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Mais um Mist�rio da Vida Eu preciso reconhecer que este lugar sempre foi belo. Simplesmente perfeito se voc� planeja criar seus filhos como num conto de fadas. Mas acho que nos dias de hoje ele n�o � exatamente pr�tico. Quer dizer, n�o � como se fossemos eremitas completos, ou algo assim. � que o nosso conceito de cidade era vago e err�neo. Eu me lembro de ter ido ao centro umas duas vezes durante a minha inf�ncia. Havia um pequeno parque na cidade, e meus pais e minha tia levaram a mim e � minha prima para aproveitarmos o ver�o. �ramos muito pequenas, e s� me vem a mem�ria o gosto daquelas misteriosas nuvens de a��car e o sorriso assustador de um homem cheio de roupas coloridas e uma maquiagem exagerada. Demorou muito tempo at� que eu descobrisse que se tratava de algod�o-doce e de um palha�o. Quanto ao primeiro tornou-se uma das minhas coisas favoritas no mundo e o segundo exatamente o contr�rio. O mais engra�ado � que para as crian�as tudo sempre parece t�o grande, mas a cidade para mim pareceu pequena apesar da minha estatura pouco privilegiada na �poca. Preciso admitir que isso me parece sensato agora, considerando que a cidade toda era menor que a nossa propriedade. Mais ocupada, mas ainda assim muito menor. Quanto � segunda vez que fui ao centro, as mem�rias me v�m mais claras. Eu e minha prima t�nhamos pouco mais de dez anos e minha tia achou sensato que compr�ssemos algumas roupas na cidade. Foi uma experi�ncia frustrante provar todos aqueles modelos horr�veis, que se ajustavam t�o mal ao corpo. Minha tia sempre fora ex�mia costureira, portanto hav�amos nos acostumado com as lindas pe�as de vestu�rio que ela nos fazia e que serviam-nos t�o perfeitamente. Com o passar do tempo eu passei a entender porque morava longe da cidade, e passei a ter maior no��o da vida. Nossa casa possu�a uma das maiores bibliotecas particulares do pa�s, portanto est�vamos acostumados a conhecer todas as paisagens do mundo sem nunca deixarmos o conforto de nosso lar.Ent�o, mesmo se nunca termos freq�entado uma escola t�nhamos uma educa��o bem mais privilegiada do que a dos estudantes comuns. Quando atingimos os doze anos de idade eu e minha prima passamos a ter o famoso acesso � internet. At� hoje n�o sei como meus pais conseguiram com que chegasse at� n�s, a maioria das regi�es afastadas passaram mais dez anos sem ter esse gosto. Eu agrade�o a eles por isso, porque sem ela eu e minha prima ter�amos tido muito mais problemas com o que se seguiu.
Era mais uma manh� de domingo, aquelas reservadas ao total aproveito do dia. Por mais que n�o tiv�ssemos hor�rios fixos para nada, segu�amos uma certa rotina. E os domingos, como para a maioria das pessoas, eram de puro lazer. Eu acordei com o sol atravessando minhas cortinas, e atingindo meus olhos. Sentei-me na cama deixando o cabelo cair-me no rosto para disfar�ar a claridade. Coloquei uma cal�a velha de veludo marrom, uma blusa preta de l� e calcei minhas botas. Era outono, ent�o a temperatura era baixa, mas n�o congelante. Terminei toda higiene matinal, demorando um pouco pais ao pentear meus cabelos, que relutavam em desembara�ar-se. Deixei o quarto descendo a escada com alarde, para garantir que os outros acordassem e chegassem � cozinha antes de mim, n�o tinha vontade de fazer o caf� da manh� sozinha, algu�m sempre reclamava do card�pio. Felizmente ao chegar em nossa ampla cozinha, que havia sido modernizada, mas ainda era medieval em sua estrutura, encontrei meu pai entretido fritando um pouco de bacon.
- Que nojo, voc� sabe que s� voc� e a Mih comem isso!
