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Lar n�o t�o Doce
A viagem correu tranq�ila. Como a maioria das viagens, eu acho. Eu sentei ao lado de uma janela, enquanto minha prima estava ao meu lado pr�xima do corredor. Na fileira do meio estavam minha m�e e minha tia. Minha prima n�o tinha enj�os, mas morria de medo, por isso acabou colocando fones de ouvido e permaneceu quase toda a viagem de olhos fechados. Mam�e e Tia Mag conversavam animadamente a respeito de produtos de beleza, enquanto faziam compras por cat�logo. Eu assisti alguns dos filmes que passavam na pequena tela a minha frente, mas n�o eram l� muito interessantes. Depois li alguns dos livros que trouxera, s� parando durante as refei��es. A comida era at� apetitosa, com exce��o durante as turbul�ncias, em que o apetite ia todo embora. Depois de muitas horas de viagem, o avi�o chegou em terra. Eu realmente n�o prestei muita aten��o no aeroporto, n�s s� traz�amos a bagagem de m�o ent�o foi r�pida a nossa sa�da. Papai nos esperava no port�o de desembarques, e em poucos minutos est�vamos dentro de uma mini van em dire��o a nossa nova casa. A cidade era definitivamente imensa, e a cada quilometro que and�vamos ficava mais bonita. Est�vamos todos quietos, imaginando que tipo de vida aquele local nos traria. Mam�e quebrou nosso sil�ncio.

- Ent�o, amor, como est� � casa que nos foi reservada?

- Em boas condi��es. � bem ampla, e tem quartos suficientes para todos n�s... Acho que s� � necess�rio mudar a decora��o, a estrutura est� �tima.

- Tio! Voc� j� procurou uma escola para mim e para a mad�? � minha prima indagou, em um tom intimidante.

- Na verdade sim. � bem pr�ximo da casa, e quem sabe voc�s possam dar uma olhada antes de come�arem, mas j� est�o matriculadas para o come�o da pr�xima semana.

- T�o cedo? � eu e minha prima perguntamos ao mesmo tempo, bastantes surpresas.

- Sim, sinto muito. � muito dif�cil conseguir vaga, por isso uma matricula t�o em cima da hora...

- N�o se preocupem, meninas � mam�e interrompeu � Em uma semana j� vamos estar bem instalados, e voc�s v�o estar prontas para ir a escola.

- Hum, claro. � minha prima respondeu.

- Ahn, Zac? � mam�e dirigiu-se somente a meu pai agora � eu estava pensando em ligar para o Will... O que voc� acha?

- Bom voc� liga para ele toda semana, n�o?

- Sim... Mas o que eu quis dizer foi... Que tal se cham�ssemos ele para nos ver, ou marc�ssemos alguma coisa...

- Hum, se voc� acha que n�o seria incomodo para ele.

- Eu vou perguntar, mas acho que ele n�o se importaria... Ele n�o conhece a pr�pria sobrinha!

- De quem voc�s est�o falando? � eu interrompi, timidamente.

- Ah, filha! Do seu tio Will! � mam�e respondeu animadamente � Lembra, ele sempre te liga nos seus anivers�rios e te mandou um urso de pel�cia uma vez...

- Hum, acho que me lembro. Ele mora aqui?

- Sim! E ele iria adorar conhecer voc�s! E tamb�m faz tanto tempo que n�o o vejo...

- � mesmo, Mel. � meu pai se pronunciou � acho que voc� s� o viu umas cinco vezes desde que nos casamos.

- Wow. � minha prima exclamou � Voc� viu seu irm�o cinco vezes em 16 anos, tia?

- Sim. � uma pena, mas foi dif�cil manter contato com tanta dist�ncia...

- Voc� devia ligar pra ele sim, Mel! � minha tia falou sorrindo � Ele vai adorar poder v�-la, n�o se preocupe!

- Tem raz�o, Maggie! Assim que chegarmos vou ligar pra ele!

