Eu sou a que
no mundo anda perdida,
Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida n�o tem norte,
Sou a irm� do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...
Sombra de n�voa t�nue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...
Sou aquela que passa e ningu�m v�...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber porqu�...
Sou talvez a vis�o que Algu�m sonhou,
Algu�m que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!
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Os versos que te fiz
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
S�o talhados em m�rmore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.
T�m dol�ncia de veludos caros,
S�o como sedas p�lidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!
Mas, meu Amor, eu n�o tos digo ainda...
Que a boca da mulher � sempre linda
Se dentro guarda um verso que n�o diz!
Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te n�o dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!
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Se tu viesses ver-me...
Se tu viesses ver-me hoje � tardinha,
A essa hora dos m�gicos cansa�os,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus bra�os...
Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abra�os...
Os teus beijos... a tua m�o na minha...
Se tu viesses quando, linda e louca,
Tra�a as linhas dulc�ssimas dum beijo
E � de seda vermelha e canta e ri
E � como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus bra�os se estendem para ti...
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Sobre a neve
Sobre mim, teu desd�m pesado jaz
Como um manto de neve... Quem dissera
Porque tombou em plena Primavera
Toda essa neve que o Inverno traz!
Coroavas-me inda h� pouco de lil�s
E de rosas silvestres... quando eu era
Aquela que o Destino prometera
Aos teus r�tilos sonhos de rapaz!
Dos beijos que me deste n�o te importas,
Asas paradas de andorinhas mortas...
Folhas de Outono e correria louca...
Mas inda um dia, em mim, �brio de cor,
H�-de nascer um roseiral em flor
Ao sol da Primavera doutra boca!
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Amiga
Deixa-me ser a tua amiga, Amor,
A tua amiga s�, j� que n�o queres
Que pelo teu amor seja a melhor
A mais triste de todas as mulheres.
Que s�, de ti, me venha magoa e dor
O que me importa a mim? O que quiseres
� sempre um sonho bom! Seja o que for,
Bendito sejas tu por mo dizeres!
Beija-me as m�os, Amor, devagarinho...
Como se os dois nascessemos irm�os,
Aves cantando, ao sol, no mesmo ninho...
Beija-mas bem!... Que fantasia louca
Guardar assim, fechados, nestas m�os,
Os beijos que sonhei pra minha boca!...
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Eu n�o sou de ningu�m...
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Eu n�o sou de ningu�m!... Quem me quiser
H�-de ser luz do Sol em tardes quentes;
Nos olhos de �gua clara h�-de trazer
As f�lgidas pupilas dos videntes!
H�-de ser seiva no bot�o repleto,
Voz no murm�rio do pequeno insecto,
Vento que enfurna as velas sobre os mastros!...
H�-de ser Outro e Outro num momento!
For�a viva, brutal, em movimento,
Astro arrastando catadupas de astros!
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