- Bom dia pra voc� tamb�m, filha.
- Bom dia, pai. Voc� sabe que eu odeio bacon no caf� da manh�! � n�o era educado, mas eu tendia a ficar mal-humorada com fome � E a mam�e fica enjoada logo cedo, e a Tia Mag vai come�ar a listar as calorias e...
Ele me interrompeu, sempre calmo apesar de eu estar sendo visivelmente irritante.
- Calma filha. As torradas est�o no forno, e eu j� deixei o queijo e a gel�ia na mesa. O caf� est� na jarra, tome um pouco e melhore o humor.
Meu pai era sempre calmo. E obviamente estava acostumado com o meu mau-humor matinal, que s� era resolvido com caf�. Eu coloquei x�caras para todos na mesa e enchi a minha de caf� puro, levemente ado�ado. Ouvi passos suaves na escada, enquanto virava o caf� a grandes goles e quase queimava meus l�bios. Minha m�e adentrou a cozinha, com os olhos pouco abertos e abrindo um grande bocejo.
- Bom dia filha.
- Bom dia m�e. � eu levantei para abra�a-la.
Ela foi em dire��o ao meu pai e os dois encostaram os l�bios suavemente, de maneira que nem um filho sentiria asco. Ao menos n�o muito.
Os passos que se seguiram enquanto eu voltava a me sentar era bem mais barulhentos. Minha prima entrou na cozinha, falante como sempre.
- Bom dia! Ora, Mad�, sorte a minha que voc� j� tomou caf� n�o queria ter de ouvir voc� entrar em outra discuss�o com o Tio por causa do Bacon! � ela dirigiu as ofensas habituais a mim enquanto dava beijos de bom dia em meus pais para ent�o se sentar em seu lugar habitual ao meu lado e logo come�ar a tagarelar.
- Bom dia, Mih. Tome logo seu caf�, porque ao menos voc� n�o pode falar enquanto o faz.
Ap�s a nossa troca de elogios habituais, mam�e e papai sentaram-se conosco � mesa e os assuntos do dia-a-dia vieram � tona. Como papai n�o vencia tirar todas as folhas que caiam em nosso jardim e como ele esquecera de consertar o salto dos sapatos da mam�e, e v�rias outras provoca��es quanto a seu tempo de trabalho, as quais ele apenas meneava a cabe�a. Logo mam�e e papai falavam baixo entre si, algo que sempre fazia papai sorrir mais que o normal e eu espero nunca saber o porqu�, e eu e minha prima fal�vamos as bizarrices de sempre, algo pr�ximo de como � mais f�cil descobrir a �rea de uma torrada do que de um peda�o de bacon. Quando todos j� estavam quase terminando a refei��o, ouviu-se passos sonolentos descendo as escadas, se � que � poss�vel definir um som como sonolento. Sabendo de quem se tratava, nos acab�vamos por definir os passos como sonolentos. Minha tia adentrou a cozinha, irritantemente linda como sempre, com a cabeleira loira um pouco mais clara que a da filha a lhe cobrir levemente o rosto.
- Bom dia gente! � ela nos cumprimentou, as palavras levemente distorcidas em meio ao grande bocejo, sentando-se em seu lugar habitual.
� engra�ado como na maioria das fam�lias cada membro tem seu lugar certo � mesa, e com a nossa n�o era diferente. Papai sentava-se em uma das pontas da mesa retangular e ent�o mam�e sentava-se ao seu lado e eu � frente dela, minha prima ao meu lado e sua m�e � sua frente. Por mais que mor�ssemos todos juntos eram poucos os momentos como esses em que nos reun�amos, e fal�vamos dos mais variados assuntos. Parecer�amos uma fam�lia completamente normal, se aquilo fosse um quadro, pois ningu�m nos rotularia de normais se ouvissem o que fal�vamos, e se fosse considerado uma pintura antiga, j� que n�s conserv�vamos um visual cl�ssico devido ao gosto elegante de minha tia por roupas e ao aspecto medieval de nossa cozinha.
