Quem bate à minha porta
Tão insistentemente
Saberá que está morta
A alma que em mim sente?

Saberá que eu a velo
Desde que a noite é entrada
Com o vácuo e vão desvelo
De quem não vela nada?

Saberá que estou surdo?
Porque o sabe ou não sabe,
E assim bate, ermo e absurdo,
Até que o mundo acabe?


Fernando Pessoa, ele mesmo
23 de Maio de 1932




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Passa uma nuvem pelo sol.
Passa uma pena por quem vê.
A alma é como um girassol:
Vira-se ao que não está ao pé.

Passou a nuvem; o sol volta.
A alegria girassolou.
Pendão latente de revolta,
Que hora maligna te enrolou?


Fernando Pessoa, ele mesmo
14 de Agosto de 1933




Poemas retirados de

Poesias
Fernando Pessoa
Obras Completas de Fernando Pessoa
Edições Ática, Lisboa, Maio de 1967, 7ª edição

Exemplares disponíveis nas bibliotecas municipais
- Reprodução não oficial -




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