O Barroco em Minas Gerais - 7 Já defrontando a esplanada que antecede a escadaria monumental do templo, encontra-se a penúltima capela, que abriga o Passo da Subida do Calvário, também conhecido como Passo da Cruz-às-Costas.
Aleijadinho escolheu, para ilustrar o Caminho de Cristo para o Calvário, o episódio do "Encontro com as Filhas de Jerusalém", relatado por São Lucas.
A figura do arauto tocando a trombeta, a do soldado e a posição de marcha da maioria das imagens, indicam claramente que a composição geral da cena está centrada na idéia de um cortejo. O tema se adapta mal às reduzidas dimensões da capela e a idéia inicial é, por isto, substituída por outra, dando uma visão de concentração dos personagens. A solução encontrada consistiu em retratar um breve momento de pausa na marcha para o Gólgota. Cristo se volta para falar a duas mulheres que o seguem em prantos. Uma delas faz menção de enxugar suas lágrimas, enquanto a outra segura nos braços uma criança.
O Passo da Crucificação abriga-se na última das seis capelas, já bem próximo da rampa de acesso às escadarias de acesso ao Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos em cujo adro se localizam as doze majestosas estátuas dos Profetas.
As onze imagens que compõem o grupo da Crucificação, ao contrário do que se verifica nos outros Passos, não se acham subordinadas a um único foco de interesse. A composição é dividida em três partes distintas. A zona central, onde se passa a ação principal, é ocupada pela figura de Cristo, de dois carrascos que o pregam na cruz estendida em posição horizontal e de Madalena, que, de joelhos, lança seu olhar para o alto em desesperada súplica. Na segunda cena, dois soldados disputam, num jogo de dados, a túnica do condenado. E como terceiro foco de atenção, aparecem, ao lado direito de Cristo, o mau e o bom ladrão, esperando, com as mãos atadas, o momento de serem também crucificados.
Terminada e execução das imagens dos Passos da Paixão, Aleijadinho e seu "atelier" iniciam as obras no adro do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. O magnífico conjunto estatuário foi totalmente executado em menos de cinco anos. Mesmo muito debilitado pela doença que o consumia e utilizando largamente o trabalho do seu "atelier", Aleijadinho deixou em Congonhas, nas imagens dos Profetas, a marca do seu gênio. Esta marca se percebe antes mesmo de uma análise mais detalhada dos 12 profetas. Ela é visível na magnífica integração das estátuas ao suporte arquitetônico constítuido pelo adro, com suas escadarias em terraços e imponentes muros de arrimo. Os blocos verticais de pedra parecem brotar espontaneamente dos parapeitos que arrematam a parte superior dos muros, contrapondo a linha horizontal dominente, modulações rítmicas de poderosa força expressiva.
As atitudes e os gestos individuais de cada uma das estátuas são simetricamente ordenados com relação ao eixo da composição. As correspondências não se fazem de forma geométrica, mas por oposicões e compensações de acordo com a lei rítmica do barroco. Um gesto de aparência aleatória, quando visto isoladamente como ampla flexão do braço direito do profeta Ezequiel, adquire extraordinária força expressiva quando relacionado com seu prolongamemto natural, constituído pelo braço esquerdo de Habacuc.
Nos últimos anos de vida, o artista trabalhou ainda na sua cidade, executando dois altares ainda na sua cidade, executando dois altares para a Igreja Nossa Senhora do Carmo (1807). Na atual cidade de Tiradentes, desenhou o frontispício da igreja de Sto Antônio. Morreu em 1814, em Ouro Preto.
Se na arquitetura Aleijadinho foi um renovador, criador de partidos de igrejas singulares, tanto na concepção das plantas quanto nas fachadas principais e laterais, como afirma o professor Silva Teles, a sua obra de escultura é o resultado de influências múltiplas: no fundo barroco, que era a linguagem do seu tempo, coexistem traços do Gótico, acentos expressionistas, sobrevivências renascentistas. O grande artista de Ouro Preto não se deixou limitar por regras e expressou livremente sua genialidade plástica. Tendo vivido num meio agitado, prenunciador da emancipação do país, foi um artísta emancipado, de caráter regional, precusor da nacionalidade que se formava em Minas Gerais e que na Inconfidência o seu gesto positivo e heróico.
Com uma defasagem de trinta ou quarenta anos em relação à arquitetura a à escultura, a pintura mineira reúne grande número de nomes, entre os quais sobressai o de Manuel da costa Ataíde, o mais expressivo do período colonial, apogeu e fim da tradição pictórica de Minas Gerais. Depois dele, o estilo em mutação, as influências da Corte, espelhando movimentos estrangeiros, a transformação do sistema de vida e talvez a falta de genialidade, apresentam obras em que predomina a erudição ingênua e estéril.
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