"A situação do país merecia á imprensa estrangeira referências entusiásticas. Citava-se a nossa política como modêlo, havia alusões ás nossas condições financeiras, de modo a colocar-nos numa posição previligiada. Por todo o país continuavam as obras de fomento que empregavam milhares de operários. Dia a dia os jornais inseriam diplomas governativos no sentido de debelar a crise que, por fenómenos mundiais, também nos atingira. O nível económico da nação era, comparadamente a outros países, o mais animador. O nome de Portugal e dos estadistas que o governavam andavam citados em todo o mundo. A doutrina política estabelecida entre nós era motivo de estudo em outros países. Podia-se afirmar que o mundo nos olhava com simpatia e com admiração. Os grandes periódicos de fama internacional enviávam até nós os seus redactores categorisados a fim de colher elementos, a fim de conhecer o segrêdo da nossa vitória. O chefe do govêrno era, enfim, arrancado á sua pertinaz humildade, ao seu recolhimento de rebelde a réclames, e projectado em colunas de reportagem, através do mundo. A sua figura atingia as culminancias, as suas doutrinas transformavam-se em apostolados."
Ver Capítulo VIII: "Novos Horizontes", de Conspiração  
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» » » O Labirinto de Ricardo Reis, 2002-11-21