Segredo
Sei um ninho.
E o ninho tem um ovo.
E o ovo, redondinho,
Tem l� dentro um passarinho
Novo.
Mas escusam de me atentar:
Nem o tiro, nem o ensino.
Quero ser um bom menino
E guardar
Este segredo comigo.
E ter depois um amigo
Que fa�a o pino
A voar...
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A Terra
Tamb�m eu quero abrir-te e semear
Um gr�o de poesia no teu seio!
Anda tudo a lavrar,
Tudo a enterrar centeio,
E s�o horas de eu p�r a germinar
A semente dos versos que granjeio.
Na seara madura de amanh�
Sem fronteiras nem dono,
H� de existir a praga da milh�,
A vol�pia do sono
Da papoula vermelha e tempor�,
E o alegre abandono
De uma cigarra v�.
Mas das asas que agite,
O poema que cante
Ser� gra�a e limite
Do pend�o que levante
A f� que a tua for�a ressuscite!
Casou-nos Deus, o mito!
E cada imagem que me vem
� um gomo teu, ou um grito
Que eu apenas repito
Na melodia que o poema tem.
Terra, minha aliada
Na cria��o!
Seja fecunda a vessada,
Seja � tona do ch�o,
Nada fecundas, nada,
Que eu n�o fermente tamb�m de inspira��o!
E por isso te rasgo de magia
E te lan�o nos bra�os a colheita
Que h�s de parir depois...
Poesia desfeita,
Fruto maduro de n�s dois.
Terra, minha mulher!
Um amor � o aceno,
Outro a quentura que se quer
Dentro dum corpo nu, moreno!
A charrua das leivas n�o concebe
Uma bolota que n�o d� carvalhos;
A minha, planta orvalhos...
�gua que a manh� bebe
No pudor dos atalhos.
Terra, minha can��o!
Ode de p�lo a p�lo erguida
Pela beleza que n�o sabe a p�o
Mas ao gosto da vida!
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