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Será possível que nem depois de tudo que houve se pode deixar uma poeta em paz, senhores leitores de dois parágrafos?

Será possível que vou ter de deixar minha convalescença micronacional para desfazer as mentiras sórdidas de uma pessoa que veio a minha casa mais que uma vez, comeu da minha comida, bebeu comigo, deu colo a minha gata e ainda tem coragem de inventar uma história tão absurda a respeito daqueles que o chamavam de amigo? Faço uma pergunta básica aos que não passam do segundo parágrafo e vão parar de ler por aqui mesmo: por que diabos alguém que está planejando um golpe chama para isso uma pessoa que pertence ao time inimigo --no caso, o PSDN-- e alguém que poderia nos denunciar --um juiz da SCJ? Vcs. acham mesmo que seríamos burros a esse ponto? E mais: como o sr. Eduardo Dantas sabe tantas informações sobre algo que ele nem mesmo presenciou, como ele mesmo confessa ao informar que chegou à tarde a minha casa? Estou impressionada com a imaginação fértil dos que querem nos prejudicar --aos esquerdistas e à Justiça portoclarense.

Eu chamei o Eduardo Dantas para vir a minha casa na tarde de sábado passado. Era mais um dos frequentes encontros do pessoal que se conheceu em PC e viraram amigos pessoais. Cansamos de virar a noite jogando conversa fora, é um grupo de população relativamente flutuante, que chega a incluir reuniãos vez por outra e o marajoara que é meu namorado, temos muitos interesses em comum que não se prendem somente a micronacionalismo. Nunca nos preocupamos com rótulos: frequentávamos as mesmas reuniões eu e Ari Silva quando ainda éramos pré-candidatos à Presidência em lados opostos, ao lado do juiz Fabio Moraca Paulo, do monge Hattori Yamato e até, uma vez, do então presidente Pedro Casagrande Baez. Pela primeira vez nesse sábado, eu ia ser a anfitriã, e estava feliz com esse papel: separei as bebidas, fui a casa do meu pai buscar uma forma para fazer torta de maracujá, minha especialidade, me encarreguei de convidar os mais habituais e os menos frequentes para fazer companhia a mim e ao Lúcio, que já estava o dia todo na minha casa. Entre os seis convidados, estava esse famigerado Eduardo Dantas. Alegando cansaço, ele não foi, mas, convidado novamente no dia seguinte, apareceu na tarde de domingo. Quando ele chegou, havia seis pessoas em casa: eu, Lúcio, Ari, Wilson, Anita e Ivo. O profeta Fabio já havia ido embora (como esse Dantas poderia ter acompanhado alguém que nem estava presente fazer alguma coisa?). Já estávamos então cheios de olheiras, tresnoitados, meio de ressaca, e todos bastante bravos com Porto Claro. Motivo: à noite, resolvi acessar meus e-mails e vi aquele informe de que havia uma OD do Senado em votação. Os três senadores presentes então conferiram, com horror e revolta, que se tratava da tal Medida Provisória que a Justiça havia considerado inconstitucional menos de três dias antes! E o presidente ilegítimo do Senado nem mesmo havia avisado o presidente legal, que julgava secretário (já que o requerimento respondido no acórdão 006 não havia sido julgado ainda), como exige o regimento da Casa! É evidente que a indignação foi geral. Afinal, com a conivência do presidente Felipe Fonte ou sem ela, estavam passando por cima de uma decisão judicial, como antes já haviam tentado atropelar o Poder Legislativo! Mas é um insano quem pensa ou inventa que perdemos a noite e deixamos de nos divertir por causa disso.

Foi só pela manhã, quando o juiz Fabio já havia ido embora para esperar em casa pelo veredicto do processo contra Daniel Saes, que o juiz Thiago K. Luna estava preparando, que voltamos a nos ocupar, eu e a promotora Anita de Paula, com a ajuda de Ivo La Puma, do que havia acontecido. Quando o sr. Eduardo Dantas chegou, havíamos terminado há pouco de redigir o pedido de suspensão preventiva, assinado por mim, e estávamos esperando para ver se haveria uma resposta da Justiça (que veio no acórdão 007). Assim que saiu o acórdão, aliviados, fomos terminar de comer minha torta de maracujá e beber o que restara da madrugada, justamente essa famigerada garrafa de champanhe. O brinde, levantado por mim, se o sr. Dantas bem se lembra, foi: "A Porto Claro". Os meninos foram embora por volta das 19h; a partir daí, não posso mais responder por nenhum deles. Em resumo é isso. Não sei o que esse Eduardo Silvério dos Reis ganhou em troca de suas inverdades, nem mesmo acredito que uma história tão adequada aos interesses dos que querem varrer a SCJ e a esquerda de Porto Claro tenha sido inventada por ele sozinho, penso mesmo que boa parte desse chat forjado tenha chegado pronta às mãos desse Judas falso. Liguei para ele mesmo, não consigo me conformar que eu tenha julgado tão mal um ser humano, fiz questão de dizer na sua cara pusilânime o que eu e os outros meninos pensamos de sua pessoa, afirmei literalmente que, se o encontrar um dia nas ruas de Santo André, mudarei de calçada, mas daí a dizer que eu o ameacei vai uma distância muito grande. É muito conveniente vir afirmando que eu negaria tudo --é evidente que eu negaria essa história mentirosa. Tomei conhecimento dessas inverdades por meio de um amigo sincero que não é da esquerda, que ficou assustado com essa história maluca, e que me deu a chance de explicar o que acontecera realmente ao me repassar esse chat absurdo (desculpa não ter te respondido diretamente, mas precisava que todos soubessem). Quem conversou comigo na noite de ontem já ouviu minha versão dos fatos. É só disso que posso falar. Não vou permitir que mentiras como essas recaiam sobre mim e sobre meus amigos. Já basta terem invadido meu computador e o de outras duas pessoas. Será que vamos precisar de providências macronacionais para que essas infantilidades acabem??

Revoltada e triste,
Saudações da poeta Adriana


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