Ainda permanecemos no trajeto por v�rios minutos, cada um perdido em seus pr�prios pensamentos. Foi uma surpresa quando a van finalmente parou. Meu pai pagou o motorista, que nos ajudava a descarregar a bagagem, mas felizmente a maioria j� fora despachada. Cada um carregou suas pr�prias malas, e encarou a casa. Era uma mans�o de estilo antigo, com um pequeno, mas imponente, jardim � sua frente. Era de cor amarela, com detalhes dourados, o que dava uma sensa��o acolhedora. Meu pai fora humilde ao dizer que a casa estava em boas condi��es. Estava perfeita, da mesma forma que deveria parecer anos atr�s quando fora conclu�da.

Meu pai nos libertou do devaneio quando a van foi embora.

- Ent�o, n�o querem entrar?

Ele foi caminhando para a porta e n�s o seguimos. Colocou a chave na porta e girou, abrindo-a ent�o. N�s adentramos um bonito hall, com uma escada de madeira a sua frente e uma porta em cada lateral. Ele seguiu pela porta da direita, e percebemos que aquela era a sala. Era comprida e tinha uma janela clara e com um banco, com vista para o jardim da casa. As paredes eram do mesmo tom de amarelo que a fachada da casa, portanto davam uma sensa��o de calor, apesar do c�modo estar completamente vazio.

- Nossa, � bonita! � minha tia exclamou. Ela adorava todas as cores quentes, portanto o c�modo a agradara.

N�s sa�mos da sala, voltando para o hall, e ent�o adentramos a porta da esquerda. Era uma bela cozinha, j� montada, com arm�rios brancos e um tampo de granito na pia. Era ampla e tinha um pequeno balc�o com banquetas de bar. J� estava provida de todos os eletrodom�sticos necess�rios, e a janela se localizava no mesmo canto que a da sala, tendo vista tamb�m para o jardim. Em frente a ela havia um espa�o provavelmente destinado a uma bela mesa para as refei��es. No fim da cozinha havia ainda outra porta, que dava para uma �rea de servi�o clara e bem equipada.

- Eu achei que seria bom deixar a cozinha pronta, porque n�s precisar�amos dela logo... Espero que n�o tenham achado muito simples... � meu pai comentou.

- Est� brincando? � mam�e respondeu � Est� linda. � e ficou na ponta dos p�s dando um beijo nos l�bios de meu pai, o que fez minha tia sorrir e eu e minha prima desviarmos rapidamente o olhar.

N�s deixamos a cozinha e voltamos para o hall, meu pai apontou uma porta ao lado da escada, onde havia um banheiro, e ent�o subimos as escadas. Paramos em um corredor amplo e comprido, com v�rias portas em toda sua extens�o.

- Bom, h� quatro quartos � meu pai come�ou � e um banheiro em cada um deles... Acham que ser� o bastante?

- N�o pai, eu posso precisar de dois banheiros se entupir um n�o �? Vai ser um problem�o � eu revirei os olhos.

- Realmente tio, voc� acha que um banheiro pra cada um vai dar? Nem pensar. � minha prima retrucou.

Mam�e e Tia Mag riam abertamente e meu pai finalmente respondeu.

- N�o sei n�... Bom, podem escolher seus quartos!

Papai j� guiava minha m�e para a su�te principal, que ele escolhera para os dois, e eu os acompanhei para dar uma espiada. Era realmente um quarto amplo, e com uma bela vista. Mam�e j� tinha come�ado a discursar aonde colocaria cada m�vel, ent�o eu procurei meu pr�prio quarto. No corredor s� havia mais duas portas, e minha tia e prima j� haviam entrado por cada uma delas. O quarto de Tia Mag j� tinha as paredes pintadas de um tom alaranjado, provavelmente a raz�o da escolha dela. Entrei ent�o no quarto da minha prima. Era bonito, com paredes de um verde piscina, mas nada al�m disso.

- Ei, Mad�! � ela me cumprimentou � voc� viu que o tio pintou as paredes conforme o nosso gosto!

- Ah, achei que elas j� eram dessa cor. � eu cocei a cabe�a.

- N�o, na verdade n�o. Ele sabia que quarto cada um de n�s ia querer.

- Suponho que ele tenha me reservado o sof� ent�o.

- O que?

- S� h� tr�s portas nesse corredor...

- Voc� acha que ficou sem quarto.

- Ah, sei l�. Papai � meio distra�do � eu revirei os olhos.

- Tem uma escada no fim do corredor, sua boba � ela riu.

