»  »  »  O Labirinto de Ricardo Reis   
Apoio à leitura de O Ano da Morte de Ricardo Reis, de José Saramago     
»  »  O Ano da Morte de Ricardo Reis



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salvo se se trata duma investigação criminal, como lateralmente nos vem ensinando The god of the labyrinth  » 


Já regressaram a Coimbra  » 


hoje almoçaram na Baixa  » 


veja os novos modelos de automóveis Studebaker, o Presidente, o Dictator  » , se o anúncio do Freire Gravador  »  era o universo, este é o resumo perfeito do mundo nos dias que vivemos, um automóvel chamado Ditador, claro sinal dos tempos e dos gostos  »  »


Mas gostou, ou não gostou, insistiu Marcenda  »  » , Gostei, resumiu ele, afinal uma só palavra teria sido suficiente. Neste momento entrou Lídia  »  »  com a bandeja do café


se aqui entrasse o doutor Sampaio não acreditaria nos seus olhos, o doutor Ricardo Reis segurando a mão de sua filha  »


Ricardo Reis largou lentamente a mão, olhou sem saber para quê os seus próprios dedos  » 


aqui onde nós estamos não se consegue perceber o que a telefonia  »  toca, muito daria que pensar a coincidência se fosse a marcha nupcial do Lohengrin, ou a de Mendelssohn, ou, menos célebre, talvez por ser tocada antes numa desgraça, a da Lucia de Lamermoor, de Donizetti  » 


nasceram ambos em Villa Garcia de Arosa  »  , é sina dos humanos terem seus itinerários, infalíveis, uns vieram da Galiza  »  para Lisboa , este nasceu no Porto  »  , por um tempo viveu na capital, emigrou para o Brasil  »  , donde agora voltou, aqueles andam há três anos numa dobadoira entre Coimbra  »  e Lisboa  »  , todos à procura de remédio, paciência, dinheiro, paz e saúde, ou prazer, cada qual o seu


o doutor Sampaio discorre sobre as belezas da Lusa Atenas  »  » 


Parti para o Brasil em mil novecentos e dezanove, no ano em que se restaurou a monarquia no Norte  » 


Ricardo Reis deixou-se ir na corrente porque não se sentia capaz de propor uma alternativa à conversa, e antes da sobremesa já tinha declarado não acreditar em democracias e aborrecer de morte do socialismo  » 


A nós o que nos vale, meu caro doutor Reis, neste cantinho da Europa  »  » , é termos um homem de alto pensamento e firme autoridade à frente do governo e do país  »  » , estas palavras disse-as o doutor Sampaio


Não há comparação possível entre o Portugal que deixou ao partir para o Rio de Janeiro, e o Portugal que veio encontrar agora  » 


Ah, claro, os jornais, devem ser lidos, mas não chega, é preciso ver com os próprios olhos, as estradas, os portos, as escolas, as obras públicas em geral, e a disciplina, meu caro doutor, o sossego das ruas e dos espíritos, uma nação inteira entregue ao trabalho sob a chefia de um grande estadista  »  » , verdadeiramente uma mão de ferro calçada com uma luva de veludo que era do que andávamos a precisar  » , Magnífica metáfora, essa, Tenho pena de a não ter inventado eu, ficou-me na lembrança, imagine, é bem verdade que uma imagem pode valer por cem discursos  », foi aqui há dois ou três anos, na primeira página do Sempre Fixe  » , ou seria dos Ridículos  » , lá estava, uma mão de ferro calçada com uma luva de veludo, e tão excelente era o o desenho que, olhando de perto, tanto se via o veludo como se via o ferro  » . Um jornal humorístico, A verdade, caro doutor, não escolhe o lugar.


entre o vinho de Colares  »  e o queijo


Não é que se trate de um bom livro, desses que têm lugar na literatura, mas é de certeza um livro útil, de leitura fácil, e que pode abrir os olhos a muita gente, Que livro é esse, O título é Conspiração  » , escreveu-o um jornalista patriota, nacionalista, um Tomé Vieira, não sei se já ouviu falar, Não, nunca ouvi, vivendo tão longe, O livro saiu há poucos dias


Não deixarei de o ler, se mo aconselha, já Ricardo Reis se arrependia de se ter declarado anti-socialista, antidemocrata, antibolchevista por acréscimo  » , não porque não fosse isto tudo, ponto por ponto, mas porque se sentia cansado de nacionalismo tão hiperbólico


Só uma vaga pena inconsequente pára um momento à porta da minha alma e após fitar-me um pouco passa, a sorrir de nada  » , murmurou



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ÍNDICE REMISSIVO

1 pp. 7-28 (C. Leitores)
pp. 11-30 (Caminho)
»
2pp. 29-53 (C. Leitores)
pp. 31-53 (Caminho)
»
3pp. 55-83 (C. Leitores)
pp. 55-80 (Caminho)
»
4pp. 85-100 (C. Leitores)
pp. 81-95 (Caminho)
»
5pp. 101-121 (C. Leitores)
pp. 97-115 (Caminho)
»
6pp. 123-142 (C. Leitores)
pp. 117-135 (Caminho)
»
7pp. 143-169 (C. Leitores)
pp. 137-160 (Caminho)
»
8pp. 171-193 (C. Leitores)
pp. 161-181 (Caminho)
9pp. 195-216 (C. Leitores)
pp. 183-202 (Caminho)
10pp. 217-238 (C. Leitores)
pp. 203-222 (Caminho)
11pp. 239-260 (C. Leitores)
pp. 223-242 (Caminho)
12pp. 261-284 (C. Leitores)
pp. 243-264 (Caminho)
13pp. 285-307 (C. Leitores)
pp. 265-285 (Caminho)
14pp. 309-337 (C. Leitores)
pp. 287-312 (Caminho)
15pp. 339-362 (C. Leitores)
pp. 313-334 (Caminho)
16pp. 363-385 (C. Leitores)
pp. 335-355 (Caminho)
17pp. 387-408 (C. Leitores)
pp. 357-376 (Caminho)
18pp. 409-426 (C. Leitores)
pp. 377-393 (Caminho)
19pp. 427-440 (C. Leitores)
pp. 395-407 (Caminho)





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