Segunda florada e praticamente última, que também foi castigada pelo prolongado período seco até o final de dezembro de 99 e, com chuvas torrenciais no início do ano 2000, constatou-se uma desarmonia hídrica levando a uma queda fortíssima dos frutos da segunda florada.

 

Baseado nos fatores anteriormente expostos (irregularidades hídricas), ao previsto período frio, visualização da maturação, seguindo os critérios técnicos da Agronomia e o lado prático de produtor, conclui-se que teremos um atraso na colheita.

            Dado a grande heterogeneidade da cafeicultura brasileira referente aos diversos aspectos que interferem na produção e época de colheita, tais como: variedades, regiões produtoras, tipos de solo, microclimas, nível de enfolhamento, condução dos tratos culturais, entre outros, e, para evitar interpretações errôneas, achamos conveniente não estipular a precisão do atraso da colheita e sim, deixar a critério das decisões dos técnicos e dos produtores em suas respectivas regiões / lavouras o quanto será o atraso da colheita, e o momento oportuno de iniciá-la.

É fato que tivemos duas floradas bem definidas e que só a primeira conseguiu segurar os frutos, assim teremos uma maturação igualada com muitos frutos cereja ao mesmo tempo, diminuindo a porcentagem de frutos verdes, que acarretam grãos pretos e verdes. Sem dúvida, teremos melhor qualidade e homogeinidade do café colhido.

 

Autor: Armando Matielli

Eng° Agrônomo

Colaboração:  André L. Matielli

Eng° Agrônomo  

13/04/00

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