São Francisco e os Cafés Brasileiros
A convenção que aconteceu entre os
dias 15 e 18 de abril em São Francisco/EUA, realizada pela SCAA (Special Coffee American Association), trouxe uma conotação muito boa
para o Brasil. Estive lá e percebi que nosso café, que ainda não é “tão”
conhecido nas ruas, dentre os consumidores americanos, voltou a mostrar todo o
seu potencial.
O
Brasil foi tema principal da feira e mostrou todo seu profissionalismo com uma
presença exemplar, apresentando todo seu vasto portifolio de cafés e
oferecendo aos participantes da feira - produtores, exportadores, traders e
torrefadores – além do café expresso, o nosso tradicional cafezinho.
Acima de tudo, verifiquei que as subdivisões do stand brasileiro – Sul de
Minas, Cerrado Mineiro, Café das Matas de Minas, Café das Montanhas, Café do
Espírito Santo, Café de São Paulo, Café do Paraná e Café da Bahia –
reafirmaram toda diversidade de cafés especiais que possuímos e a nossa
capacidade de atingirmos os mais diversificados mercados do mundo.
Outro
ponto relevante na feira, foi a presença marcante da cafeicultura sustentável.
Cafés produzidos naturalmente, ecologicamente e organicamente também estavam
em destaque dentre os cafés especiais, não por terem características que os
tornam especiais, como boa qualidade de bebida ou poucos defeitos, mas apenas
por serem produzidos de uma forma mais ”sensata”; orgânica, ecológica ou
natural. Países considerados pequenos produtores vem ganhando espaço e
participação no mercado oferecendo esses produtos. Como exemplo pode-se citar:
Peru, El Salvador e Havaí.
Tanto
para os outros participantes da feira, como para mim, ficou claro o tamanho do
agronegócio café e o envolvimento nesse mercado, e o Brasil mostrou-se
perfeitamente capaz de ser competitivo; representando o município de Guapé/Sul
de Minas, recebi o assédio de pessoas de outros países que, percebendo que eu
era do Brasil, mostraram grande interesse na nossa cafeicultura, no nosso
“jeito” de produzir e comercializar o produto; a presença do Ministro da
Agricultura Pratini de Moraes, reforçou a participação brasileira: disse que
daqui pra frente os cafés brasileiros terão o apoio do governo para
acontecimentos como este.
Em
termos gerais o Brasil pode até estar “atrasado” nesse mercado de cafés
especiais, mas provou que tem uma invejável variabilidade de cafés para
ofertar, colocando-nos em uma posição de destaque perante os outros países:
além de sermos o maior produtor e exportador mundial de café, o segundo maior
consumidor, ainda podemos oferecer cafés especiais variados. Deve-se lembrar
que alguns acontecimentos internos vêm evidenciando isso, como por exemplo o certicafé
(programa de certificação de café, comprovando sua qualidade e origem).
Percebo
que estamos no caminho certo, e que nos diversos contatos que fizemos durante a
feira tivemos a preocupação de ficar dentro do contexto de marketing que foi
muito bem desenvolvido. Penso que deveremos sempre aplicar esses conceitos e
passar a usa-los com persistência e focar as nossas estratégias com
homogeneidade, pois se “cada um der um tiro para cada lado, vamos desperdiçar
munição e não atingir a caça”. Como jovem cafeicultor e aluno de graduação
em Agronomia, espero nos próximos anos ter a oportunidade e orgulho de estar
presente nesses eventos, envolvendo o Brasil, mas com as mesmas características
e persistência das estratégias de marketing tão bem iniciadas este ano em São
Francisco. A feira trouxe bons resultados para o Brasil, mostrando mais uma vez
que: “Plantar café é uma arte, exige ciência e dedicação”.
André
L. Matielli
Cafeicultor
e aluno do 5° ano de graduação da ESALQ/USP.
13/05/00