- Voc� parece ainda mais boba chamando algu�m de boba � eu retruquei.

- Boba � ela riu.

- Que seja. Tem uma escada mesmo?

- Tem sim, vai l� ver.

- Ta bem.

Eu deixei o quarto, e finalmente reparei no lance de escadas no fim do corredor. Era de uma madeira nobre, e quando comecei a subir n�o produziu nenhum ru�do. Vi-me em um pequeno hall, com uma porta em cada lado. Abri a primeira, e me deparei com um largo banheiro, uma pia de m�rmore e uma imensa banheira. Suspirei de alegria, e voltei ao hall para abrir a outra porta. Era um c�modo grande como todos os da casa, mas tinha algo de especial.

O teto era de madeira e levemente curvado, e as paredes eram de um to de lil�s tranq�ilizante. No extremo contr�rio a porta havia uma janela como a da sala no andar t�rreo. Era larga, e tinha um banco a sua frente, grande o bastante para que se pudesse deitar nele e com um estofado roxo, com pequenas estrelas prateadas. Em uma das paredes laterais havia uma prateleira embutida, de uma madeira escura, mas muito bonita. Eu sorri para mim mesma, lembrando que teria de agradecer muito ao meu pai. Sentei-me no banco da janela e reparei na vista. Era a de um imenso parque, extremamente calmante. Imaginei em que malas estariam os meus livros, pois aquele parecia o lugar perfeito para uma leitura. Ouvi batidas suaves na porta.

- Entre.

- Ent�o prima � Mischa abriu a porta - afinal voc� tem um quarto! � ela riu, vindo sentar-se ao meu lado.

- Tenho! � eu ri � e papai at� acertou a cor!

- Uau. Ele se superou dessa vez.

- Realmente! Ei, d� uma olhada nessa vista. � eu a puxei pra mais perto da janela. - Nossa! Parece a do seu quarto l� no castelo!

- Parece n�? Ser� que ele escolheu de prop�sito? � eu sorri de empolga��o.

- De prop�sito ou n�o dessa vez ele acertou!

- Que milagre!

- Com certeza!

N�s ouvimos a porta se abrir novamente e minha tia adentrou o quarto, saltitando. - Meninas! Vamos fazer compras?

- Vamos? � n�s duas perguntamos.

- Claro, voc�s n�o esperam dormir no ch�o n�o �? Precisamos decorar a casa, as paredes est�o bonitas, mas ela est� completamente vazia, com exce��o da cozinha e dos banheiros...

- Tem raz�o tia � eu levantei para abra��-la e minha prima se juntou a n�s.

- Ok, vamos! � Tia Mag riu abertamente.

N�s descemos os dois lances de escada para encontrarmos papai e mam�e na sala.

- Pai! � eu corri para falar com ele, trope�ando e me recompondo rapidamente � Adorei o quarto! � eu sorri.

- Eu tamb�m, tio! � minha prima me acompanhou.

- Que bom. � ele sorriu.

- Ent�o, gente! � mam�e sorriu � prontas para escolher a decora��o?

- Claro! � minha tia riu.

Sa�mos da casa e fomos todos apara a van, que meu pai chamara novamente. Cada um come�ou a discursar o que gostaria em seu pr�prio quarto. At� a� tudo bem, mas se tornou um tanto problem�tico quando tentamos decidir o que colocar na sala.

- Quem sabe uns moveis antigos, alguns enfeites... � mam�e sugeriu.

- N�o, algo novo! � Tia Maggie respondeu.

- Desde que seja pr�tico. � papai se pronunciou.

- Voc�s v�o deixar a sala horr�vel. � ironizei.

- Claro que vamos, filha! � mam�e riu � Eu vou querer colocar moveis antigos e uma tv grande e uns enfeites diferentes, sua tia vai querer deixar a sala alaranjada com moveis extravagantes, e seu pai vai jogar um computador, um sof� e um piano e se dar por satisfeito.

- Verdade � Mischa riu.

- Hum, que tal se a gente se dividir e procurar pistas?

- Ahn? � Tia Mag n�o entendeu.

- Assim... � comecei a me explicar � Mam�e escolhe os m�veis, Tia Mag os enfeites, eu e a Mih os eletr�nicos e papai o piano?

- Por que eu s� escolho o piano? � papai perguntou.

