As novas caras da literatura campista  Douglas Venoso:  segundo Jorge Rocha, Douglas é um sujeitinho vagabundo e preguiçoso. Adepto confesso do polianismo. Estudante de Comunicação Social. Diz ter coragem e assume a prepotência de se intitular escritor. Mais um produzindo – entre poucos – coisas   boas na planície.Jorge Rocha: colecionador de acusações de ser hermético e fechado para um gueto. Jornalista, professor e escritor com pitadas de hiperatividade. Assume ser um utópico irremediável, assim acreditando na expansão da vida literária inteligente em Campos.Jules Rimet: advogado,  professor. Acredita que com a chegada dos 33 anos caiu em si e percebeu que é um colecionador de ignorâncias. Diz ser, na verdade, mais poeta do que escritor. Indivíduo, aparentemente, calmo, mas que tem muito o que revelar, pode ser que seja agora, aos 33.Márcio Aquino: economista e exímio imitador de gato com frascos de desodorante. Memória ambulante da cultura pop goitacá. Um hippie da tecnologia, o único que se mantém a uma distância segura da internet. Sujeito tranqüilo e pacato, porém com idéias inquietantes. Quésia Francisco: guria hiperativa, só pode ser, para conciliar literatura de qualidade com duas graduações (Ciências Sociais – UENF e Geografia – CEFET). Pessoa de fala mansa e temperamento – no mínimo – forte. “- Tenho uma personalidade um tanto quanto contraditória sim, e daí?Vitor Menezes: é jornalista, professor e escritor, apesar de negar veementemente, sempre dizendo ser um jornalista metido a produzir literatices. Acreditando que o fato de ser viciado em prazos e cobranças, uma espécie de produção industrial, o faz muito mais jornalista do que escritor.

Telefone voices blues
Quésia Francisco
 
Sempre assim. Eu ouvindo blues e pensando em como seria bom bater na porta do diplomata, "E aí, imbecil, já se decidiu se vai para Saint Louis ou se afogar no Mississipi?". Não bati; era cedo e o gato do 303 estava me esperando para consertar a tomada do vídeo; a desculpa que arranjei. Ainda não cheguei na décima primeira dose. Telefone, então. Pergunto qual é a da Conferência Mundial das Nações Unidas em prol do bem comum da América do Norte só para ouvir a voz dele. Voz ao telefone é algo de sublime, não importa de quem seja; fantasia-se. Adoro vozes, preciso dizer? Sussurros, meio doce meio grave; meio voz de irlandês bêbado, que nem a do tio Tom. É por isso que estou ouvindo Nick Cave, no último volume. Sou mais eu, mas devo confessar que a francesa me deixa um pouco insegura. Só porque ela sabe falar melhor de Greenland e eu ainda sou só uma "garotinha", como disse o cara que me impediu de entrar no Café com placa de "proibido para menores", só porque esqueci minha carteira de identidade e o batom vermelho no banco do Kadett do estranho de lindos olhos verdes que me deu carona. "Girls just wanna have fun, baby." O diplomata dá gargalhadas e tira o copo da minha mão quando desato a falar bobagens. Tenho medo da morte e do tempo que passa rápido demais e leva minha vida com ele e não há nenhuma aplicabilidade das teorias que aprendi no curso de Tautologias Diacrônicas para evitar que isso aconteça. Tenho tanto para fazer e só uma vida curtinha. Ele sabe disso. "Erasmo de Roterdã está te deixando paranóica, garota!" É por isso que nem sempre nos aturamos. Sinergia de pesadelos.
Lá, onde as rosas selvagens crescem é o jardim que vai ser nosso. Quem sabe um dia, quando eu me decidir se aturo as grosserias passageiras dele ou se dissolvo tudo numa bacia de cianureto com corante básico de Hg. "A morte não é o fim, querida." Eu sei, imbecil. Só finjo que vou cortar os pulsos para que você fique mais um pouco e dance Where The Wild Roses Grow à luz da lareira comigo. É tão difícil dançar quando está frio e não há mais música. Fim é sempre fim. Tenho medo de fim. No fim, tudo acaba. É por isso que ainda não terminei a carta que escrevia para ele. É por isso que viro logo a página antes que acabe.
Devolva meu copo, moço. Ainda não vi as estrelinhas da Constelação Zeta de Marte. Ele me pergunta o que acho das viagens que faz e do trabalho dele. Acho bom, comum para um diplomata comum com aspirações comuns. Assim tenho mais tempo para cuidar da minha própria vida enquanto ele discute sobre formas de colocar areia na bomba que só não explode por causas dos tais paliativos dos governos. Gosto de ter tempo para cuidar do meu jardim de cactos. Só não demore muito, pois Nicholas, o surfista que tem tattoo e piercing na língua, disse que virá passar as férias aqui na cidade. Vai se hospedar no Crooner do próximo quarteirão. "That bad motherfucker called Nicholas Lee?" Oh, doutor, não se irrite; ele é apenas um adolescente; que nem eu.
Pede para eu arrumar suas malas. Digo não. Não sou sua empregada e você já é bem crescidinho. Coloco o filme do Danni Boyle e fico pensando no amor de tudo e em como as coisas acontecem e são tão previsíveis, que nem num filme que se vê pela segunda vez. Só basta um olhar e a gente já sabe; encho meu copo e sonho com uma viagem de trem pelas montanhas, riacho por entre seixos rolados abaixo dos trilhos e com os cactos do deserto que não existem na Greenland. Pôr-do-sol alaranjado e dunas amarelas com horizonte lilás, um lugar que só eu sei onde fica. Trarei uma rosa selvagem da margem esquerda do rio para o meu bem.
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