Depois de umas tr�s x�caras de capuccino minha tia finalmente acordou e come�ou a tagarelar, bem mais do que minha prima era capaz, mas no mesmo n�vel de minha m�e quando estava animada. Ela come�ou a divertir-se quando meu pai falou alguma coisa, o que era sempre motivo de risos, ele n�o era muito falante, ainda mais durante a manh�.
- Mag, alcance-me o leite, por favor.
- Ah, Zac, levante-se! Que isso est� com pregui�a? Vamos, pegue r�pido ou tomarei o leite sozinha! � ela segurou a leiteira em meio a suas contagiantes gargalhadas.
- Vamos, Mag. � ele disse sem anima��o.
Minha tia n�o conseguiu responder, j� que sua risada era incessante. Seu irm�o acabou por cansar-se e levantar para pegar o leite, mas isso demorou tanto que o leite j� esfriara e ele acabou tendo que ferver mais, de qualquer forma. Os risos de minha tia diminu�ram, e minha m�e aproveitou para conversar comigo e minha prima j� que os �nicos que n�o haviam terminado de tomar o caf� eram os dois irm�os, minha tia porque levantara tarde e n�o conseguia comer enquanto ria e meu pai porque, bom, estava sendo ele mesmo.
- O que voc�s duas v�o aprontar hoje? � ela perguntou animadamente.
- N�o sei... Passear pelos jardins provavelmente, apesar de eu j� ter me cansado um pouco de fazer isso todos os domingos. � eu respondi para ela sem emo��o.
- Por que n�o v�o procurar algum livro interessante na biblioteca? � mam�e sugeriu. - Ah claro, j� que isso n�o � algo que fazemos com freq��ncia � minha prima debochou.
- Ora, mas se sempre fazem � porque devem gostar! � minha m�e riu.
- A quest�o n�o � se gostamos ou n�o, � que estamos terrivelmente enjoadas. � eu repliquei.
- Bom isso n�o importa, o melhor � que saiam mesmo e aproveitem enquanto o inverno n�o chega para aproveitar os jardins, pois v�o ter muito tempo para revirar o castelo quando o frio aumentar! � mam�e concluiu.
Eu e minha prima acabamos por menear a cabe�a afirmativamente.
Ah, agora lembrei que pulei esse pequeno detalhe. Minha fam�lia mora num castelo. N�o, n�o uma mans�o bonita, mas um castelo. Igual o da Cinderela, aquele que voc� sempre sonha que algum pr�ncipe vai te levar em cima do seu cavalo branco e voc�s v�o viver l� felizes para sempre. O ponto � que ele tem estado na nossa fam�lia h� s�culos. Quer dizer, desde que nossa fam�lia existe, eu acho. Para ser sincera, n�o h� muitos documentos sobre a nossa origem. Mas para termos um castelo daquele esplendor devemos ser ao m�nimo descendentes de nobres. N�o sei bem, acho que talvez a maior parte de nossa fam�lia tenha sido dizimada em guerras, mas o castelo se manteve intacto por ser t�o pouco acess�vel. Decerto o que restou da fam�lia permaneceu pacificamente no castelo, e permanece at� hoje. Eu devo ressaltar que ele � de fato inating�vel, pelo menos se considerarmos as guerras de antigamente. H� muitas florestas densas e lagos em volta, e uma �nica estrada de terra como acesso, que provavelmente � recente. Quanto ao seu interior, at� hoje n�o o conhe�o por completo. Possui cinco andares, uma infinidade de sal�es, quartos, e c�modos das mais variadas fun��es.
