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Quem
gosta de realizar buscas – alçar vôo – na internet, atrás de manifestações
culturais – das mais variadas – já deve ter se deparado com alguns
desses nomes: Douglas Venoso, Jorge Rocha, Jules Rimet, Márcio Aquino,
Quésia Francisco e Vitor Menezes. Todos eles são novos escritores
que habitam a planície goitacá e que utilizam a internet para escoar
suas produções. (Entrevista feita por Alexandro F.) |
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Na década de 70, Campos teve um movimento literário bastante forte – juntamente com o movimento literário de todo o país – e teve movimentos alternativos de produção e militância cultural, como o grupo Uni-Verso, que tinha como proposta editar obras de autores regionais. Também se tinha apoio por parte da própria prefeitura. Hoje existe falta de incentivo para este tipo de manifestação cultural em Campos?
Como você encara o movimento literário em Campos? A
literatura campista tem uma espécie de ícone, que é
o José Cândido de Carvalho. Qual relação
da literatura realizada em Campos hoje com a literatura de José
Cândido? |
Jorge
Rocha: Incrível como parece que toda vontade criativa colocada
em prática e sendo "devidamente" incentivada estancou
nos anos 70 ! Para mim, a situação é bem clara
e pode ser assim resumida: hoje nós temos muita reclamação
e nenhuma atividade. Em suma, não há um lobby devidamente
articulado. O que há é muita teoria - ha ha ha - e quase
nenhuma prática. Comodismo e vontade de ficar apenas no campo
das idéias, esperando que O Mecenas desça das alturas
e opere milagres me parece uma boa imagem para exemplificar o que acontece.
Mas, ao mesmo tempo, há quem queira que a prefeitura se sensibilize
e invista maciçamente na literatura campista, enquanto há
pessoas que buscam incentivos do que chamam de iniciativa privada -
neste caso, a situação complica-se um tanto, porque já
ouvi várias vezes a frase "em Campos não há
empresários, mas sim donos de comércio". Vitor
Menezes: Existe. E não só no que diz respeito à
literatura. A ênfase tem sido no Jules
Rimet: Não sei se existe falta de incentivo. Não gosto
desse termo ‘literatura campista’, e isso não contradiz
o que afirmei acima. Literatura campista cheira a ‘clubinho’
e a ‘círculo do livro’. Um selo ‘literatura campista’
mais afasta que atrai. Claro que incentivo nunca é demais, e
existe hoje em Campos produção literária que está
entre as melhores do país. O que falta é aparecer. Falta
alguém que exponha ao resto do país a excelente literatura
que um grupo de campistas, articulados e eruditos, produz. Douglas
Soares: Precisa responder? Quésia
Francisco: Nunca ouvi falar da presença de grupos como o
Uni-verso em Campos. Esse tipo de trabalho não é muito
divulgado por aqui. Hoje, menos ainda. Não existe nenhuma forma
de incentivo que fomente manifestações culturais no cenário
campista. Fato um tanto quanto estranho dado à importância
do Município no cenário nacional. Por tratar-se de um
pólo universitário, com grande concentração
de estudantes, professores, Campos apresenta ou, ao menos, aparenta
ter, capacidade e potencial de formar escritores. Além desta
particularidade, posso chamar atenção também para
o fato de que o município recebe grandes quantidades de royalties
e que parte substancial desse dinheiro poderia ser investida em trabalhos
como esses, essenciais para a formação cultural da população. Márcio
Aquino: A década de 70 foi muito produtiva para Campos em
termos culturais. O grupo Uni-Verso é um exemplo de como se ter
uma boa idéia e coloca-la em prática. Hoje o que se vê
são ótimas idéias, mas que nunca são realizadas,
muitas vezes por falta de apoio. Há pouco tempo, tive acesso
a um material publicado nos anos 70 pela prefeitura, de excelente qualidade,
onde vários trabalhos de autores campistas eram publicados e
divulgados. Hoje esse tipo de iniciativa não mais existe.
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