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Quem
gosta de realizar buscas – alçar vôo – na internet, atrás de manifestações
culturais – das mais variadas – já deve ter se deparado com alguns
desses nomes: Douglas Venoso, Jorge Rocha, Jules Rimet, Márcio Aquino,
Quésia Francisco e Vitor Menezes. Todos eles são novos escritores
que habitam a planície goitacá e que utilizam a internet para escoar
suas produções. (Entrevista feita por Alexandro F.) |
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A
literatura campista tem uma espécie de ícone, que é
o José Cândido de Carvalho. Qual relação
da literatura realizada em Campos hoje com a literatura de José
Cândido?
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Jorge Rocha: Se separarmos em pólos, talvez possamos encontrar essas relações com mais facilidade. E lá vamos nós, novamente recorrendo à divisão, porque "literatura realizada em Campos" não significa exatamente escritos de autores novos. Em relação aos escritores mais antigos, com livros publicados e muito mal divulgados, sem repercussão devida, acredito que a influência se dá muito mais como reverência do que como estilo. Não consigo reconhecer, em obras de alguns desses escritores, tramas fechadas com o estilo de Zé Cândido. Dos escritores da minha geração - aham ... faixa etária -, talvez Vitor Menezes seja aquele que mais tenha identificação - esse é o termo, não influência - com o ideário de Zé Cândido. O que não quer dizer que ele ambiente seus contos no mesmo sentido. Vitor Menezes: Não sei. Tem de haver alguma relação? Existe algo que se possa classificar em bloco como sendo "literatura realizada em Campos"? Leio uma ou outra coisa e vejo muito pouco José Cândido. O que acredito que pode acontecer é uma espécie de novo regionalismo, com uma produção literária que não é a das grandes cidades, mas também não é a rural ou a de província, como presente em José Cândido (sem que isso, claro, signifique algum demérito). Autores de cidades importantes, de porte médio, como Campos, podem oferecer uma nova linguagem, uma nova visão de mundo, que não seja nem aquela marcada pela densidade artificial da metrópole e nem pelo bucolismo do interior.
Douglas
Soares:
Rapaz...
Tenho uma birra pessoal com essa coisa de ficar cultuando o passado
eternamente. Pouco importa o que se fazia antes. Esse é o nosso
momento, nossa vez. Temos o dever moral de criar algo próprio,
algo singular, que impulsione a produção literária
nesse fim-de-mundo em que vivemos. Tudo bem que o passado deve ser visitado
algumas vezes, mas não dessa forma idiota que teimamos em fazer. Quésia
Francisco: Não conheço a obra de José Candido
de Carvalho. Sei que se trata de um grande escritor. Lamentável
o descaso que Campos tem para com grandes obras da terrinha. Campos
ainda está parada no tempo; se perdeu em plena era populista
e só investe em trabalhos que garantem votos em épocas
de eleição. Mentalidade arcaica que subestima a potencialidade
cultural de uma terra que muito poderia produzir em termos culturais. Márcio
Aquino: Por ainda não conhecer a maior parte do que está
sendo escrito hoje em Campos, não tenho condições
de perceber ligações com o trabalho de José Cândido.
Como pretendo tomar contato com o que está sendo escrito por
aqui, talvez eu até venha a encontrar semelhanças em alguns
destes trabalhos com a obra de José Cândido.
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