Almeida Garrett

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Rosa e L�rio

A rosa
� formosa
Bem sei.
Porque lhe chamam - flor
D'amor,
N�o sei.

A flor,
Bem de amor
� o l�rio;
Tem mel no aroma, - dor
Na cor
O l�rio.

Se o cheiro
� fagueiro
Na rosa;
Se � de beleza - mor
Primor
A rosa:

No l�rio
O mart�rio
Que � meu
Pintado vejo: - cor
E ardor
� o meu.

A rosa
� formosa,
Bem sei...
E ser� de outros flor
D'amor...
N�o sei.

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N�o te Amo

N�o te amo, quero-te: o amor vem d'alma.
E eu n 'alma - tenho a calma,
A calma - do jazigo.
Ai! n�o te amo, n�o.

N�o te amo, quero-te: o amor � vida.
E a vida - nem sentida
A trago eu j� comigo.
Ai, n�o te amo, n�o!

Ai! n�o te amo, n�o; e s� te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
N�o chega ao cora��o.

N�o te amo. �s bela; e eu n�o te amo, � bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na m� hora
Da sua perdi��o?

E quero-te, e n�o te amo, que � for�ado,
De mau, feiti�o azado
Este indigno furor.
Mas oh! n�o te amo, n�o.

E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... n�o te amo, n�o.

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O Anjo Ca�do

Era um anjo de Deus
Que se perdera dos c�us
E terra a terra voava.
A seta que lhe acertava
Partira de arco traidor,
Porque as penas que levava
N�o eram penas de amor.

O anjo caiu ferido
E se viu aos p�s rendido
Do tirano ca�ador.
De asa morta e sem esplendor
O triste, peregrinando
Por estes vales de dor,
Andou gemendo e chorando.

Vi-o eu, n anjo dos c�us,
O abandonado de Deus,
Vi-o, nessa tropelia
Que o mundo chama alegria,
Vi-o a ta�a do prazer
P�r ao l�bio que tremia
E s� l�grimas beber.

Ningu�m mais na terra o via,
Era eu s� que o conhecia
Eu que j� n�o posso amar!
Quem no havia de salvar?
Eu, que numa sepultura
Me fora vivo enterrar?
Loucura! Ai, cega loucura!

Mas entre os anjos dos c�us
Cantava um anjo ao seu Deus;
E remi-lo e resgat�-lo,
Daquela inf�mia salv�-lo
S� for�a de amor podia.
Quem desse amor h�-de am�-lo,
Se ningu�m o conhecia?

Eu s�, - e eu morto, eu descrido,
Eu tive o arrojo atrevido
De amar um anjo sem luz.
Cravei-a eu nessa cr
Minha alma que renascia,
Que toda em sua alma pus,
E o meu ser se dividia,

Porque ela outra alma n�o tinha,
Outra alma sen�o a minha...
Tarde, ai! tarde o conheci,
Porque eu o meu ser perdi,
E ele � vida n�o volveu...
Mas da morte que eu morri
Tamb�m o infeliz morreu.

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Barca Bela

Pescador da barca bela,
Onde vais pescar com ela.
Que � t�o bela,
Oh pescador?

N�o v�s que a �ltima estrela
No c�u nublado se vela?
Colhe a vela,
Oh pescador!

Deita o lan�o com cautela,
Que a sereia canta bela...
Mas cautela,
Oh pescador!

N�o se enrede a rede nela,
Que perdido � remo e vela,
S� de v�-la,
Oh pescador.

Pescador da barca bela,
Inda � tempo, foge dela
Foge dela
Oh pescador!

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Gozo e Dor

Se estou contente, querida,
Com esta imensa ternura
De que me enche o teu amor?
- N�o. Ai n�o; falta-me a vida;
Sucumbe-me a alma � ventura:
O excesso do gozo � dor.

D�i-me alma, sim; e a tristeza
Vaga, inerte e sem motivo,
No cora��o me poisou.
Absorto em tua beleza,
N�o sei se morro ou se vivo,
Porque a vida me parou.

� que n�o h� ser bastante
Para este gozar sem fim
Que me inunda o cora��o.
Tremo dele, e delirante
Sinto que se exaure em mim
Ou a vida - ou a raz�o.

                                                            UP


Rosa e L�rio

N�o te Amo

O Anjo Ca�do

Barca Bela

Gozo e Dor

 

 

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