- A gente n�o confia no seu gosto, Zach! � titia debochou.

- Verdade � mam�e riu � Mas acho uma boa id�ia a divis�o, e fora isso cada um escolhe as coisas para o seu quarto! O que acham?

Todos concordaram e depois que o motorista parou, todos se dividiram. Papai e mam�e foram em busca dos moveis e do piano, fora �s coisas para o seu pr�prio quarto. Tia Mag resolveu procurar logo os enfeites, deixando todos preocupados com seu gosto extravagante. Eu e Mischa fomos � busca dos m�veis para nossos quartos, e tamb�m dos eletr�nicos. Papai deixara um dos cart�es de cr�dito da empresa comigo, e n�s duas est�vamos radiantes. Ainda mais porque a nossa conta pareceria m�nima depois que ele visse a da Tia Maggie, provavelmente. N�s come�amos a examinar as lojas de decora��es, animadamente.

- J� sabe o que comprar? � minha prima me perguntou.

- At� sei, mas t�m tantas coisas!

- Realmente, mas a gente vai conseguir. � ela fez um sinal de vit�ria com o bra�o.

- Claro que vamos! � eu a acompanhei, e n�s rimos.

Foi um longo dia de compras. Havia muita coisa para ser escolhida, e no fim do dia n�s est�vamos exaustas. Apesar da maioria das coisas ter sido programada para entregas mais tarde, n�s ainda t�nhamos muitas sacolas para carregar. Compramos todas as coisas b�sicas para nossos quartos: camas, arm�rios, poltronas, cortinas, tapetes, quadros, v�rios enfeites. Al�m disso, escolhemos a tv, o dvd e o aparelho de som da sala, todos de �ltima gera��o, e ainda compramos uma tv para cada um de nossos quartos, deixamos pra trocar de computador depois, pois os nossos ainda estavam em boas condi��es. N�o resistimos e compramos v�rios livros, dvds, e v�rias outras bobagens. Hav�amos combinado nos encontrar em casa com os outros, ent�o pegamos um t�xi amarelo e fomos direto pra casa. Os outros j� se encontravam l�, sentados no ch�o da sala, conversando.

- Oi! � eu e Mischa cumprimentamos todos com beijos no rosto e sentamo-nos no ch�o junto a eles.

- Como foram as compras? � mam�e perguntou, sorrindo.

- Muito bem... O cart�o do papai n�o tem limite mesmo.

- � mesmo � Mischa completou � Mas n�s nos demos bem, as coisas dos nossos quartos chegam amanh� cedo e os eletr�nicos tamb�m... S�o todos incr�veis!

- E ainda compramos mais bobagens! � eu apontei as sacolas que hav�amos deixado no ch�o do hall.

- Eu tamb�m! � Tia Mag comentou � Chega tudo amanh�, s�o enfeites lindos! � ela sorriu animada.

- N�s tamb�m compramos coisas lindas, at� o piano que seu pai escolheu � bonito!

- Voc� que escolheu, Melanie. � meu pai falou, irritado.

- Eu ia fazer elas pensarem que voc� tem bom gosto oras! � mam�e brigou com ele.

- Haha. � ele ironizou.

- Ah, gente, eu sei que fizemos boas compras e tudo o mais � eu comecei � Mas onde vamos dormir?

- N�o se preocupe, filha, coloquei um colch�o em cada quarto?

- Um colch�o? � Tia Maggie e Mischa reclamaram ao mesmo tempo.

- Ah, claro, as camas chegam amanh�... � mam�e respondeu.

- N�o pod�amos ir pra um hotel, n�o? � Tia Maggie continuou.

- Sim, mas � melhor nos acostumarmos com a casa.

- Ta bem, m�e. � eu falei � Pelo menos tem cozinha.

- Verdade � tia Mag concordou � ou ter�amos problemas.

- Com certeza! � mam�e respondeu � pedi uma pizza, falando nisso!

- Do que? � Mischa perguntou. � milho pra mim, Mad� e Mag e bacon pra voc� e seu tio.

- Por que a parte deles � maior? � eu perguntei.

- Eles comem mais, Mad�! � minha tia riu.

- Comemos sim, e da�? � minha prima retrucou a m�e.