Inclusive fun��es que eram mais �teis l� pelo s�culo VIII. �, n�s temos uma masmorra. Eu n�o sei se ela foi muito usada, mas garanto que seria bastante efetiva. A primeira vez que eu entrei l� foi quando tinha oito anos. Eu e a Mih est�vamos em uma de nossas aventuras de explora��o, procurando passagens secretas, e acabamos l� por acidente. Era assustador. Mesmo em tenra idade n�s reconhecemos alguns monstruosos instrumentos de tortura e sa�mos correndo dali. Choramos tanto que nossas m�es demoraram pelo menos uma hora para nos acalmar. S�o as curiosidades de se viver em um castelo, voc� vai querer que ele seja um pouco mais moderno e tenha elevador e que seu por�o n�o tenha como decora��o uma guilhotina. Mas se voc� for criada num lugar desses acaba se acostumando, eu nunca vou querer um quarto pequeno e uma cama sem dossel. E tamb�m sentiria falta da vista de um bosque e de um lago ao olhar pela minha janela.
N�s terminamos o caf�, e a fam�lia se separou. Minha tia come�ou a enumerar os novos tecidos que comprara e a reclamar que precisava tirar nossas medidas. Ela ainda n�o se acostumara que n�s j� hav�amos passado da fase de crescer quatro cent�metros em um m�s. Depois de eu e minha prima negarmos passar algumas horas envoltas por uma fita m�trica, ela se conformou e foi para sua sala de costura, cantarolando animadamente. Minha m�e ainda reclamava que meu pai n�o consertara seus sapatos, mas ele disse que haveria muito tempo para isso durante a semana.
- Na verdade, Mellie, eu preciso ir � cidade. Um conhecido meu mandou uma carta h� poucos dias alegando que tem assuntos urgentes a tratar comigo, e que me esperaria no dia de hoje. Voc� pode juntar-se a mim, e depois que eu falar com ele podemos passear um pouco para voc� fazer suas compras.
Meu pai raramente se prolongava tanto ao falar, o que nos levava a crer que se tratava de algo importante. Mas diante da proposta de passear pela cidade com o marido e fazer compras, minha m�e logo esqueceu dos saltos quebrados.
- Ok, meninas, voc�s ouviram o Zachary. � minha m�e s� usava o nome dele sem abrevia��o quando queria deixar claro que aquilo era importante e devia ser respeitado � Voltaremos tarde, comportem-se. E cuidado ao passear pelo bosque, n�o fiquem l� at� de noite e qualquer coisa que precisarem chamem sua Tia Maggie!
N�s disfar�amos o riso em tosse a men��o de pedir ajuda a Tia Mag. Na maior parte do tempo �ramos n�s que t�nhamos de ajud�-la. Ela facilmente se confundia com as palavras e vinha indagar-me com as mais engra�adas e intrigantes perguntas e facilmente se perdia, o que eu n�o muito podia fazer, mas minha prima tinha excelente senso de dire��o e conhecia todos os caminhos do bosque e o jeito mais r�pido de chegar a algum lugar do castelo. Ouvimos minha m�e terminar suas recomenda��es e ela e meu pai foram ao seu quarto trocar de roupa para irem a cidade, os dois ainda usavam roup�es sobre os pijamas. Na verdade s� eu e minha prima costum�vamos descer prontas, minha tia normalmente passava o dia todo em sua camisola.
Acompanhamos nossos pais subindo as escadas, o meu quarto e o da Mischa ficavam no mesmo andar, apesar de cada um da fam�lia pudesse optar por um andar s� para si. N�s hav�amos nos acostumados desde pequenas a passear do quarto de uma para o da outra durante a noite e tagarelar at� altas horas, ent�o n�o seria pr�tico que resolv�ssemos andar pelas escadas no escuro apenas para contar um fato engra�ado que hav�amos nos lembrado. Deixamos meus pais nos segundo e subimos juntas at� o quarto andar. Cada uma dirigiu-se a seu pr�prio quarto para nos prepararmos para sair. Eu escovei meus dentes novamente e tentei domar os cabelos mais uma vez. N�o obtive sucesso, ent�o apenas passei um pouco de protetor labial para sobreviver ao vento e fui procurar uma jaqueta. Logo optei por um casac�o bege de capuz, pr�tico, mas bem quente. Terminei de me arrumar e organizei rapidamente o quarto, guardando as roupas do dia anterior e assentando a colcha. Quase como se cronometrasse meu tempo para ficar pronta, minha prima adentrou o recinto. Ela herdara a beleza da m�e, os olhos tamb�m verdes, por�m mais escuros e os cabelos loiros, n�o dourados, mas um pouco mais para um tom de caramelo. Na realidade ela parecia-se mais com o tio do que com a m�e, fisicamente, embora herdasse grande parte das atitudes daquela. Ela vestia um jeans preto, uma blusa verde de l� e uma jaqueta de um material fofinho e preta, que parecia t�o quente quanto meu pr�prio casaco. Notei, sem dar muita aten��o ao fato, que n�s us�vamos cores mais escuras durante o outono, quase como se combin�ssemos com a esta��o. Ela sentou-se na beira da minha cama, amassando a colcha lil�s que eu tentava alisar a poucos minutos.
