O Barroco em Minas Gerais - 8 Mais profundo e criativo é o português José Soares de Araújo, ativo a partir do ano de 1765, na área de extração de diamantes. Como Caetano da Costa Coelho, no Rio de Janeiro, Soares de Araújo ghegou ao rasgo central, bastante estreito, parecendo algumas vezes, que a visão celestial se manifesta numa clarabóia. Usando ainda tons escuros e pouco vibrantes na arquitetura, que funciona para emoldurar a visão celestial, Araújo muito pouco realça os tons da visão dos Santos. Uma explicação para esta caracteristica talvez sejam os céus menos amplos da era barroca, marca psíquica da reclusão coletiva, à qual todos estavam sujeitos no distrito dos diamantes.
Em 1765, Soares de Araújo realizou trabalhos de pintura na igreja da Ordem Terceira do Carmo, de Diamantina, e começou a pintar o teto da capela-mor da Igreja do Carmo, nesta cidade. De 1778 a 1784, pintou e dourou a nave e o forro da mesma igreja, sendo a pintura desse teto sua obra mais importante. A partir de 1779, trabalhou na capela-mor da Igreja Terceira de São Francisco, em Diamantina. Pintou também o teto da nave e da capela-mor da Igreja de Santana, no arraial de Inhaí.
De atribuição controvertida entre Silva de Almeida Lopes, Manuel Antônio da Fonseca e Manuel da costa Ataíde, existem ainda quatro painéis da Paixão de Cristo, na sacristia da Matriz de Conceição do Mato Dentro, nos quais se evidenciam dois aspectos da pintura mineira: o primeiro é a angústia do espaço na pintura da região diamantina, já notada na obra de José Soares de Araújo e ausente na de Ataíde, o que elimina a possibilidade de ser a obra da autoria deste; o segundo aspecto é o intercâmbio entre a pintura da zona dos diamantes e da zona aurífera, evidenciando no fato de que, apesar das diferenças de visão, de desenho, de técnica pictórica e de implantação da cabeça das personagens, existem indiscutíveis afinidades entre essas obras e as de Ataíde, quanto à postura das figuras e ao volume exagerado dos ombros. O ritmo da composição é de Fonseca, enquanto os olhos rasgados das personagens lembram as figuras de Silvestre.
Segundo a tradição e as afirmações de alguns exegetas, João Batista de Figueiredo, mineiro de Catas Altas, seria o mestre de Manuel da Costa Ataíde. Sua participação na pintura da igreja Nossa Senhora do Rosário, de Sta Rita Durão, é garantida pelos documentos e pela assinatura "João Batista", na cena da Anunciação no forro do coro.Na capela-mor, os concheados dos elementos que sustentam o dossel central mostram uma maestria que não aparece na pintura do coro e uma elegância que não existe no teto da nave. Entretanto, o concheado apresenta a mesma movimentação do planejamento dos quatro santos pintados na capela-mor, principalmente de São Gregório e Santo Agostinho. Este último, de feições amulatadas, é impressionante pelo ritmo sinuoso, pelo tratamento dos cabelos e da barba e pela mitra curvada como chamas, ao contrário da cena central, que é dura e acanhada, redimida apenas pelos dois anjos mulatos.
Na mesma linha de Ataíde, João Batista e Bernardo Pires da Silva, existem mais alguns tetos que merecem ser lembrados, embora , com relação à maioria deles, se ignorem tanto a data de execução quanto o autor.
Outras obras notáveis são a nave da Matriz de Nossa Senhora de Nazaré, em Sta Rita Durão _ tocada por uma graça ingênua, apesar da arquitetura maciça_, e os tetos de Joaquim José da Natividade, na Igreja de São Tomé das Letras (indevidamente atribuídos à Ataíde ).
Mais pela amizade que o uniu a Ataíde, com o qual trabalhou em vários lugares, do que pelo interesse de sua obra, deve ser citado ainda Francisco Xavier Carneiro. Como Ataíde, policromou algumas das estátuas dos Passos, talhadas pelo Aleijadinho. De 1802 a 1828 trabalhou na Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, de Mariana, tendo pintado provavelmente o forro do teto.
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