- Ta bem gente, enquanto a pizza n�o chega levem suas compras para os quartos, sim? � mam�e cortou a discuss�o.

N�s subimos as escadas e cada um levou suas compras apara os quartos, n�o estavam mais vazios, mas providos de um colch�o no ch�o com apenas um travesseiro e uma coberta. Eu deixei minhas sacolas na prateleira de uma das paredes, e percebi que as malas vindas do castelo j� estavam todas no ch�o do quarto. Peguei minhas coisas e aproveitei para estrear a banheira, coloquei roupas limpas e deixei minhas malas num canto do quarto. Desci as escadas e encontrei todos no ch�o da sala, a pizza acabara de chegar. Sentei-me com eles, e n�s come�amos a saborear a pizza.

- Ent�o, quais os planos para amanh�? � Tia Mag perguntou. - Bom, deixar a casa em ordem n�... � mam�e respondeu � Todas as coisas chegam amanh� cedo, quem sabe at� a noite deixamos tudo arrumado!

- Tudo � meio dif�cil, m�e. � observei.

- �, eu sei. Mas realmente vai ajudar se colocarmos as camas e sof�s no lugar certo...

- Com certeza � Mischa respondeu.

N�s continuamos a acabar com a pizza, Mischa e meu pai competiam quem comia mais peda�os, e como sempre minha prima venceu. Ele tinha apetite, mas comia muito devagar. Deixamos a caixa vazia, e meu pai foi jog�-la na lixeira da cozinha.

- Melhor irmos dormir, temos um dia longo amanh�! Os entregadores chegam �s oito horas! � mam�e nos alarmou.

- Oks. � eu respondi, levantando e dando beijos nos rostos dos presentes. � Boa noite, gente � bocejei, enquanto minha prima me acompanhava.

Ela subiu as escadas comigo, n�s praticamente nos arrast�vamos por causa do cansa�o. Dei boa noite a ela ap�s o primeiro lance de escadas e continuei subindo para o meu quarto. Escovei os dentes e coloquei rapidamente os pijamas, e coloquei no colch�o em meio �s cobertas. Estava de frente a janela e podia observar o c�u. Adormeci quase que instantaneamente, e acordei com algo quente no rosto. Claro, eu ainda n�o tinha cortinas, droga. Virei o rosto para o travesseiro, mas n�o ag�entei permanecer deitada. Levantei-me tentando procurar as roupas na mala, com os olhos ainda ardendo, foi dif�cil encontrar alguma coisa e dei gra�as que os moveis chegariam hoje. Coloquei as primeiras pe�as de roupas decentes que chegaram as minhas m�os, e arrumei o colch�o para um canto, junto com a mala e as sacolas. Fiz a higiene completa no banheiro, e ent�o desci as escadas. Papai e Mam�e j� estavam no balc�o da cozinha, dividindo uma torrada e lendo o jornal do dia.

- Bom dia filha � eles me cumprimentaram.

- Bom dia pai, m�e � dei beijos no rosto de cada um � Que horas s�o?

- Sete e meia. � papai respondeu.

- Logo trar�o nossos moveis! � eu sorri, me sentando em uma das banquetas do balc�o.

- Sim � mam�e concordou � Coma alguma coisa, vai precisar de energia!

- N�o precisa nem dizer, mas eu tenho energia o bastante...

- Claro, mas coma mesmo assim � mam�e riu.

Eu passei gel�ia na minha torrada, animadamente, e tomei tr�s x�caras de caf�. Energia n�o ia faltar mesmo. Logo Tia Maggie e Mischa haviam se juntado a n�s, e em pouco tempo ouvimos o soar da campainha. Papai abriu a porta e n�s nos deparamos com v�rios caminh�es de diversas lojas ao longo da rua. Wow, foram boas compras.