- Est� pronta, mad�?
- Ah, acho que sim. Preciso levar alguma coisa? � eu perguntei para ela, como era h�bito, algo que a minha pr�pria mem�ria deveria responder.
- N�o eu acho que n�o. Pretendemos voltar antes de termos fome, n�o �? Eu meneei a cabe�a, afirmativamente.
Ela ent�o se levantou da minha cama em dire��o � porta, e eu s� avisei que ia ao banheiro antes de sairmos. Finalmente prontas, descemos as escadas. Encontramos meus pais no hall, prontos para sair.
- J� est�o indo? � eu perguntei para ouvir a confirma��o, apesar de estar bem claro devido �s roupas para passeio e a bolsa da minha m�e, al�m do terno pouco usado de meu pai, que tinha o poder de deix�-lo elegante.
- Sim, filha. Cuidem-se, n�o voltamos tarde! � minha m�e recomendou mais uma vez. Ela estava bonita como sempre, mas diferente da Tia Maggie que costumava optar por tons suaves, minha m�e usava roupas mais espalhafatosas. Sua cal�a era simples, mas bem ajustada, a blusa era de um vermelho cheio de detalhes e a jaqueta por cima era cheia de bordados e bastante sofisticada. O tipo de roupa que exige classe e atitude para ser usada, o que garantia que eu n�o pudesse aproveitar muito as pe�as do guarda-roupa de minha m�e.
Os dois nos deram beijos de despedida, e at� meu pai murmurou um �Cuidem-se!�, o que significava que o que quer que fosse o assunto que ele tinha a tratar na cidade era importante. N�s observamos os dois se afastarem, minha m�e era v�rios cent�metros mais baixa que meu pai, e encostava sua cabe�a confortavelmente no ombro dele. Era engra�ado ver como os dois eram t�o diferentes, mas se davam t�o bem. Depois que j� t�nhamos perdido os dois de vista, eu e Mischa fomos em dire��o ao bosque. O caminho era uma pequena estradinha de pedras, em meio ao nosso extenso jardim. N�s caminh�vamos ouvindo apenas o barulho de nossos passos, at� que ela optou por quebrar o sil�ncio.
- Ent�o, o que ser� que o tio foi fazer?
- Hum... N�o sei! Voc� sabe que ningu�m perguntou porque papai n�o falaria, ele nunca fala. � ela riu, pois isso n�o se aplicava somente aquela situa��o espec�fica � eu nem lembro o que ele foi fazer da �ltima vez... � eu deixei a frase no ar porque realmente n�o tinha id�ia do que se tratava.
- Acho que ele n�o nos contou... � ela me respondeu, puxando da mem�ria � o tio � sempre, ahn, misterioso.
- Realmente � eu concordei � ele nunca contou no que trabalha, exatamente, e muito menos porque n�s moramos no meio do nada.
- Ora, Madeline, � mais um mist�rio da vida. � ela concluiu, debochando. - �, acho que sim. � eu concordei, distraidamente.
N�s conclu�mos o caminho em sil�ncio, apenas apreciando a paisagem e seus sons.