Cada um de n�s guiava um dos entregadores para cada quarto, papai n�o ficou muito feliz com o entregador que mam�e conversava, mas o homem parecia animado. Credo. Demorou muitas horas at� que cada m�vel estivesse no lugar certo, e os enfeites e objetos em geral foram deixados para que n�s decid�ssemos suas posi��es. Papai deu gorjeta para quase todos os entregadores, e n�s pudemos apreciar nossa casa mobiliada. Ficamos t�o empolgadas que logo colocamos cada enfeite no lugar certo, e arrumamos nossos guarda-roupas. Aproveitei e deixei meu quarto em ordem, coloquei meus livros nas prateleiras, arrumei a cama e deixei todos os meus enfeites no lugar certo. N�o estava mais vazio, e sim aconchegante. Deitei na larga cama de metal, era escura com lindas curvas e tinha uma colcha de cor magenta, e estava cheia de almofadas multicoloridas. No outro lado havia uma escrivaninha de madeira, j� provida de cadernos, canetas e de meu laptop. O ch�o estava repleto de tapetes que acompanhavam as outras cores do quarto, o guarda-roupa estava em uma das extremidades, da mesma madeira dos outros m�veis. A janela j� tinha cortinas de cor lil�s, como as paredes, e cada enfeite do quarto dava um toque particular. Por mais que eu j� tivesse comprado mais livros, minha cole��o ainda estava um pouco pobre, e fiz uma anota��o mental dos t�tulos que precisava adquirir. Ainda possu�a uma tv e dvd sobre uma mesinha, e alguns filmes nas prateleiras, al�m de uma confort�vel poltrona em um dos cantos, com um xale e uma almofada sobre ela. No geral ficara bem interessante, e gostei das compras que fizera. Desci as escadas para ver os outros c�modos da casa. Entrei no quarto de minha prima, e ela se encontrava deitada, apreciando seu trabalho. O quarto ficara muito bonito, composto dos mais variados tons de verde. A cama era larga e de uma madeira mais clara que a dos meus pr�prios m�veis, assim como o guarda-roupa, uma penteadeira, e uma escrivaninha.

Tudo j� estava provido das coisas de minha prima, tinha menos livros, mas mais cds e alguns filmes. Al�m do mesmo tipo de eletr�nicos que eu tinha em meu pr�prio quarto. Ficara tamb�m muito aconchegante.

- Nossa, ta bonito hein? � comentei com ela.

- Claro, eu que arrumei.

- Hum, por isso que o meu est� melhor � cocei a cabe�a.

- Duvido, voc� � desprovida de talento.

- Melhor que de c�rebro.

- Melhor nada.

- Claro que �. Hum, vamos olhar os outros quartos? � eu sorri, depois de nossas provoca��es de sempre.

- Vamos! � ela me acompanhou para fora do quarto, e fomos em dire��o ao quarto de minha tia.

Era incr�vel como s� a Tia Maggie conseguia usar uma variedade de cores berrantes e ainda deixar um ambiente tranq�ilo. O quarto era cheio de tons alaranjados, amarelos e azuis, mas era muito calmo. A larga cama j� estava ocupada, e preferimos n�o acordar a loira que dormia pesadamente sobre ela. Fomos ent�o para o quarto de meus pais, e os dois ainda terminavam de arrumar. Estava cheio de moveis antigos, e parecia que cada canto era destinado a um de seus ocupantes. Um lado era cheio de enfeites modernos, pinturas, e uma penteadeira lotada de maquiagem e perfumes. J� o outro s� tinha um grande computador, e uns enfeites sem gra�a. Os dois sorriram para n�s, e eu e minha prima resolvemos examinar a sala. Descemos as escadas e entramos no c�modo. Tinha um toque de antiguidade, pois minha m�e escolhera os moveis, mas os enfeites eram modernos e bonitos. Tinha uma tv de ultima gera��o bizarramente na companhia de um antigo piano. Nos sentamos no sof� e apreciamos o ambiente. A combina��o de gostos estranhos de cada um dos membros da fam�lia acabara surpreendendo com a forma��o de um lugar t�o agrad�vel.

J� estava tarde, ent�o resolvemos fazer o jantar para a fam�lia. N�s �ramos as piores na cozinha, mas demos um jeito de fazer uma macarronada cheia de requeij�o. Arrumamos a nova mesa, e ent�o chamamos os outros membros da fam�lia.

- Gostaram? � mam�e perguntou.

- Sim, ficou tudo lindo! � Tia Mag respondeu.

- Concordo! � comentei.

- � mesmo � Mischa continuou.

- Que bom. � papai sorriu.

- Deixa-me contar as novidades... � mam�e come�ou � William vem aqui amanh�!

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